EXCLUSIVO: VW SCIROCCO

Potência de 200 cv

0 a 100 km/h 7s1

28.500 euros (estimado)

Ele é o novo cupê da Volkswagen, mas com estas linhas poderia ser chamado de hatch. Não faria feio como o Golf de sexta geração, na versão duas portas. Aliás, é mais bonito que ele – criado pela equipe de Walter de’ Silva, chefe de design da marca, impressiona pelas linhas agressivas. “Ele representa a nova cara da Volkswagen”, disse Ludger Fretzen, diretor de marketing de produtos da marca, à MOTOR SHOW, única publicação brasileira presente no evento de lançamento do carro em Lisboa, Portugal.

Nosso repórter era único brasileiro presente no lançamento do modelo

Para sorte dos europeus, o Scirocco vai custar menos que o Golf. Para azar dos brasileiros, não deve ser vendido aqui – pelo menos não tão cedo. “A de- Lançamento cisão de importar ou não o carro depende da VW do Brasil. De qualquer forma, primeiro temos que atender às demandas européia e americana. Depois queremos exportar”, afirmou Klaus Hüllen, um dos responsáveis pela comunicação da VW alemã.

A história do Scirocco começa em 1974, quando Giugiaro desenvolveu o cupê original, derivado do Golf. Lançada em 1981, sua segunda geração não teve o mesmo sucesso da primeira (da qual foram comercializadas cerca de 500 mil unidades), e sua produção foi suspensa em 1992. Agora, ele renasce!

Na praça Dom Pedro IV, no centro de Lisboa, um encontro de gerações. A primeira versão do Scirocco, de 1974, considerado o pai do Gol, ao lado do novo modelo

As linhas características da “nova cara” da VW estão na dianteira. Martin Winterkorn, presidente mundial da marca, explica: “muitos fabricantes estão incorporando como identidade estética grandes entradas de ar inferiores… e por isso decidimos centrar a atenção em cima do pára-choques, entre os faróis”. Ou seja, destaque para as linhas horizontais, como no novo Gol brasileiro.

Na Europa, o Scirocco será vendido, além da versão a diesel, com motores a gasolina (com injeção direta) 1.4 turbo, de 122 cv, 1.4 turbo com compressor, de 160 cv, e 2.0 turbo, de 200 cv. Este último avaliamos no litoral português, com direito a um trecho na Serra da Arrábida. Escolhemos a versão 2.0 TSI porque o motor já é vendido aqui no Passat Turbo e no Audi A3, por isso seria a escolha mais lógica para uma possível importação.

O preço parte dos 21.750 euros (R$ 55 mil). Já a versão 2.0 TSI não teve o preço oficial definido, mas estimamos em 28.500 euros (R$ 72 mil). Importado, ficaria bem mais caro, entrando na faixa de preços do Volvo C30 T5 e BMW 120i – e não faria feio perto deles.

“Um esportivo para o dia-a-dia”, descreve a marca. E de fato é: com o câmbio manual de seis marchas, faz o que o motorista manda, e bem. Já com o câmbio DSG (manual automatizado de dupla embreagem) no modo D, é suave e econômico, colocando a sexta marcha sempre que se “relaxa o pé”. Nos modos S (sport) ou M (seqüencial, com comandos no volante), no entanto, vira “lobo”: responde com vigor a qualquer “pisada”, acelerando até 100 km/h em 7s1 e atingindo a máxima de 233 km/h (7s2 e 235 km/h com câmbio manual). É aí que se torna recomendável, mas não essencial, o opcional DCC (controle adaptativo do chassi).

Por dentro, o painel peca pela falta de originalidade, mas não de qualidade: segue o padrão da marca. Ao lado, a alavanca do câmbio de dupla embreagem e seis marchas que oferece a opção de trocas seqüenciais ou através das borboletas no volante (foto mais à direita). A transmissão DSG com sete velocidades estará disponível apenas no modelo 1.4 de 160 cv, porque não suportaria o alto torque do motor maior

No segundo dia voltamos à serra cheia de curvas e precipícios. Trocamos a unidade azul, sem DCC, pelo modelo branco, com o opcional. As curvas desafiadoras que o Scirocco já superara no dia anterior ficaram ainda mais inofensivas. Com sensores nas rodas e chassi ligados a uma central que controla motor, freios, volante e câmbio, os amortecedores e volante “respondem” às necessidades de segurança, esportividade ou conforto, conforme lêem as informações. O motorista pode escolher os modos esporte, conforto ou normal – mas, se a situação ficar feia, o DCC agirá.

O sistema multimídia opcional Dynaudio com entrada SD, disco rígido de 30 gb e sistema de navegação – tudo controlado com toques na tela. Para não desviar a atenção do motorista, todas as indicações do mapa são repetidas no painel

Os inconvenientes são o porta-malas pequeno, e os bancos traseiros individuais para apenas dois passageiros, um tanto claustrofóbicos (a linha de cintura é alta, e as janelas pequenas). O teto panorâmico, opcional, soluciona em parte o problema.

Se a Volks enxergar o mesmo nicho de mercado que nós, trará sim o carro, assim como vai trazer o conversível Eos. Aguardamos ansiosamente!

Já um CAMPEÃO

Mesmo antes do lançamento oficial do Scirocco de série, sua versão de competição já faturou as duas primeiras colocações das disputadas 24 Horas de Nürburgring, na Alemanha. Adaptado para corridas, o Scirocco GT24 tem o mesmo TSI 2.0 da versão que avaliamos, mas “mexido” para gerar 325 cv de potência, com torque máximo a apenas 2.100 rpm.

“Este carro representa a nova cara da Volkswagen”, diz Ludger Fretzen, diretor de marketing de produtos

Acima, a opção de acerto mais esportivo ou mais confortável. À direita, um dos únicos “defeitos” do carro: apenas quatro lugares e interior um tanto claustrofóbico

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