Especial de eletrificação: híbridos plug-in são os mais elétricos dos híbridos

No processo de eletrificação, os híbridos plug-in ​​seguem o padrão dos full hybrids, mas têm baterias bem maiores: se alimentadas regularmente, permitem rodar dezenas de quilômetros no modo elétrico

híbridos

O carro elétrico já é realidade. Na edição 439 da revista MOTOR SHOW (leia mais aqui), publicamos uma reportagem especial sobre eletrificação, onde explicamos as tecnologias e vantagens de cada tipo de tecnologia, dos híbridos leves aos carros 100% elétricos. Aqui no site, publicaremos esta reportagem especial sobre eletrificação em etapas. Na primeira parte, mostramos as novas tecnologias dos motores a combustão (leia aqui), que não vão ser aposentados tão cedo. Na segunda, falamos dos híbridos leves (leia aqui). Na terceira, falamos dos full hybrids, os híbridos completos (leia aqui). Agora, falaremos dos híbridos plug-in, ou plugáveis, que são o elo entre os carros com motor a combustão e os carros totalmente elétricos – pois resolvem o problema da “ansiedade da autonomia”.

O esquema técnico deles não é muito diferente daquele visto no passo anterior da eletrificação, os híbridos completos, mas há duas diferenças importantes. Em primeiro lugar, o motor-gerador é mais potente, a ponto de poder cuidar sozinho da propulsão do carro durante algumas dezenas de quilômetros, e com um desempenho mais adequado. O maior expoente no Brasil hoje é o Volvo XC40 (leia avaliação). Nele, a bateria deixa de ter a simples função de “amortecedor”, recebendo energia na desaceleração e a devolvendo na hora do arranque, para ser uma fonte de energia muito mais capaz, alimentando o motor elétrico e garantindo uma autonomia que, hoje, chega a 50 ou 60 quilômetros. Mas a capacidade superior também aumenta peso e custos.

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É preciso recarregar

A bateria do híbrido plugável pode (e deve, para se aproveitar seu potencial de eletrificação) ser alimentada por uma fonte externa, conectando o carro à rede elétrica. Isso não é possível nos híbridos leves ou mesmo nos completos, e garante os maiores benefícios dos plug-ins. A autonomia elétrica relativamente elevada que o carregamento garante de fato permite rodar durante muito tempo em modo elétrico, ou até mesmo sempre – dependendo de quanto você roda e onde carrega o carro –, na cidade (e não só). Assim, evita o uso do motor a combustão, com grande economia nos gastos.


O futuro: fase de transição

A tecnologia do carro híbrido plug-in é considerado uma fase de transição para a mobilidade totalmente elétrica. Neste momento histórico, ela tem a vantagem de transportar motoristas para o novo mundo: quem dirige um híbrido plugável não precisa sofrer da famosa “ansiedade de autonomia”, pois pode contar com o motor a combustão interna e o tanque de combustível, mesmo que reduza drasticamente os benefícios da dupla propulsão. Nos próximos anos, a gama vai aumentar, graças ao seu progresso, à redução de custos e à melhoria dos sistemas de gestão. Mas, por isso mesmo, os híbridos plugáveis podem muito em breve se tornar menos atraentes que os modelos puramente elétricos.


Para quem serve: compromisso e constância

Para serem eficazes, os híbridos plug-in exigem a disponibilidade do proprietário para recarregar a bateria com regularidade

Para quem é o híbrido plugável?
Para quem usa o carro principalmente na cidade, onde pode viajar de 50 a 60 quilômetros no modo apenas elétrico. E para quem tem capacidade e constância para recarregar regularmente a bateria usando um sistema doméstico ou os carregadores públicos.

Um plug-in faz sentido para quem faz longas viagens em estradas?
Pouco, porque, esgotada a carga da bateria, o carro se move exclusivamente com o motor de combustão interna, sem usufruir dos benefícios do componente elétrico. No entanto, os sistemas de gestão modernos dividem o modo de operação conforme as características do percurso definido no navegador, otimizando o uso da bateria em função do tipo de estrada que o carro vai encontrar. Para quem mora em cidades-dormitório e roda até 80 km por dia, é uma boa.

Há complicações específicas para recarregar o carro?
Os métodos são os mesmos usados nos carros elétricos. Os tempos dependem do sistema usado. Para recarga doméstica, uma tomada “Schuko” pode ser suficiente, mas é útil ter – assim como para os carros elétricos – uma wallbox, que usa potências maiores e, assim, pode encurtar o carregamento. Mas há custos mais elevados de instalação e certificação.


Glossário

Tração integral elétrica
O motor elétrico geralmente fica localizado entre o motor térmico e a transmissão automática. Se, no entanto, ele ficar no eixo traseiro (como nos Volvo), ou na frente (dependendo da localização da unidade térmica), fazendo com que atue diretamente nas rodas por meio de um diferencial e dois eixos de transmissão, a tração nas quatro rodas é facilmente obtida (como no Jeep Compass 4xe; leia avaliação aqui), eliminando as complicações dos sistemas mecânicos.

Lítio
Nos híbridos plugáveis, ao contrário do que acontece na maioria dos híbridos completos, as baterias são de íons de lítio, com maior densidade de energia. Só assim é possível obter autonomia elétrica de 50 a 60 quilômetros. Mas os custos ainda são muito mais elevados.

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