Emerson Fittipaldi

Com um dos mais invejáveis currículos do automobilismo mundial, , bicampeão de Fórmula 1 e duas vezes vice-campeão, campeão da Cart (Fórmula Indy) e bicampeão das 500 milhas de Indianápolis, ainda está na ativa. Hoje é diretor da equipe brasileira na A1 GP e atua como empresário em diversos ramos. Na semana do dia 5 de maio, Emerson desembarcou no Brasil vindo de Miami, onde reside, para fazer a promoção do 4º Salão de Acessórios, que aconteceu de 14 a 18 de maio em São Paulo. Ele nem bem pisou em terras tupiniquins e já resolveu disputar uma rodada dupla da GT3 pilotando um Porsche com seu irmão Wilsinho Fittipaldi, em comemoração aos 50 anos de automobilismo do irmão mais velho. Mesmo há tempos fora dos cockpits, os irmãos não fizeram feio e chegaram entre os dez primeiros. Aproveitando a visita ilustre, MOTOR SHOW fez uma entrevista exclusiva com Emerson. Confira…

 

Na seqüência, de cima para baixo, Emerson, em 1972, comemorando uma vitória na Lotus junto de Jack Stewart e, ao lado, no cockpit do carro da Copersucar, equipe da qual era dono e que ficou na história como a primeira e única equipe brasileira na F-1

MOTOR SHOW: Com seu currículo de vitórias e realizações, que inclui desde conquistas históricas até equipe própria, falta algum objetivo a ser conquistado, tanto em sua vida pessoal como na profissional?

EMERSON FITTIPALDI: Deus me presenteou com muitas vitórias e conquistas, tanto na minha vida profissional quanto na pessoal. Como empresário tenho ainda muitos projetos a serem desenvolvidos e concluídos, e na vida pessoal tenho um filho pequeno que quero ver crescer.

M.S: Qual foi o momento mais feliz e também o mais triste em toda a sua longa carreira?

E.F: É difícil escolher o momento mais feliz na minha carreira. O primeiro título mundial de Fórmula 1, em 1972, foi um deles. O segundo, em 1974, foi outro, e as vitórias em Indianápolis também. Graças a Deus, tive poucos momentos tristes, entre os quais estão, com certeza, as mortes de meus amigos e colegas nas pistas, como Jochen Rindt, Ronnie Peterson e François Cevert.

M.S: Você se considera responsável por parte do espaço que o Brasil tem atualmente no cenário automobilístico internacional?

E.F: Acho que, pelo fato de ter sido o primeiro brasileiro a ter sido campeão na Europa, de certa forma mostrei a todos que o Brasil era também um país a ser respeitado no automobilismo mundial.

M.S: Qual sua opinião sobre a Fórmula 1 de hoje, em comparação com a época em que participava?

E.F: Hoje a F-1 é muito mais segura – o que é muito importante. Na minha época havia muitas mortes nas pistas e tanto os carros quanto os autódromos não tinham segurança. Em contraponto, na minha época, os carros eram muito mais equiparados. Então, havia muito mais competição entre os pilotos por vitória e as corridas eram mais interessantes.

M.S: Levando em consideração o contexto político e financeiro da F-1 de hoje, você acha possível a categoria voltar a teruma equipe brasileira, como a Coopersucar?

E.F: Acho extremamente difícil, não pelo contexto político, mas sim pelo custo atual de ter uma equipe na Fóórmula 1 – que é extremamente alto para um país como o Brasil.

M.S: O que achou das modificações da F-1 para este ano?

E.F: Achei que, sem o controle de tração, as corridas ficaram mais interessantes, pois exigem mais dos pilotos. Mas ainda faltam mais possibilidades de ultrapassagem, por conta da aerodinâmica dos carros.

M.S: Qual sua aposta para esta temporada?

E.F: Acho que as Ferrari são as favoritas, seguidas pelas McLaren. Acho também que as BMW e as Renault ainda irão melhorar muito durante a temporada, cutucando bastante as duas favoritas.

Acima, Emerson comemora a conquista das 500 milhas de Indianápolis, uma das mais tradicionais do automobilismo americano. Abaixo, Emerson, ainda na Fórmula Indy, protagoniza diversos duelos com o rival e também ex-piloto de Fórmula 1 (e campeão em 1992) Nigel Mansell

M.S: Considerando os brasileiros que estão na F-1 hoje, emqual deles você acredita mais?

E.F: No Felipe Massa, por ter o melhor carro nas mãos e por ter talento e experiência para brigar pelo titulo mundial deste ano.

“A F-1 é muito cobrada para utilizar combustíveis menos poluentes e danosos ao meio ambiente”,

sobre a possibilidade de a Fórmula 1 usar o etanol

como combustível em um futuro próximo

“Com a febre do tuning, foi despertado de novo no

consumidor o desejo de personalizar seu carro”,

sobre o mercado de acessórios no Brasil

M.S: Por que resolveu investir no mercado de acessórios? Qual sua expectativa para esse nicho?

E.F: Sempre estive envolvido com acessórios na minha vida, desde quando fabricava volantes e rodas de magnésio para ajudar a financiar minha carreira esportiva nos anos 60. Acho que, com o tuning, foi despertado de novo no consumidor o desejo de personalizar seu carro. No Salão de Acessórios estamos trabalhando para divulgar cada vez mais tanto a personalização artesanal quanto os acessórios de fábrica e autorizados.

 

 

Acima, Emerson e Wilsinho Fittipaldi trocam informações sobre o carro na hora da troca de pilotos da prova da GT3. Ao lado, Emerson bastante concentrado antes de entrar na pista com o Porsche, e, abaixo, na companhia do filho caçula, ele curte os treinos da categoria do alambrado da reta principal

M.S: Você andou divulgando o etanol nos EUA. Na sua opinião, é possível a Fórmula 1 vir a usar este combustível?

E.F: Acho que não só é possível como inevitável. A F-1 é muito cobrada para utilizar combustíveis menos poluentes e danosos ao meio ambiente.

M.S: Você acredita que a ausência de um automobilismo de base, como os Fórmula VW, no qual você começou, Fórmula Ford ou Fórmula Fiat, possa no futuro contribuir para reduzir o número de brasileiros com talento e destaque na F-1?

E.F: Com certeza! Já no kart enfrentamos dificuldades por termos cada vez menos incentivos para que a garotada se desenvolva. A partir daí, as opções são menores ainda – a não ser que o piloto tenha recursos para correr no Exterior, uma minoria…

M.S: No início de sua carreira era comum os pilotos “inventarem” seus próprios carros de corrida. Foi o caso do Fitti-Porsche, do Fusca com dois motores… Essas “invenções” ajudaram você, como Nelson Piquet, a se transformar em grande acertador de carros na Fórmula 1? Ou acha que isso é um dom natural dos pilotos natos?

E.F: Acho que é fundamental ao piloto o conhecimento de mecânica. Eu já montava os karts com que meu irmão corria quando pequeno. Então a experiência com os carros, como o Fitti-Porsche, foi muito positiva quando tinha que dialogar com os engenheiros da F-1 e explicar o comportamento do carro. Esse feedback do piloto é essencial, e só é realmente válido quando ele tem noção do que está acontecendo mecanicamente com o carro.

“A experiência com os carros como o Fitti-Porsche foi muito positiva quando tinha que dialogar com os engenheiros da F-1”,

sobre a experiência adquirida ao “inventar” os carros com que corria

M.S: Morar atualmente nos EUA limita suas ações como empresário no Brasil? Você pensa em voltar a morar aqui?

E.F: Eu hoje divido meu tempo entre os EUA e o Brasil.

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