Futuro do câmbio

MERIVA PREMIUM EASYTRONIC R$ 57.114

A Chevrolet venceu a corrida. Foi a primeira a lançar um modelo nacional com câmbio manual automatizado. Trata-se do Meriva equipado com o sistema Easytronic, que, para os mais desavisados, pode parecer muito com um câmbio automático, mas não é. Apesar de sua utilização ser semelhante à de uma caixa automática, internamente essa transmissão mantém a embreagem, as engrenagens e o funcionamento iguais aos de um câmbio manual.

A diferença é que as funções básicas de trocas de marchas deixam de ser feitas pelo motorista e ficam a cargo de um sistema eletrohidráulico. O desacoplamento da embreagem (que ocorre quando se pressiona o pedal da esquerda), o desengate de uma marcha e o engate de outra (feito através da alavanca de câmbio) e o reacoplamento da embreagem (quando se tira o pé do pedal) passam a ser de responsabilidade de atuadores, que obedecem às ordens de uma central de comando, que, por sua vez, recebe e processa informações das rodas, do motor, da ignição e dos freios para “descobrir” o momento certo de efetuar as trocas de marcha. Assim, o pedal de embreagem desaparece e a alavanca de trocas é substituída por uma espécie de joystick, com o qual o motorista pode optar pelo modo automático ou pelo seqüencial, em que faz as trocas manualmente, com toques para cima ou para baixo.

Entre as vantagens do sistema estão maior conforto, menor consumo (tanto em relação ao câmbio automático quanto ao manual), custo mais baixo (a Easytronic sai por R$ 2 mil) e manutenção mais barata e fácil que a de uma transmissão automática. Mas nem tudo são flores. Quando se usa o câmbio na posição automática, o motorista nota que as trocas de marcha não são tão rápidas como em uma transmissão automática moderna e, se a carga no acelerador aumentar, os trancos no momento dos engates ficam evidentes. Mas isso não é um defeito do sistema Easytronic. É, na verdade, uma característica desse tipo de transmissão.

Mesmo em modelos mais esportivos e caros como os Alfa Romeo e os Maserati, por exemplo, a transmissão manual automatizada apresenta esses inconvenientes que estão sendo driblados com investimentos em tecnologia. A VW, por exemplo, desenvolveu um sistema automatizado que utiliza duas embreagens, uma para as marchas pares e outra para as ímpares. Enquanto uma marcha está engatada, a próxima já está “aguardando a sua vez” e é inserida quase simultaneamente ao desengate da anterior, aumentando a velocidade das trocas e diminuindo os trancos.

De qualquer forma, depois de poucos dias de utilização, o consumidor já estará totalmente adaptado à utilização do sistema e aprenderá os macetes necessários para usufruir de toda sua versatilidade que acredite! – é maior que a de um câmbio automático. Se quiser rodar macio e gastando pouco, por exemplo, o motorista desfrutará de uma transmissão suave e eficiente e poderá diminuir os trancos com uma rápida aliviada no acelerador no momento em que sentir que a troca de marcha será realizada.

Já nas ultrapassagens, poderá utilizar o kickdown, apertando o acelerador até o fundo e reduzindo duas ou três marchas, ou simplesmente poderá dar um toque no joystick para fazer a redução manual, mais veloz. Agora, se a idéia for pisar fundo e usufruir de maior agilidade, o condutor poderá optar pelo modo esportivo (que faz as trocas mais rápidas e em giros mais altos) ou pelo engate manual seqüencial, que lhe dará a agilidade, a eficiência e a liberdade que só uma caixa mecânica pode oferecer. Ou seja, é o melhor de dois mundos em um único sistema e aponta para o futuro das transmissões.

Desde novembro, os Meriva Premium trazem a tecnologia Easytronic e custam R$ 54.314 (com ar, direção e trio elétrico) ou R$ 57.114 (com a inclusão de airbag ABS e faróis de neblina).