Espécie rara

Luis Pereyro e Flavio R. Silveira

Os carros chineses estão evoluindo rapidamente – e não é a primeira vez que falamos disso. Eles começam a se destacar por outras características, além do preço baixo. Esse Geely GC2, que chega ao Brasil por R$ 29.900, é um bom exemplo. Montado no Uruguai, tem um design simpático, que deve conquistar principalmente o público feminino. A inspiração vem dos ursos panda, como se vê na faixa ao redor dos faróis, na boca enorme (grade dianteira) e nas lanternas com desenho de pegada. Na traseira, a tampa do porta-malas toda em vidro transmite atualidade. 

O porte é o mesmo do Volkswagen Up, embora o aproveitamento de espaço não seja tão bom, por culpa da distância entre-eixos 8 cm menor. Viajando no banco traseiro, as pernas não ficam apertadas, mas quem tem mais de 1,70 m raspa a cabeça no teto, e o porta-malas acomoda só 205 litros (o VW Up, por exemplo, tem 285). Ainda em comum com o Volks, o GC2 tem motor 1.0 12V tricilíndrico com comando variável – embora bem mais ruidoso e com potência e torque inferiores (68 cv e 8,9 kgfm, contra 82 cv e 10,4 kgfm do Up). 

Os maiores destaques estão na segurança e nos equipamentos de série. Além de oferecer freios com ABS e airbags, o GC2 ganhou cinco estrelas (nota máxima) nos testes de colisão do China NCAP, e ainda tem alerta de falta de cinto de segurança, isofix (para fixar cadeirinhas infantis), sensor de estacionamento e luzes de neblina. Para completar, tem ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, travas e retrovisores elétricos, rodas de liga aro 14, ajuste de altura dos faróis e som com entrada USB. O acabamento é simples, mas adequado, e a tampa deslizante no porta-luvas é uma solução prática. 

Ao volante, os pontos altos estão no câmbio manual de cinco marchas, com engates precisos, e nas suspensões – que, além de filtrar bem as irregularidades, são silenciosas e fogem do acerto tradicional chinês, mole demais. Já do lado negativo, estão a ergonomia (a chave bate no joelho do motorista e os comandos dos vidros são mal posicionados) e a direção hidráulica, não tão leve quanto se gostaria em um carro com proposta urbana. O tanque diminuto (35 litros) não é problema nessa versão a gasolina, mas, se virar flex, o alcance ficará limitado com etanol.

Voltando à concorrência, a versão Move do Volkswagen Up é bem menos equipada. Igualando-a em equipamentos ao GC2, sai por R$ 39.953 (com um amarelo parecido). A economia, optando pelo modelo sino-uruguaio, é de R$ 10.000. Ficou interessado? A má notícia é que o carro é tão difícil de achar quanto um urso panda fora do zoológico: por enquanto, são apenas duas concessionárias, uma em Porto Alegre RS) e outra em São José do Rio Preto (SP). Mas a marca tem futuro promissor – acaba de adquirir a Volvo. Promete aumentar a rede em breve e tem muitas novidades para mostrar, como o motor flex e a versão aventureira, chamada GX2. Até uma fábrica no Brasil está nos planos.