Filhos rebeldes

FIAT PUNTO T-JET R$ 59.500

CITROËN C4 VTR R$ 60.160

Dois carros com propostas parecidas, mas receitas distintas. Ambos são versões esportivas de modelos convencionais, mas o C4 VTR se diferencia dos demais C4 principalmente pela carroceria, enquanto o Punto traz, além de mudanças visuais, um acerto mecânico diferenciado e o motor mais potente da linha, só disponível nessa versão. Externamente é difícil dizer qual oferece mais agressividade. O Citroën é um cupê de desenho incomum.

Os faróis em formato de bumerangue, que causaram surpresa quando foram lançados, já não são mais uma novidade para os brasileiros porque estão presentes na versão sedã, C4 Pallas, e no C4 hatch quatro portas, recentemente apresentado no Brasil. O que chama mesmo a atenção são as linhas fluidas que assumem uma curva descendente a partir da coluna B e fazem com que o teto avance em uma curiosa extensão da janela traseira.

O carro parece estar em constante movimento, mesmo quando estacionado. Parece sempre pronto a levantar voo. Há quem o ache horroroso, há quem o adore. Mas ninguém passa impunemente pelo VTR, sem aquela indiscreta viradinha de cabeça.

O design já esportivo do Punto ficou ainda mais agressivo nessa versão

O interior do Punto é acolhedor em parte pelos bancos, parcialmente forrados em couro e com abas que seguram bem o corpo. O pacote de itens é recheado, mas o ar digital é um dos opcionais (são apenas cinco). Difícil mesmo vai ser o proprietário não enjoar do painel emborrachado na cor da carroceria

As linhas inovadoras acabam trazendo inconvenientes. As colunas formam pontos cegos e a janela traseira limita a visão a partir do retrovisor. As portas enormes e pesadas carecem de muito espaço lateral para sua completa abertura e quem vai na frente precisa caçar o cinco de segurança, fixado lá na distante coluna B.

Já o espaço interno é excelente, mesmo para quem vai atrás e o motorista, independentemente da altura, encontra fácil a melhor posição. O Punto não é tão exótico, mas é belo e também transpira esportividade. Os faróis lembram os de um Maserati e formam um conjunto harmônico com as lanternas traseiras altas.

Nessa versão T-Jet seu visual ficou ainda mais apimentado, com a adoção de novos para-choques (do Punto Abarth), faróis com máscara negra, lanternas com bordas escurecidas, para-lamas com moldura preta, minissais, aerofólio, ponteira de escapamento dupla e rodas exclusivas. Internamente, o Punto não tem tanto espaço, mas tem acesso mais fácil por oferecer as portas traseiras.

O painel do C4 é um show à parte. As informações ficam reunidas no centro e estão disponíveis para motorista e passageiro. O visor é translúcido e deixa passar a luz do ambiente. O som é digital e bizone, mas o bluetooth, de série no Punto, aqui é opcional

O motorista demora um pouco mais para encontrar uma posição ideal, mas quando consegue sentese confortável e acolhido. Os bancos, parcialmente revestidos em couro e com abas laterais, seguram bem o corpo e o painel pintado na cor da carroceria (vermelha, preta, amarela ou branca) ajuda a criar a sensação de cockpit desejada pelos marqueteiros.

O Punto oferece o motor mais potente. Uma unidade 1.4 com turbo e intercooler que gera 152 cv de potência a 5.500 rpm e oferece o bom torque de 21,1 kgfm a partir das 2.250 rpm. A ideia de sobrealimentar esse propulsor foi para tirar desempenho de um motor pequeno, aliando alta potência a baixo consumo de combustível. É o moderno conceito do downsizing.

Na prática, funciona. A entrada do turbo é progressiva e silenciosa (até demais, o ronco poderia ser um tantinho mais acentuado) e praticamente sem trancos. Um motorista desavisado jamais perceberia que o carro tem um motor de tão baixa cilindrada. A não ser nas retomadas em segunda marcha, aquelas típicas de lombadas. Nesse momento, em que a redução da marcha se faz necessária, a lacuna fica clara.

O volante com o centro fixo, presente em toda a família C4, é prático e charmoso, mas os botões em excesso podem confundir

As linhas exóticas do cupê dividem as opiniões dos consumidores

Roda aro 17 exclusiva, novos para-choques, ponteria de escape dupla e cromada, faróis máscara negra e minissaias são algumas das mudanças visíveis do Punto T-Jet. Mas a receita esportiva vai além disso e oferece suspensão retrabalhada, motor turbo exclusivo (o mesmo do Linea) e novas relações de marchas

No mais, o Punto anda com esportividade, mostra ânimo nas reduzidas e empolga. Uma quinta marcha de relação mais curta garante que o motor trabalhe mais cheio, mas faz com que se sinta falta de uma sexta velocidade, quando o motor começa a gritar na estrada.

 

Os engates do câmbio ficaram mais justos e a embreagem mais pesada, o que não chega a incomodar. Com motor 2.0 de 143 cv a 6.000 rpm, o C4 VTR é, curiosamente, o menos potente da linha. É que o sedã e o hatch já dispõem da tecnologia flex, o que aumentou sua cavalaria para 151 cv. Com 20,4 kgfm a 4.000 rpm, o motor do Citroën é bastante elástico.

Apesar de se diferenciar na carroceria, a versão esportiva VTR é a menos potente da família C4. Ainda assim, seu motor de 143 cv enfrenta com bravura o 1.4 Fire turbo (feito pela FPT Powertrain Technologies) que equipa o Punto. Mas o carro tem pneu de perfil não adequado à proposta esportiva

É mais lento na aceleração que o Punto (zero a 100 km/h em 9,2 segundos, contra 8,4 segundos do Fiat), mas tem força disponível em todas as faixas de rotação, o que deixa o ato de dirigir mais agradável, apesar de não empolgar. Na máxima, o C4 vence o Punto: 207 km/h, contra 203 km/h do rival. Nessa versão turbinada, a suspensão do Punto foi retrabalhada. Tem molas 17% menos flexíveis na dianteira e 8% na traseira e duas barras estabilizadoras (dianteira 1 mm mais grossa).

Os pneus são 205/50 R17, de perfil baixo, que contribuem para a melhora nas reações do carro, apesar de sacrificarem o conforto. Sim, o Punto está menos confortável para rodar na cidade, mas sua rispidez não chega perto dos modelos esportivos de berço, como o Civic SI. A contrapartida é que o hatch ficou mais capaz de contornar curvas sem derrapagens e sem que a carroceria incline demais.

No C4 VTR, apesar de a suspensão também não ser macia, a opção não parece ter sido foi pela esportividade. Faz curvas com eficiência, mas inclina mais e desgarra com mais facilidade, comparado ao rival. Culpa também da adoção de pneus de perfil mais alto (195/65 R15), que deixam o carro com reações mais lentas e menos colado ao chão.

O Punto sai por R$ 59.500 e o C4 VTR, R$ 60.160. Ambos têm razões que motivam a compra, mas o VTR tem um volume de vendas que não justifica os custos para a adoção do motor flex, o que complica a vida do modelo por ter o motor mais fraco da linha. Ou seja, o futuro dessa versão é uma incógnita. De qualquer forma, como versão esportiva, o Punto convence mais.

 

 

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