15/07/2026 - 8:00
Os carros elétricos já são realidade: neste primeiro semestre, foram emplacadas mais de 90 mil unidades de modelos movidos exclusivamente a eletricidade. O número representa pouco mais de 6% das vendas totais, mas o que mais importa é o crescimento acelerado nas vendas, que mostra que o consumidor está perdendo medo dos EVs. Entre os carros mais vendidos no varejo, BYD Dolphin Mini e Geely EX2 já fazem parte do top 5 de vendas.
Não há nada de novo sob o sol: afinal, os carros já eram elétricos desde o início, e a primeira geração de baterias de chumbo-ácido remonta a… 1859. No entanto, avanços na tecnologia de baterias eram necessários para este tipo de veículo se tornar uma solução verdadeiramente viável.
Tal virada veio com o advento das baterias de íons de lítio, cuja densidade de energia, embora ainda bastante inferior à da gasolina, é significativamente maior do que nas baterias de chumbo-ácido usadas em veículos do passado.
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Faça bem as contas
A maior vantagem dos carros elétricos é a total ausência de emissões de escapamento, portanto, zero impacto no ambiente local. Mas, na verdade, isso é verdade se pensarmos exclusivamente nas emissões do veículo durante sua operação.
Se, por outro lado, todo o ciclo de vida for considerado de forma mais correta, ao menos em termos de emissões de CO2 o impacto de um carro elétrico movido a bateria está longe de ser nulo – e pode até ser maior do que o de um carro a gasolina (e, ainda, é muito maior que um flex rodando com etanol).
Afinal, tudo depende de como é obtida a energia necessária à produção, à utilização e à reciclagem do automóvel. Para gerar 1 kWh de eletricidade, de zero (fontes renováveis) a 900 (usinas a carvão) gramas de CO2 podem ser emitidos.
De qualquer modo, os veículos elétricos serão cada vez mais difundidos, também graças ao aumento da autonomia, aos incentivos dos governos e à maior disponibilidade geral de postos de recarga.

O futuro: expansão garantida
Tudo parece favorecer um enorme crescimento no número de carros elétricos em circulação. E este processo será acelerado pela esperada melhoria na tecnologia de baterias, que serão cada vez mais capazes e leves, além de menos caras. No momento, porém, são necessários 30 vezes mais peso de bateria do que de gasolina, etanol ou diesel para garantir uma autonomia equivalente.

Para quem serve: cuidado com os lugares-comuns
Ainda há vários mitos sobre o carro elétrico que é bom esclarecer
É verdade que a poluição que eles produzem é zero?
Apenas em termos de emissões locais. Já as emissões de CO2 dependem das fontes de energia usada para produzir o carro e as baterias, e também para recarregá-las.
Para quem os carros elétricos são considerados mais adequados?
Para quem os usa principalmente na cidade e tem estrutura para recarga domiciliar; os custos de reabastecimento em estações públicas são geralmente muito mais altos.
Eles servem para viagens longas?
Só se você planejar bem as paradas para recarregar, levando em consideração o tempo necessário para essa operação. Há vários aplicativos para smartphone que permitem que você se organize melhor. Mas o Brasil, por exemplo, ainda é fraquíssimo em infraestrutura de carregadores.
O que é preciso para recarregar as baterias em casa?
Energia adequada. Uma tomada “Schuko” é suficiente, mas o tempo de carregamento pode ser longo. Se possível, é preferível instalar uma wallbox, que gerencia o funcionamento da melhor forma possível, evitando o risco de superaquecimento e outros possíveis transtornos.
Há vantagens fiscais e práticas?
Os carros elétricos têm muitos benefícios, que variam de acordo com as regiões e cidades: desde a isenção de impostos até estacionamento gratuito e liberação de rodízio em São Paulo (mas essa vantagem todos os híbridos hoje também têm).

Glossário
Recarga
As baterias de íon-lítio são recarregadas tanto por fontes externas quanto pela energia recuperada na desaceleração do veículo, o que contribui para aumentar a autonomia.
Rotor
Elemento constitutivo do motor elétrico, ele segue o movimento do campo magnético no qual está imerso, que é gerado pelo estator, entregando a potência mecânica que é transmitida às rodas do carro (sem marchas).
Estator
É o coração do motor elétrico: constituído por condutores de cobre, isolados e envolvidos em torno de um núcleo de material ferromagnético, ele tem a função de gerar um campo magnético giratório, dentro do qual atua o rotor (acima).
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