A Ford tem um elefante branco na garagem há anos, e ele pode finalmente atravessar a fronteira. Falo do Everest, o grande SUV de sete lugares derivado da Ranger, que possivelmente está na lista de lançamentos da marca para o Brasil. Porém, por questões tributárias, ele não deverá vir da Argentina, tal qual a Ranger: a grande aposta vai para a importação diretamente da Tailândia, de onde a Ford já traz a Ranger Raptor.  

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Ford Everest – Foto: divulgação

Para quem não o conhece, o Everest é para a Ranger o que o SW4 é para a Hilux, o Trailblazer para a S10 e o Pajero Sport para a L200. Ou seja, mesma base de picape, porém com carroceria fechada, três fileiras de bancos e foco em conforto familiar sem abrir mão do uso fora de estrada. 

Ford Everest – Foto: divulgação

E não se trata de um novato. O Everest já está em sua terceira geração e existe há mais de 20 anos em mercados da Ásia e Oceania. A boa notícia é que a geração atual é a mesma da Nova Ranger vendida no Brasil, o que facilitaria adaptações técnicas e adequações para as vendas locais. Compartilha motor, chassi, suspensões, direção, freios, transmissão, tração, acabamentos e vários outros itens com a picape.  

Ford Everest – Foto: divulgação

Produção e estratégia regional 

Os Everest já são vendidos na Argentina há quase 1 ano. Os exemplares oferecidos aos hermanos são trazidos de Rayong, na Tailândia, ao lado da Ranger Raptor. Esse deverá ser o caminho trilhado também pela Ford do Brasil para vender o modelo por aqui: basta trazer alguns lotes extras do Everest nos navios, e trazê-los ao solo nacional. 

Ford Everest – Foto: divulgação

Tudo isso faz sentido comercialmente: a Ranger é vice-líder entre as picapes médias no país, e há espaço para um SUV grande baseado nela, especialmente num segmento em que Toyota domina com o SW4. Além disso, a chegada do modelo casa perfeitamente com a série de novidades prometidas pela Ford para o mercado nacional, com 20 lançamentos até 2027. 

Ford Everest – Foto: divulgação

Everest tem tamanho de respeito 

O Everest é grande até para os padrões do segmento. São mais de 4,90 m de comprimento, 1,92 m de largura, 1,84 m de altura e 2,90 m de entre-eixos — maior que o SW4 em várias medidas. Seu porta-malas impressiona: quase 900 litros com cinco lugares em uso e cerca de 260 litros com as três fileiras montadas. É um número competitivo para quem viaja com família e bagagem. 

Ford Everest – Foto: divulgação

Tecnicamente, ele mantém a fórmula “raiz” do segmento: carroceria sobre chassi de longarinas (escada), o que privilegia robustez e uso fora de estrada em vez de conforto típico de SUVs monobloco.  

O que muda em relação à Ranger 

Visualmente, a dianteira é muito parecida com a da picape, com diferenças pontuais no para-choque e detalhes de acabamento. Da coluna B para trás, porém, tudo muda: surge um SUV grande, fechado, com linhas próprias e personalidade distinta. 

Ford Everest – Foto: divulgação

Mecanicamente, há pontos em comum e diferenças importantes: tanque de combustível de 80 litros igual ao da Ranger, e suspensão dianteira de duplo A como na picape, por exemplo. Porém, na traseira, sai o feixe de molas e entra um eixo rígido com molas helicoidais, solução mais confortável e estável para uso familiar. Freios a disco nas quatro rodas e direção elétrica com assistência variável estão no pacote.  

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Motor e desempenho esperado 

Para o Brasil, a aposta lógica é o V6 turbodiesel 3.0, o mesmo conjunto já usado na Ranger topo de linha: 250 cv e 61,2 mkgf de torque, com câmbio automático de 10 marchas. Na picape, esse motor vem sempre com tração 4×4 com reduzida — e é praticamente certo que o Everest seguiria o mesmo padrão. 

Ford Everest – Foto: divulgação

Como o SUV é cerca de 250 kg mais pesado que a Ranger V6, dá para projetar um 0 a 100 km/h em torno de 9,5 segundos e velocidade máxima próxima de 185 km/h. Nada esportivo, mas muito bom para um utilitário desse porte. 

Equipamentos e versão provável 

Ford Everest – Foto: divulgação

Se vier importado, o cenário mais provável é uma versão única, topo de linha, como já acontece com outros utilitários da Ford por aqui. Na Argentina, a configuração escolhida foi a Titanium, que fica um degrau abaixo da Limited da Ranger, mas ainda muito completa.  

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Por lá, o pacote inclui, entre outros itens: painel digital de 12,4”, multimídia vertical de 12”, rodas aro 20 com pneus de uso misto, câmeras 360º, ar-condicionado digital dual zone, bancos dianteiros elétricos e aquecidos, terceira fileira com rebatimento elétrico, teto solar panorâmico, iluminação ambiente em LED, porta-luvas refrigerado, carregador de celular sem fio, tampa do porta-malas elétrica, entre outros.  

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Ford Everest: quanto custaria no Brasil? 

Ainda é cedo para cravar preço, mas esperar algo abaixo de R$ 400 mil é praticamente impossível. Para referência, o Chevrolet Trailblazer High Country custa R$ 420 mil, enquanto o Toyota SW4 varia entre R$ 418 mil e R$ 476 mil, dependendo da versão. O Everest, se vier completo, provavelmente brigaria nesse mesmo patamar — talvez um pouco acima, dependendo de impostos e estratégia da Ford. 

Ford Everest
Ford Everest – Foto: divulgação