O financiamento de veículos fechou 2025 no maior nível em 14 anos no Brasil. Ao todo, 7,3 milhões de unidades foram financiadas ao longo do ano, segundo levantamento da B3, a bolsa do Brasil. O volume representa crescimento de 2% em relação a 2024 e confirma o terceiro ano consecutivo de alta no crédito automotivo. 

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Real Moeda brasileira – Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O avanço foi puxado principalmente pelas regiões Nordeste e Norte, que registraram altas de 12,3% e 9,8%, respectivamente. Em números absolutos, porém, Sudeste e Sul seguem concentrando a maior parte das operações. Juntas, respondem por pouco mais de 62% de todos os financiamentos realizados no país. 

Visão micro

Os veículos usados continuam liderando o mercado. Em 2025, foram 4,6 milhões de unidades financiadas, contra 2,6 milhões de veículos novos, considerando automóveis leves, pesados e motocicletas. No recorte regional, o Sudeste manteve a liderança, com 41,9% do total de financiamentos. Na sequência aparecem o Sul, com 20,2%, o Nordeste, com 19,5%, o Centro-Oeste, com 10,6%, e o Norte, com 7,9%.

IPVA 2026 em SP
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

As motocicletas também tiveram um ano forte. Foram 1,9 milhão de unidades financiadas em 2025, alta de 11,3% na comparação com 2024. São Paulo lidera esse mercado, com 18% das operações, seguido por Pará e Minas Gerais. 

Financiamento de veículos: quanto custa? 

Apesar do recorde de operações, o custo do financiamento segue elevado. Dados do Banco Central mostram que, em novembro de 2025, a taxa média de juros para pessoas físicas ficou em 26,61% ao ano, o equivalente a cerca de 1,99% ao mês. Para pessoas jurídicas, os percentuais são menores, mas ainda pesados: 18,68% ao ano ou aproximadamente 1,44% ao mês. 

IPVA 2026
Carro e moedas – Foto: Freepik

Nessa toada, isso significa que um financiamento de R$ 60 mil em 48 meses pode facilmente terminar com um valor total pago bem acima dos R$ 90 mil, a depender da instituição financeira, do perfil do cliente e do prazo escolhido. Quanto maior o número de parcelas, maior o impacto dos juros no custo final do veículo. 

Para ilustrar esse impacto no bolso, vale um exemplo prático com a Fiat Strada, o carro mais vendido do Brasil. Considerando um preço de R$ 125 mil, entrada de 20% (R$ 25 mil) e financiamento de R$ 100 mil em 48 meses, com taxa média de 1,99% ao mês para pessoa física, a parcela ficaria próxima de R$ 3.200. Ao fim do contrato, o valor total pago ultrapassa R$ 153 mil, ou seja, mais de R$ 28 mil apenas em juros, sem considerar tarifas adicionais que podem ser cobradas pelas instituições financeiras. 

Fiat Strada Freedom CD - Foto: Fiat/divulgação
Fiat Strada Freedom CD – Foto: Fiat/divulgação

Parcelamento varia conforme a marca

Os prazos de financiamento mudam de acordo com a política de cada montadora. A Ford, por exemplo, por meio do programa Ford Sempre, costuma limitar o parcelamento em até 48 meses. Já a Fiat trabalha com condições mais flexíveis, com contratos que podem variar de 36 a 72 meses, dependendo do perfil do cliente e do valor da entrada. A Chevrolet, com o programa Chevrolet Sempre, oferece prazos de 24, 36 ou 48 meses, enquanto a Volkswagen, via Volkswagen Financial Services, permite financiamentos convencionais em até 60 parcelas.

Concessionária VW Brasilwagen em SP – Foto: divulgação

Valor da entrada

Antes de chegar às parcelas, entra em cena o valor de entrada. Em geral, as instituições financeiras exigem ao menos 10% do valor do veículo, embora o mais comum seja uma entrada entre 20% e 30%. Esse é o patamar praticado, por exemplo, pela Fiat e por Ford e Chevrolet, respectivamente, e que ajuda a reduzir tanto o valor das parcelas quanto o custo final do financiamento.