Familiar envenenado

Este novo CLS já não é mais tão novo assim. Mas, apesar de ter sido apresentado ao público no Salão de Los Angeles de 2010, por aqui, ele ainda arranca suspiros. Do modelo anterior, herdou apenas o nome e o conceito “cupê de quatro portas”. A Mercedes diminuiu a ousadia das linhas dessa segunda geração, mas, em contrapartida, essa versão AMG (divisão esportiva da marca) tem uma mecânica para deixar de boca aberta qualquer apaixonado por alta tecnologia. A começar pela nova geração do V8 que o impulsiona. Com 5,5 litros, a unidade tem dois turbos (cada um alimenta quatro cilindros) e injeção direta de gasolina. Com essa configuração, rende 525 cv e 71,4 kgfm. Um torque de fazer inveja a muito caminhão de grande porte.


O modelo, que avaliei durante alguns dias como meu carro pessoal, tinha ainda o AMG Performance Package. Por meio de uma calibração mais tolerante das turbinas, permite chegar aos 557 cv com torque máximo de respeitáveis 81,6 kgfm. Com toda essa força e potência, os quase 1.900 kg do Mercedão parecem desaparecer. Ele acelera até os 100 km/h em excelentes 4,3 segundos e chega à máxima de 300 km/h. Para as suspensões, o AMG Ride Control oferece três modos: Comfort, Sport e Sport Plus. Na posição “comfort” o carro já é estável e seguro. O que dizer das demais, naturalmente mais esportivas?

Os faróis bixenônio da versão anterior deram lugar a conjuntos com 71 leds cada um que iluminam muito bem na luz baixa, mas ficam devendo na alta. Os freios de cerâmica opcionais também são eficientes. O motorista chega a se esquecer de que o carro pesa quase duas toneladas. E estamos falando de um modelo topo de linha com tudo que há de melhor em sofisticação e conforto.

Mas, como nada é perfeito, há pontos, sim, que poderiam ser melhorados. O freio de estacionamento, por exemplo, ainda é acionado com o pé esquerdo, uma forma arcaica. Pelo carro que é, merecia um aparato elétrico e automático. Outro senão é relativo à embreagem multidiscos utilizada no ótimo câmbio automatizado de sete marchas: sua saída poderia ser um pouco mais suave. Falhas perdoáveis em qualquer carro, mas não em um Mercedes de meio milhão de reais.

Mercedes CLS 63 AMG

Como em todos os AMG, uma placa mostra o nome do engenheiro que montou, sozinho, este motor. Abaixo, o bom espaço interno do modelo cupê de quatro portas, uma mistura bem resolvida de esportivo e familiar

Motor oito cilindros em V, 5,5 litros, 32V, injeção direta, biturbo Transmissão manual automatizada, sete marchas, multidiscos, borboletas no volante, tração traseira Dimensões comp.: 5 m – larg.: 1,88 m – alt.: 1,41 m entre-eixos 2,874 m Porta-malas 520 litros Pneus 255/35 R19 (dianteira) – 285/30 R19 (traseira) Peso 1.870 kg Gasolina Potência 557 cv a 5.750 rpm Torque 81,6 kgfm de 2.000 a 4.500 rpm Vel. máxima 300 km/h (limitada) 0 – 100 km/h 4,3 segundos Consumo não disponível Consumo real cid.: 6,8 km/l – est.: 10,6 km/l (nos EUA)

Contra ponto

● Diferentemente de Douglas Mendonça, não fiquei incomodado com os sutis trancos do câmbio. Claro que seria melhor se não existissem, mas o sistema é muito rápido e se entende bem com o motor biturbo. Tão bom que, enquanto a maior parte dos fabricantes aposta em câmbios de dupla embreagem, a Mercedes decidiu que o MCT (multidiscos) equipará toda a linha AMG. Quanto à ousadia das linhas, pode mesmo ter diminuído – como disse nosso diretor – ainda assim, o CLS se destaca diante do conservadorismo de um Classe E ou de um Classe C. Em relação aos equipamentos, senti mais falta da partida sem chave do que do freio de mão elétrico. Não há dúvida de que o carro merecia os dois. Porém, depois de acelerar, para mim, esse CLS AMG poderia até ter manivelas para subir os vidros. Mas eu não pagaria por ele. Há algum tempo, optaria por um Porsche 911 GTS. Agora que meu filho nasceu, e preciso de mais espaço, ficaria com um C63 AMG, com o bom e velho V8 6.2 aspirado. Mais barato, leve e arisco.

Flavio R. Silveira | Editor Assistente

Os concorrentes

BMW X6 M

“Tem 2 cv a menos e custa quase o mesmo. Mas o espaço é limitado e a visibilidade é ruim para um crossover.”

Ana Flávia Furlan

Audi R8 4.2 V8

“Para que quatro portas e espaço traseiro? Pagaria mais 10% no R8, um cupê legítimo e com motor traseiro central.”

Roberto Assunção

Porsche Panamera

“Fico com o Panamera V6. Tem menos potência, é verdade. Mas quem se importa? É um Porsche! E ainda custa menos.”

Rafael Poci Déa

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