Gasolina comum ou especial?

Claudio Larangeira

Você chega ao posto e, além de ter de escolher entre etanol e gasolina, caso opte pela última, deve decidir entre comum, aditivada ou premium. Para conferir os benefícios de cada uma delas e descobrir se vale a pena economizar na hora de abastecer, MOTOR SHOW partiu para os testes práticos.

Escolhemos quatro modelos que usam o combustível de modo mais exigente, em virtude de terem motores turbinados, mas os resultados servem para todos os carros. Os selecionados foram Volkswagen Jetta Highline 2.0, Peugeot 408 THP 1.6, Renault Fluence GT 2.0 e Fiat Bravo T-Jet 1.4. Primeiro usamos a gasolina comum, medindo potência, torque, consumo urbano e rodoviário e acelerações de 0-100 km/h e de 0-400 m. Depois, com a gasolina Podium, vendida pela Petrobras, repetimos as medições. Não realizamos testes com gasolina aditivada porque seu benefício maior está nos detergentes que ajudam na limpeza do motor, e não em ganhos de consumo ou desempenho.

Fundamentalmente, a gasolina comum difere da Podium por sua octanagem – a capacidade de suportar pressão sem se autoinflamar. Quanto mais alta ela for, melhor será o desempenho do motor, principalmente se ele tiver recursos para aproveitar essa característica (como os testados). Enquanto a gasolina comum tem octanagem 87, a Podium tem 95. Na prática, isso significa que um motor alimentado pela gasolina especial suportará temperatura e pressão maiores, evitando a detonação (ou “batida de pino”), que danifica o propulsor e provoca perda de rendimento.

Não é só a octanagem, porém, que diferencia a gasolina comum da Podium, mas também a quantidade de enxofre. Na comum, hoje o máximo permitido desse componente é de 800 ppm (partes por milhão), apesar de a Petrobras afirmar que já trabalha com 250 ppm. De qualquer forma, estamos falando de índices altíssimos: na Europa e nos Estados Unidos, eles não passam de 50 ppm. Já a Podium tem cerca de 30 ppm – uma vantagem considerável, já que o enxofre, a longo prazo, cria crostas nas válvulas e nas câmaras de combustão, além de danificar os catalisadores. Para completar, o sistema de alimentação tem sua vida reduzida por causa dele, chegando a casos extremos de entupimento dos injetores. O prejuízo maior do excesso de enxofre ocorre em carros com injeção direta, que não devem usar gasolina com mais de 50 ppm (a boa notícia é que a partir de 2014 toda gasolina nacional terá no máximo 50 ppm, reduzindo a poluição nos centros urbanos, permitindo que a injeção direta equipe mais veículos e diminuindo o consumo dos carros que utilizam tal recurso).

Em nossos testes de consumo, como previsto, todos os carros apresentaram melhoria, assim como nas medições de desempenho e em potência e torque medidos no dinamômetro. Assim, o uso da Podium é fundamental para quem quer uma performance com mais agilidade e menos trocas de marchas sem alterar os parâmetros originais do veículo. E vale lembrar que, do ponto de vista financeiro, a redução no consumo de combustível proporcionada pela gasolina especial pode não compensar seu custo, que é cerca de 30% mais alto. Mas, se pensarmos na manutenção a longo prazo, é provável que esses 30% sejam compensados pela maior durabilidade de peças importantes do motor.

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