Atualmente, os carros asiáticos, especialmente os japoneses, são sinônimos de qualidade, durabilidade e baixo consumo. Mas nem sempre foi assim. Os primeiros a desbravar o mercado mundial de automóveis foram os japoneses. Embora existisse de forma tímida desde o início do século XX, a indústria automobilística japonesa produzia em pequena escala e apenas para o mercado local. Poucos imaginavam que o Japão se tornaria uma potência do setor.

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Primeira fábrica japonesa da Toyota, ainda nos anos 30 – Foto: divulgação

Toyota desbravou os EUA no fim dos anos 50

No fim dos anos 50, quando ainda havia resquícios da Segunda Guerra, a Toyota começou a exportar para os Estados Unidos, em escala reduzida, o Crown, um sedan simples que vendia pouco no enorme mercado norte-americano. A virada veio com o Corolla, mais barato e econômico, oferecido como carro de entrada para consumidores com orçamento limitado.

Toyota Crown do final dos anos 50 – Foto: divulgação

No final dos anos 60, os japoneses mostraram, sobretudo aos norte-americanos, que também sabiam fazer esportivos, com o lançamento do Datsun 240Z. Mas o grande salto nas vendas ocorreu em 1973, durante a crise do petróleo. O preço do barril praticamente triplicou e a gasolina disparou. Acostumado a modelos beberrões, o mercado mundial precisou reagir rapidamente. De repente, todos buscavam carros econômicos e de baixo custo de manutenção, justamente o que ofereciam os japoneses.

Datsun 240Z – Foto: divulgação

Carros asiáticos começaram a ter sucesso

Nesse momento crítico para a economia global, os compactos japoneses caíram como uma luva. A Honda havia lançado nos Estados Unidos o Civic, um modelo pequeno, com praticamente metade do comprimento dos grandes carros americanos. Enquanto muitos faziam cerca de 5 km/l, o Civic chegava a até 16 km/l e ainda atendia às rígidas leis antipoluição sem a necessidade de catalisador.

Primeiro Honda Civic vendido nos EUA – Foto: divulgação

O motor CVCC do Civic utilizava uma câmara auxiliar que iniciava a queima do combustível antes de alcançar a câmara principal de cada cilindro. Isso permitia trabalhar com mistura ar-combustível mais pobre, reduzindo o consumo. Ele e o Toyota Corolla salvaram boa parte dos consumidores americanos de gastos elevados com combustível, e os modelos japoneses tornaram-se a escolha de estudantes e famílias de renda média. Mostraram ao mundo que sabiam produzir carros resistentes, duráveis e de manutenção acessível, além de desenvolver novas tecnologias.

Depois, os coreanos…

Hyundai Pony, o primeiro sucesso da marca coreana – Foto: divulgação

Nos anos 90, foi a vez dos coreanos provarem que não fabricavam apenas carros baratos e descartáveis. Essa era a fama que carregavam: preços baixos, mas qualidade discutível, motores simples e acabamento com plásticos de baixa qualidade. Percebendo que esse caminho não se sustentaria, a indústria coreana implantou sistemas rígidos de controle e melhorou matérias-primas e processos.

Hyundai Accent 1999 – Foto: divulgação

Em 1999, a Hyundai lançou o Accent no mercado norte-americano oferecendo dez anos de garantia. A mensagem era clara: confiabilidade e durabilidade estavam garantidas. Além da Hyundai, Kia, Daewoo e SsangYong seguiram o mesmo rumo, passando a disputar espaço global com os japoneses.

China: fase de observação

Enquanto isso, a China observava seus vizinhos asiáticos conquistarem espaço. Durante muito tempo, os chineses produziram cópias baratas de modelos estrangeiros, voltadas principalmente ao mercado interno e a países sensíveis a preço. A baixa qualidade rendeu má reputação, inclusive no Brasil, onde surgiu a expressão “xing-ling” para designar produtos frágeis. Mas os chineses entenderam que, sem qualidade, não haveria mercado internacional.

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Investiram em design, contratando grandes estúdios globais, e direcionaram esforços para tecnologia híbrida e elétrica, com foco no desenvolvimento de baterias em seus carros asiáticos. A partir de 2010 começaram a surgir produtos com melhor acabamento, tecnologia e estilo. A antiga imagem de baixa qualidade começou a se dissipar.

Leapmotor C10 REEV – Foto: Lucca Mendonça

Com custos competitivos e evolução técnica consistente, as fabricantes chinesas e seus carros asiáticos passaram a oferecer carros asiáticos modernos, confortáveis e tecnologicamente avançados. A qualidade avançou a ponto de montadoras europeias e norte-americanas também produzirem modelos na China.

GWM Haval H6 PHEV35 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Carros asiáticos tomaram espaço

Aos poucos, países que não tinham tradição automotiva consolidada aprenderam a produzir veículos adequados às diferentes realidades do mundo. Preço, qualidade e durabilidade tornaram-se armas competitivas. Enquanto isso, europeus e norte-americanos correm atrás do consumidor perdido nessa disputa global. Os asiáticos não entraram nesse jogo para participar, entraram para liderar. E seguem nesse caminho.