Fera indomável


Imagina um leão dormindo. Você chega perto, analisa o tamanho e dá um cutucão no bicho. Ele desperta e solta um urro que o deixa arrepiado. O Audi RS 5 Coupé é assim. Você senta no banco do motorista, pisa no freio e en a a chave na ignição. Imediatamente o motor V8 desperta, soltando um urro. Não é necessário virar a chave nem apertar o botão start/stop. Dá a impressão de que o RS 5 está avisando o motorista: cuidado, sou uma fera! 

Se este Audi fosse um leão, seu motor seria o coração. Com 4,2 litros de cilindrada, ele abriga a potência de 450 cavalos e tem a força de 43,7 kgfm. A tração é nas quatro pa… ops, rodas – o famoso sistema Quattro do fabricante alemão. Acoplado ao ótimo câmbio automatizado sequencial S tronic de sete velocidades, o RS 5 é um carro de corrida vestido de esportivo. Por isso, ele é bem calçado com enormes pneus de per l baixíssimo: 275/30 R20. O painel é um sonho, todo com acabamento em bra de carbono. Com ajustes elétricos e milimétricos do banco e do volante, a posição de dirigir é perfeita.

São muitos comandos para cuidar. No centro do painel, a tela multimídia mostra várias funções, que podem ser controladas por meio dos botões que cam no console: rádio, navegador, sistema de som, telefone e carro. Este último item permite con gurar o RS 5 de quatro formas: conforto, automático, dinâmico e individual. 

Convém começar pelo modo conforto. Nele, as suspensões são mais moles e a aceleração é limitada. No modo automático, o carro vai se con gurando sozinho, de acordo com a “tocada” do motorista – se ele percebe que você dirige tranquilamente, mantém o modo conforto, mas se você dirige mais esportivamente ele endurece as suspensões. No modo dinâmico, entretanto, o carro volta a ser uma fera. Aquele urro do despertar surge a cada acelerada, os ponteiros do conta-giros e do velocímetro sobem rapidamente, a suspensão ca superdura e o volante se torna pesado. Na aceleração, seu corpo é jogado para trás. É bom que não tenha tráfego, pois o RS 5 vira um bicho, anda muito, cumpre 0-100 km/h em 4,6 segundos, faz o motor “regurgitar” nas reduções de velocidade, como se estivesse pipocando, e dá pequenos trancos nas mínimas solicitações do acelerador – ele quer mais, ele pede mais, e você dá. No modo individual, você acerta o carro de acordo com seu gosto. 

O volante é um caso à parte. Revestido em couro com milhares de pequenos buracos, ele tem uma textura diferente dos outros volantes; sua mão gosta da sensação de segurá-lo. Só um pênalti: as borboletas do câmbio são um pouco curtas, de forma que a mão cansa quando passa muito tempo trocando as marchas dessa maneira. Mas não se engane: nos modos D (drive) e S (sport) o carro ca muito mais rápido do que no M (manual). Só pilotos pro ssionais bem treinados conseguiriam fazer trocas tão rápidas. Mesmo na con guração  inâmica/esportiva, os controles de tração e estabilidade ficam ligados. Não me arrisquei a desligar o sistema por não encontrar um local seguro para isso, pois a potência transferida para as rodas é tanta que o carro pode facilmente escapar do controle do motorista. 

Os atributos esportivos do RS 5 são tão grandes que você até esquece que está num carro muito luxuoso e confortável. Aliás, o fato de ter apenas duas portas é um fator de desconforto, pois sempre há alguma coisa para deixar no banco de trás. Fora isso, os itens de conveniência, conforto e segurança são inúmeros. Vai do ar-condicionado automático de três zonas até os airbags de cortina, passando pelos bancos de couro napa na estilo concha, pelo piloto automático, pelos faróis bixenônio adaptativos e pelo indicador de pressão dos pneus. Visualmente, o Audi RS 5 (que é originário do cupê A5) tem ponteira de escape fosca, spoiler traseiro elétrico, para-choques esportivos, compartimento do motor em bra de carbono e acabamento das soleiras das portas em alumínio. O RS 5 Coupé é um dos cinco membros da nervosa família RS da Audi, que equivale à linha AMG da Mercedes e à M da BMW, e nem é o mais caro. Os outros modelos são o RS 4 Avant (R$ 439.800), o RS 6 Avant (R$ 557.100), o RS 7 Sportback (R$ 589.360) e o RS Q3 (R$ 273.600). O único que aparece com vendas declaradas na Fenabrave é o RS 6 Avant, com 13 emplacamentos até junho. O Audi RS 5 Coupé custa R$ 449.800. Não é nada barato, mas, apesar do preço, comprá-lo pode ser bem mais fácil do que domá-lo.  

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