21/02/2026 - 17:00
À 1h da manhã de domingo, 8 de março, será dada a largada para o GP da Austrália, abrindo oficialmente a temporada 2026 da Fórmula 1. O campeonato terá 24 etapas, começando em Melbourne e terminando em Abu Dhabi, no dia 6 de dezembro. Mas o grande assunto do ano não é o calendário. São os carros.
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Maior revolução desde 1950
A Fórmula 1 de 2026 não tem absolutamente nada a ver com a de 2025. As mudanças no regulamento técnico foram tão profundas que muitos afirmam que a categoria não passava por uma transformação desse porte desde sua criação, em 1950.

Os carros são totalmente novos. Tudo o que as equipes aprenderam ao longo dos últimos anos praticamente deixou de servir. Os modelos estão 20 cm mais curtos no entre-eixos, 10 cm mais estreitos e cerca de 30 kg mais leves. Os pneus também ficaram mais estreitos, mantidas as rodas aro 18.

Na aerodinâmica, a revolução é evidente. As asas dianteiras e o aerofólio traseiro agora alteram automaticamente o ângulo de ataque: reduzem o arrasto nas retas e aumentam a pressão aerodinâmica nas curvas. O resultado é um carro capaz de atingir altas velocidades em linha reta e contornar curvas com ainda mais eficiência. Tudo pensado para elevar o desempenho.

Motor híbrido na Fórmula 1 2026
No conjunto motriz, os motores continuam sendo V6 1.6 litro biturbo, acoplados a câmbio mecânico de oito marchas com relações fixas definidas no início da temporada. A grande mudança está no combustível: ele deixa de ser derivado do petróleo e passa a ser produzido a partir de biomassa ou carbono capturado da atmosfera.

O mais interessante é que esse combustível poderá ser utilizado em veículos de rua. Ou seja, a Fórmula 1 pode estar ajudando a desenvolver alternativas reais para o futuro dos motores a combustão. Vale lembrar que o etanol brasileiro, derivado de biomassa, pode fazer parte dessa nova matriz energética.
A eletrificação, porém, é o ponto mais radical do novo regulamento. Em 2025, o motor elétrico representava cerca de 160 cv, enquanto o V6 respondia por quase 800 cv. Agora, a divisão é praticamente meio a meio: metade da potência virá do motor a combustão e a outra metade de um motor elétrico de aproximadamente 475 cv (350 kW). A potência combinada gira em torno de 1.000 cv: cerca de 500 cv do V6 e outros 500 cv do sistema elétrico.

Para sustentar isso, as baterias dos carros da Fórmula 1 cresceram significativamente em capacidade. A recarga ocorre por meio de sistemas regenerativos nas frenagens e pela energia gerada pelo próprio motor a combustão, com apoio de capacitores que transferem rapidamente a carga para a bateria ao longo da corrida.

Mais trabalho aos pilotos
Esse cenário, de conjuntos híbridos mais densos, traz um novo desafio aos pilotos. Além de administrar pneus, estratégias e disputas roda a roda, agora é essencial ser também um bom gestor de energia, já que o controle da carga da bateria e o uso inteligente da potência elétrica podem definir o desempenho em cada volta.

Não será tarefa simples, especialmente para os pilotos mais experientes, formados em uma era na qual a preocupação principal era extrair desempenho puro do carro. Hoje, o piloto precisa interagir intensamente com a tecnologia. É provável que os mais jovens se adaptem com maior facilidade a essa nova realidade.
Resultados dos primeiros testes
Nos testes encerrados em 20 de fevereiro, no Bahrein, alguns nomes chamaram atenção. O jovem Antonelli, da Mercedes, e o brasileiro Bortoleto, que estreia pela Audi, mostraram boa adaptação aos novos carros. A Ferrari terminou os testes com o melhor tempo, marcado por Leclerc, utilizando soluções aerodinâmicas inovadoras que praticamente “invertem” a asa traseira nas retas, reduzindo arrasto, e a reposicionam nas curvas para máxima eficiência. Mais ou menos como uma colher que muda de posição conforme o uso.

A Mercedes foi consistente ao longo dos dias, sempre próxima da Ferrari. Como todos partiram praticamente do zero com esse regulamento, houve uma equiparação natural entre as equipes. Enquanto isso, a Audi, com Bortoleto, fechou o último dia de testes em sexto lugar, um resultado bastante promissor para uma equipe que está iniciando sua trajetória na Fórmula 1.

Hamilton, na outra Ferrari, ficou alguns décimos atrás de Leclerc e reclamou do excesso de controles e ajustes que o piloto precisa administrar durante a corrida. A Red Bull, agora com unidade de potência desenvolvida em parceria com a Ford, esteve entre as quatro primeiras e afirmou que prefere pilotar ao invés de simplesmente gerenciar energia. Uma declaração que resume bem o espírito competitivo da equipe. A decepção dos testes ficou com a Aston Martin, que passou a utilizar motores Honda e enfrentou diversos problemas técnicos, provocando interrupções frequentes.

Grid maior
Além da Audi, a grande estreia na Fórmula 1 2026 é a equipe americana Cadillac. Com essas, o grid passa a contar com 22 carros. Inicialmente, a Cadillac utilizará unidade de potência Ferrari, mas sem acesso às soluções aerodinâmicas da equipe italiana.

Agora resta esperar a madrugada de 8 de março para vermos, na prática, essa nova Fórmula 1: mais tecnológica, mais elétrica e talvez mais complexa do que nunca. A disputa não será apenas por quem é o piloto mais rápido, mas por quem consegue fazer toda essa engenharia funcionar da maneira mais eficiente possível.
