A decisão entre os dois combustíveis mais comuns voltou a pesar no bolso do motorista brasileiro. Dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o etanol hidratado perdeu competitividade na maior parte do País na semana encerrada em 3 de janeiro, com alta de preços em diversos Estados.

+Combustível adulterado: veja 10 dicas para evitá-lo

+Manutenção do carro antes de viajar: pneus, freios, fluidos e mais

+Não é só no Brasil: Indonésia planeja mistura obrigatória de etanol na gasolina em 2027

etanol
VW Gol Flex 2003 – Foto: VW/divulgação

Etanol mais caro

Segundo o levantamento da ANP, compilado pelo AE-Taxas, o preço médio do etanol subiu 0,22% na comparação semanal, alcançando R$ 4,49 o litro nos postos pesquisados em todo o Brasil. O biocombustível registrou aumento de preços em 15 Estados, queda em quatro e no Distrito Federal, além de estabilidade em seis unidades da Federação. No Amapá, não houve coleta de dados.

Posto de gasolina
Posto de gasolina – Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em São Paulo, principal produtor e maior mercado consumidor do combustível derivado da cana no País, o valor médio permaneceu estável, em R$ 4,28 o litro. Ainda assim, o combustível não se mostrou vantajoso frente à gasolina no Estado, considerando a relação de preços.

Entre os destaques regionais, a maior alta porcentual foi registrada no Tocantins, onde o etanol subiu 3,92% e passou a custar R$ 5,04 o litro. Já a maior queda ocorreu no Acre, com recuo de 12,35%, apesar de o preço ainda permanecer elevado, em R$ 5,25. O menor valor encontrado em um posto foi de R$ 3,59, em São Paulo, enquanto o maior chegou a R$ 6,08, no Acre.

Posto de combustível – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Na média estadual, o etanol mais barato foi registrado em Mato Grosso do Sul, a R$ 4,00 o litro. No outro extremo, o Amazonas apresentou o maior preço médio do País, de R$ 5,49.

Paridade desfavorável

Na comparação direta com a gasolina, o cenário também não favorece o etanol. Na média nacional, a paridade ficou em 72,19% na semana analisada, patamar considerado desfavorável, já que a referência tradicional indica vantagem apenas quando o combustível derivado da cana custa até 70% do preço da gasolina.

Posto de combustível – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Com isso, o etanol foi considerado mais competitivo em apenas um Estado: Mato Grosso do Sul. Lá, além do menor preço médio do País, a paridade ficou em 67,34%, o que torna o biocombustível financeiramente mais interessante para o consumidor.

Executivos do setor, no entanto, ressaltam que a regra dos 70% não é absoluta. Dependendo do modelo do veículo, especialmente em carros flex mais modernos e eficientes, o etanol pode apresentar bom custo-benefício mesmo com paridade um pouco acima desse patamar.

Painel de instrumentos Chevrolet Equinox – Foto: Fabio Gonzales /Divulgação

Conta na bomba: qual vale mais a pena?

Para o motorista, é possível decidir rapidamente qual combustível vale mais a pena com uma conta simples. Basta dividir o preço do etanol pelo da gasolina. Se o resultado for igual ou inferior a 0,7, o etanol tende a ser a opção mais econômica. Acima disso, a gasolina costuma compensar mais.

IPVA 2026
Carro e moedas – Foto: Freepik

Outra forma prática é multiplicar o preço da gasolina por 0,7. Se o valor do etanol for igual ou menor ao resultado, o biocombustível é a melhor escolha. Caso contrário, a gasolina oferece melhor custo-benefício, já que o etanol tem cerca de 30% menos poder energético por litro.