14/04/2026 - 14:00
O mercado automobilístico brasileiro começou 2026 em alta velocidade. Segundo dados da Trillia, unidade de negócios da B3, o país registrou 1,89 milhão de veículos financiados apenas nos primeiros três meses do ano.
O número não é apenas uma estatística positiva; ele representa o melhor desempenho de financiamentos para um primeiro trimestre desde 2008, superando crises e consolidando uma retomada robusta do setor.
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O mapa do crescimento
A confiança no crédito se espalhou por todo o país, mas algumas regiões e categorias aceleraram mais forte. O Nordeste foi o grande motor desse crescimento, com uma alta de 16,6%, seguido de perto pelo Centro-Oeste.
No que diz respeito ao tipo de veículo, as motos foram o destaque absoluto de expansão, com um salto de 18,1% nas vendas financiadas. Já no volume total, os carros usados continuam sendo a preferência nacional, somando 1,21 milhão de unidades negociadas, enquanto os veículos zero-quilômetro também mostraram força com uma alta de 14,1%.
Março histórico para o financiamento
Se o trimestre foi sólido, o mês de março foi extraordinário. Foram 703 mil unidades financiadas em apenas 31 dias — o melhor resultado mensal desde agosto de 2011. Esse “boom” foi impulsionado por um aumento na oferta de crédito e uma demanda represada que encontrou vazão tanto nos modelos novos quanto nos seminovos.
Para Daniel Takatohi, superintendente da Trillia, os números mostram uma expansão consistente e espalhada, reforçando uma trajetória favorável que deve se manter ao longo do ano.

O bolso do consumidor: preços em movimento
O aquecimento do mercado trouxe reflexos nos preços. De acordo com a Tabela Auto B3, março marcou uma leve alta nos valores de transação, especialmente para os veículos novos (0 km), que subiram em média 0,86%. O movimento indica que as montadoras estão reduzindo as campanhas promocionais diante da demanda equilibrada em segmentos como SUVs e picapes.
Já para quem busca um usado, a notícia é de maior tranquilidade. Os preços no mercado secundário ficaram praticamente estáveis, com uma oscilação marginal de 0,18%. Isso mostra que, apesar da alta procura, o setor de seminovos vive um momento de acomodação, sendo uma alternativa estratégica para quem quer fugir da recomposição de preços dos modelos novos.

