Fiat Toro vs. Renault Oroch: o duelo das versões flex

Dirigibilidade de automóvel de passeio. Boas dimensões externas e internas. Espaço para até cinco adultos. A versatilidade da caçamba. Essas são algumas das qualidades da Fiat Toro e da Renault Duster Oroch. Se você já desejou ter uma picape ou um utilitário bom para guiar na cidade, preste atenção nesses dois modelos intermediários – um meio termo entre as compactas (Fiat Strada, VW Saveiro e Chevrolet Montana) e as médias (Chevrolet S10, Ford Ranger, Toyota Hilux, VW Amarok etc.).

Antes, vamos ao seu bolso. A Fiat Toro Freedom 1.8 Flex custa R$ 76.500 e, além de ser mais cara, tem a maioria dos itens oferecidos como opcionais. A Duster Oroch Dynamique 2.0 começa em R$ 72.400 e é mais bem equipada de série. A grande inovação de ambas está no processo construtivo. A Toro e a Oroch usam carroceria monobloco, como os automóveis de passeio. A plataforma da picape Renault veio do Duster, porém, com mais partes estruturais para transformar a base do crossover numa picape. Suas medidas são maiores em relação ao Duster, com 37 cm a mais no comprimento e 15 cm a mais de distância entre-eixos.

Do outro lado, a Toro usa uma plataforma que partiu do Jeep Renegade, assegurando dimensões superiores às da rival – dessa forma, cinco adultos encontram mais espaço na Fiat Toro, que ainda tem isofix de série para a fixação de cadeirinhas infantis. E quem quiser pode optar pelo teto solar elétrico (R$ 3.630) na ampla lista de opcionais. O visual externo da Toro é mais descolado e atual, contudo o da Oroch transmite maior robustez. Essa diferença de desenho se estende ao interior. Uma vez dentro, a cabine da Toro Freedom é bem semelhante à do Renegade, exibindo requinte e melhor qualidade dos materiais, apesar de certa irregularidade.

Seguindo o visual externo sem “firulas”, a Oroch é mais rústica por dentro, com mais plásticos duros. A ergonomia da Renault Oroch peca por não trazer coluna de direção ajustável em profundidade (a Fiat Toro tem) e pela posição dos comandos elétricos dos retrovisores (embaixo do freio de estacionamento). Ambas têm central multimídia com tela sensível ao toque. Contudo, na Toro Freedom ela é opcional e a tela de apenas 5” destoa um pouco do restante da cabine. A da Oroch é de série com 7” e mais funcionalidades, como informações de trânsito, acesso às redes sociais, canais de música e funções Eco-Coaching e Eco-Scoring, que ensinam o motorista a dirigir de forma mais econômica.

A caçamba pode ser um fator decisivo de compra. Nesse quesito, a Toro sai na frente, pois comporta 820 litros ou 650 kg; na Oroch são os mesmos 650 kg, mas apenas 683 litros. O diferencial do modelo da Fiat sobre o da Renault está nas portas bipartidas que facilitam o acesso ao compartimento de cargas. Na Duster Oroch, a abertura da tampa é convencional e a peça, meio pesada. Tanto o utilitário da Fiat quanto o da Renault possuem quatro ganchos de amarração. A capota marítima é opcional nas duas versões avaliadas.
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Ambas têm motores 4 cilindros em linha. O bloco 1.8 da Toro é o conhecido E.torQ, mas atualizado com coletor de admissão variável VIS (Variable Intake System), novos dutos de aspiração e de escape, variador de fase no comando de válvulas e bomba de óleo variável. São 135/139 cv e 18,8/19,3 kgfm (gasolina/etanol). Esse propulsor 1.8 permitiu à picape ter uma dirigibilidade suave em trajetos urbanos. Ela roda a maior parte do tempo em giros baixos, cooperando no conforto acústico. Em subidas mais íngrimes, sente-se uma perda de fôlego.

O motor da Oroch tem cilindrada maior e seu 2.0 flex oferece 143/148 cv e 20,2/20,9 kgfm. Essa picape pesa apenas 70 kg a mais que o crossover Duster Dynamic. Ao volante aparecem rápidas reações e boa força nos baixos giros, auxiliado pelo câmbio manual de seis marchas (único disponível). Segundo a Renault, essa caixa sofreu um encurtamento na relação de todas as marchas. Ela traz o GSI (Gear Shift Indicator), que sugere qual o melhor momento de engatar ou de reduzir uma marcha. E para ajudar a poupar combustível, há também o botão EcoMode, que limita a potência e o torque do motor, além de reduzir a potência do ar-condicionado.

A Oroch é mais leve e possui relação peso/potência de 9,0 kg/cv contra 11,6 kg/cv da Toro. Assim, o modelo da Renault oferece uma dirigibilidade mais esperta. Mesmo assim, ela sai perdendo pela falta da comodidade do câmbio automático. A transmissão da Toro tem seis marchas e opção de trocas sequenciais pela alavanca ou pelas borboletas atrás do volante. Assim como o funcionamento suave de seu motor 1.8, essa caixa da Toro trabalha de maneira progressiva e pode até fazer reduções triplas para auxiliar nas ultrapassagens, por exemplo. A caixa de direção da Toro tem assistência elétrica e é bem leve ao esterço.

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Já a da Oroch ainda é hidráulica, mas seu raio de giro de 11,4 m é melhor que o da Fiat, com 12,2 m, o que se traduz em melhor capacidade de manobras. Tanto a Toro quanto a Oroch usam rodas aro 16 – de aço na primeira e de liga leve na segunda (uma vantagem estética da Renault). As suspensões são capítulos à parte. Dotadas de sistema multi-link na traseira, elas oferecem uma condução aguçada, típica de crossovers, com boa dinâmica e bom controle de carroceria ao contornar curvas e ao absorver as irregularidades do piso. Ainda assim, o conjunto da Toro é mais bem resolvido e lembra um carro de passeio.

As duas novidades inauguram um novo segmento no País. É verdade que a Duster Oroch foi a pioneira. Contudo, a Toro é a vencedora desse comparativo por contar com transmissão automática e pelo conjunto mais harmonioso. Além disso, ela traz itens inexistentes na rival, como assistente de partida em rampas e controles eletrônicos de estabilidade e de tração de série. Dinamicamente, ela ganha da Oroch mesmo tendo preço inicial superior e a maior parte dos itens oferecidos em pacotes opcionais. Mas isso, numa compra, pode fazer a diferença a favor da Renault.

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