Emerson Fittipaldi elege a melhor volta de Senna (com vídeo) e revela como soube de sua morte

“Nos 45 segundos seguintes, o que vi na tela da minha TV foi pura genialidade. Não há outra palavra.”

melhor volta de Senna
O McLaren MP4-8 de Ayrton Senna nos treinos classificatórios do GP inglês (Divulgação)

Na última coluna, afirmei aqui que Ayrton Senna foi o melhor piloto de F1 de todos os tempos (leia aqui). Mas qual foi a melhor volta de Senna? Sua maior corrida de todos os tempos? Não posso dizer ao certo, mas o que mais me vem à mente é o GP da Europa de 1993, em Donington Park (Reino Unido).

Senna qualificou seu McLaren MP4-8 com um motor relativamente pouco potente, mas ficou só em quarto lugar, atrás do Benetton B193 de Michael Schumacher, em terceiro, e do vitorioso Williams FW15Cs de Alain Prost e Damon Hill, na primeira fila.

No dia da corrida, sob chuva torrencial, Ayrton foi intocável. Eu assisti à corrida na TV, em minha casa em Miami (EUA), e fiquei completamente hipnotizado com a primeira volta de Ayrton. Ele largou mal, caindo para o quinto lugar, mas, nos 45 segundos seguintes, o que vi na tela da minha TV foi pura genialidade. Não há outra palavra.

Se você nunca a viu antes, prepare-se para se surpreender com o vídeo abaixo, da melhor volta de Senna. Ele achou aderência onde ninguém sabia que dava para procurar, passou por Karl Wendlinger (que o havia ultrapassado antes), Schumacher, Hill e Prost, um depois do outro, e já liderava confortavelmente ao fim da primeira volta.

No dia seguinte, liguei para ele. “Ayrton, o que você fez foi inacreditável! Você nunca mais dará uma volta assim na sua vida!”, eu disse a ele. E ainda lembro da reação dele, uma risada envergonhada, mas feliz. Confira aqui a melhor volta de Senna (se quiser ir dirreto para a volta, adiante até 1min45s).

E A MORTE…

Pouco mais de um ano depois, Senna se foi. Em 1º de maio de 1994, quando ele morreu liderando o GP de San Marino, em Ímola, eu testava meu Indycar da Penske-Mercedes em Michigan.

Eu tinha acabado de começar uma corrida de 28 voltas naquela maravilhosa pista, com velocidades médias de 370 km/h, norma naqueles fantásticos monopostos de 1.000 cv. Eu estava concentrado, animado, fazendo o que nasci para fazer, no limite, feliz da vida.

Então, meu chefe de equipe de repente aparece no rádio: “Emmo, entre”, ele disse. Essa era uma instrução incomum, especialmente em uma corrida de tanque cheio, então eu perguntei: “Por que, há algo de errado com meu carro?”.

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E ele repetiu: “Não, apenas entre agora, por favor”. Então eu reduzi, entrei pelo pitlane, parei o carro em frente aos boxes da Penske e disse: “Qual o problema, pessoal?”. O chefe de equipe respondeu: “Sua esposa precisa falar com você ao telefone agora”.

Senti um frio na boca do estômago. Presumi que algo terrível poderia ter acontecido com nossos filhos – não consegui pensar em outra razão para uma ligação de minha esposa ser tão urgente. Então, pulei do carro e corri para os boxes, onde um dos caras segurava o telefone, de mão estendida, para eu pegar.

“O que houve? Foi uma das crianças?”, perguntei à minha esposa. “Não”, ela disse, “é o Ayrton. Ele morreu em Ímola.” Então eu fiquei totalmente sem saber o que dizer. Na verdade, não sei até agora.

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