À 1h da manhã de domingo, 8 de março, será dada a largada para o GP da Austrália, abrindo oficialmente a temporada 2026 da Fórmula 1. O campeonato terá 24 etapas, começando em Melbourne e terminando em Abu Dhabi, no dia 6 de dezembro. Mas o grande assunto do ano não é o calendário. São os carros.

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Audi R26 Concept de Fórmula 1
Audi R26 Concept (Foto: divulgação)

Maior revolução desde 1950

A Fórmula 1 de 2026 não tem absolutamente nada a ver com a de 2025. As mudanças no regulamento técnico foram tão profundas que muitos afirmam que a categoria não passava por uma transformação desse porte desde sua criação, em 1950.

O piloto britânico da Mercedes, George Russell, dirige durante a terceira sessão de treinos livres antes do Grande Prêmio de Fórmula 1 de Abu Dhabi em 2025 (GIUSEPPE CACACE / AFP)

Os carros são totalmente novos. Tudo o que as equipes aprenderam ao longo dos últimos anos praticamente deixou de servir. Os modelos estão 20 cm mais curtos no entre-eixos, 10 cm mais estreitos e cerca de 30 kg mais leves. Os pneus também ficaram mais estreitos, mantidas as rodas aro 18.

Protótipo de carro de Fórmula 1 para 2026 – Foto: FIA/divulgação

Na aerodinâmica, a revolução é evidente. As asas dianteiras e o aerofólio traseiro agora alteram automaticamente o ângulo de ataque: reduzem o arrasto nas retas e aumentam a pressão aerodinâmica nas curvas. O resultado é um carro capaz de atingir altas velocidades em linha reta e contornar curvas com ainda mais eficiência. Tudo pensado para elevar o desempenho.

Carro de Fórmula 1 da Cadillac 2026 – Foto: divulgação

Motor híbrido na Fórmula 1 2026

No conjunto motriz, os motores continuam sendo V6 1.6 litro biturbo, acoplados a câmbio mecânico de oito marchas com relações fixas definidas no início da temporada. A grande mudança está no combustível: ele deixa de ser derivado do petróleo e passa a ser produzido a partir de biomassa ou carbono capturado da atmosfera.

Fórmula 1 Aston Martin 2026 – Foto: divulgação

O mais interessante é que esse combustível poderá ser utilizado em veículos de rua. Ou seja, a Fórmula 1 pode estar ajudando a desenvolver alternativas reais para o futuro dos motores a combustão. Vale lembrar que o etanol brasileiro, derivado de biomassa, pode fazer parte dessa nova matriz energética.

A eletrificação, porém, é o ponto mais radical do novo regulamento. Em 2025, o motor elétrico representava cerca de 160 cv, enquanto o V6 respondia por quase 800 cv. Agora, a divisão é praticamente meio a meio: metade da potência virá do motor a combustão e a outra metade de um motor elétrico de aproximadamente 475 cv (350 kW). A potência combinada gira em torno de 1.000 cv: cerca de 500 cv do V6 e outros 500 cv do sistema elétrico.

Fórmula 1 Cadillac 2026 – Foto: divulgação

Para sustentar isso, as baterias dos carros da Fórmula 1 cresceram significativamente em capacidade. A recarga ocorre por meio de sistemas regenerativos nas frenagens e pela energia gerada pelo próprio motor a combustão, com apoio de capacitores que transferem rapidamente a carga para a bateria ao longo da corrida.

Fórmula 1 Cadillac 2026 – Foto: divulgação

Mais trabalho aos pilotos

Esse cenário, de conjuntos híbridos mais densos, traz um novo desafio aos pilotos. Além de administrar pneus, estratégias e disputas roda a roda, agora é essencial ser também um bom gestor de energia, já que o controle da carga da bateria e o uso inteligente da potência elétrica podem definir o desempenho em cada volta.

Protótipo de carro de F1 para 2026 – Foto: FIA/divulgação

Não será tarefa simples, especialmente para os pilotos mais experientes, formados em uma era na qual a preocupação principal era extrair desempenho puro do carro. Hoje, o piloto precisa interagir intensamente com a tecnologia. É provável que os mais jovens se adaptem com maior facilidade a essa nova realidade.

Resultados dos primeiros testes

Nos testes encerrados em 20 de fevereiro, no Bahrein, alguns nomes chamaram atenção. O jovem Antonelli, da Mercedes, e o brasileiro Bortoleto, que estreia pela Audi, mostraram boa adaptação aos novos carros. A Ferrari terminou os testes com o melhor tempo, marcado por Leclerc, utilizando soluções aerodinâmicas inovadoras que praticamente “invertem” a asa traseira nas retas, reduzindo arrasto, e a reposicionam nas curvas para máxima eficiência. Mais ou menos como uma colher que muda de posição conforme o uso.

Audi R26 Concept
Audi R26 Concept (Foto: divulgação)

A Mercedes foi consistente ao longo dos dias, sempre próxima da Ferrari. Como todos partiram praticamente do zero com esse regulamento, houve uma equiparação natural entre as equipes. Enquanto isso, a Audi, com Bortoleto, fechou o último dia de testes em sexto lugar, um resultado bastante promissor para uma equipe que está iniciando sua trajetória na Fórmula 1.

Audi R26 Concept
Audi R26 Concept (Foto: divulgação)

Hamilton, na outra Ferrari, ficou alguns décimos atrás de Leclerc e reclamou do excesso de controles e ajustes que o piloto precisa administrar durante a corrida. A Red Bull, agora com unidade de potência desenvolvida em parceria com a Ford, esteve entre as quatro primeiras e afirmou que prefere pilotar ao invés de simplesmente gerenciar energia. Uma declaração que resume bem o espírito competitivo da equipe. A decepção dos testes ficou com a Aston Martin, que passou a utilizar motores Honda e enfrentou diversos problemas técnicos, provocando interrupções frequentes.

Fórmula 1 da Red Bull para 2026 – Foto: divulgação

Grid maior

Além da Audi, a grande estreia na Fórmula 1 2026 é a equipe americana Cadillac. Com essas, o grid passa a contar com 22 carros. Inicialmente, a Cadillac utilizará unidade de potência Ferrari, mas sem acesso às soluções aerodinâmicas da equipe italiana.

Fórmula 1 Cadillac 2026 – Foto: divulgação

Agora resta esperar a madrugada de 8 de março para vermos, na prática, essa nova Fórmula 1: mais tecnológica, mais elétrica e talvez mais complexa do que nunca. A disputa não será apenas por quem é o piloto mais rápido, mas por quem consegue fazer toda essa engenharia funcionar da maneira mais eficiente possível.