10/01/2026 - 16:00
Havia décadas que a Fórmula 1 não passava por mudanças tão profundas em seu regulamento. As novas determinações da FIA, a Federação Internacional de Automobilismo, praticamente recriaram a F1 como a principal categoria do automobilismo mundial. Quando comparados aos carros que disputaram o campeonato de 2025, os novos bólidos enquadrados no regulamento de 2026 representam, na prática, uma nova Fórmula 1.
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Tudo foi alterado. A Fórmula 1 2026, em termos práticos, recomeça do zero e, neste início de temporada, não há equipes superiores às outras. Todas trabalham em projetos inéditos, que exigem desenvolvimento intenso e estudos aprofundados sobre o comportamento dinâmico dessas novas máquinas.
Os novos carros de Fórmula 1
No dimensionamento, os carros da Fórmula 1 2026 serão 10 cm mais estreitos e terão uma distância entre-eixos 20 cm menor. Na prática, isso significa máquinas ligeiramente menores e mais ágeis, principalmente em circuitos estreitos e repletos de curvas, como Mônaco.

Pistas onde as ultrapassagens eram difíceis por causa do tamanho exagerado dos carros anteriores tendem a se tornar mais favoráveis a disputas. Além disso, agora não apenas a asa traseira será móvel: as asas dianteiras também terão movimento, permitindo maiores velocidades nas retas e máxima pressão aerodinâmica nas curvas.
Nos motores, as mudanças são ainda mais profundas. O motor de combustão interna, antes um V6 1.6 turbo com cerca de 850 cv, ficará mais contido e passará a gerar aproximadamente 530 cv. A grande novidade é o combustível. Não será mais permitida a gasolina derivada do petróleo. O motor deverá funcionar com combustível sintético, criado em laboratório a partir de CO₂ capturado da atmosfera ou de matéria orgânica em decomposição.

Esse novo sistema praticamente não emite CO₂. Para compensar a redução da potência térmica, o regulamento prevê um novo motor elétrico, agora com cerca de 480 cv. Somadas, as potências devem resultar em números semelhantes aos dos carros da Fórmula 1 do ano passado.
O objetivo desse novo conjunto é usar a Fórmula 1 como laboratório para os motores de combustão do futuro, fazendo frente à expansão dos elétricos. Com um motor térmico que praticamente não polui o meio ambiente, a vida útil da combustão interna pode ser prolongada, enquanto toda a cadeia produtiva de combustíveis se adapta à produção do combustível sintético. Um cenário bastante interessante. Além disso, com o motor a combustão acionando um gerador para carregar as baterias, ele trabalha em altos giros praticamente o tempo todo, inclusive nas curvas, garantindo energia constante para o motor elétrico, responsável por quase 50% da potência total do carro.

Novos parâmetros de direção
Nem é preciso dizer que os novos carros de 2026 vão mudar radicalmente a pilotagem. O piloto, além de focar na estratégia da corrida, será obrigado a gerenciar essa nova geringonça tecnológica. Nos simuladores, onde treinam de forma ininterrupta, muitos já reclamam de instabilidades quando, ao mesmo tempo, os sistemas eletrônicos alteram os ângulos de ataque das asas dianteira e traseira. Mas a dificuldade será a mesma para todos, o que tende a equilibrar o nível entre equipes e pilotos. Pelo menos em teoria, o campeonato de 2026 começa com forças bastante niveladas.

Equipes: mais mudanças
Duas novas equipes também fortalecem o grid. A antiga Sauber, do piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, se transforma na poderosa Audi, que, assim como as rivais, parte praticamente do zero, com tecnologia própria totalmente nova. Outra novidade é a equipe Cadillac, que estreia com dois carros e, inicialmente, utilizará unidades de potência da Ferrari. A Honda, que fornecia motores à Red Bull, passa agora a equipar a Aston Martin.

Já a Red Bull estreia uma nova unidade de potência desenvolvida pela Ford, que retorna à Fórmula 1 após muitas décadas fora da categoria. Vale lembrar que a Ford, com o lendário motor Cosworth V8, praticamente dominou a F1 da segunda metade dos anos 60 por toda a década de 70.
Na TV, outra emissora
Até mesmo as transmissões televisivas vão mudar. Até o ano passado, as corridas eram exibidas de forma exemplar pela Band, com cobertura de treinos e provas, sempre acompanhadas por comentários especializados. Agora, a transmissão ficará a cargo da Globo que, se repetir o modelo do passado, pode oferecer uma cobertura mais limitada, restrita apenas às corridas, sem treinos e sem análises mais profundas.

Tudo é novo na Fórmula 1 de 2026. Resta aguardar o dia 8 de março, quando, à 1h da manhã de sábado para domingo, será dada a largada para o GP da Austrália. Será curioso observar o comportamento desses novos carros e a adaptação dos pilotos a tantas mudanças tecnológicas.
