Gasolina ou diesel?


O Honda é fabricado no México e custa R$ 110 mil, em versão única com motor 2.0 quatro cilindros. O Kia é fabricado na Coréia e tem preços que partem de R$ 106.900 com motor V6 3.8, mas que, para este confronto, foi escolhido em versão com novo motor turbodiesel de geometria variável, vendida por R$ 124.900.

Acima, a alavanca de câmbio do CR-V, sem opção de trocas seqüenciais, mas com botão que permite reduzir para a terceira marcha, e o botão que desativa o controle de estabilidade. À esquerda, a alavanca da transmissão seqüencial do Kia e o botão que controla a tração, que no Honda é 4×4 integral

Poderíamos, é claro, ter comparado as versões a gasolina, com preços mais próximos, mas preferimos mostrar as diferenças existentes, não só entre estes dois utilitários esportivos, mas também entre as diversas opções de combustível. Além disso, o Sorento V6 tem motor com 267 cv de potência, o que deixaria o Honda, com 150 cv, em grande desvantagem, pelo menos em relação ao desempenho. Mas, mesmo na versão movida a diesel, o Sorento ainda consegue ter 170 cv, 20 cv a mais que o concorrente mexicano.

Preços quase alinhados, potência próxima, tração 4×4. Mas aí acabam quase todas as semelhanças. No mais, trata-se de veículos bastantes distintos. Será que o modelo da marca coreana tem cacife para enfrentar o CR-V fabricado pela Honda, “queridinha” dos brasileiros por sua fama de inquebrável e confiável? A resposta é “sim” – e a melhor escolha, neste caso, depende do que você procura em um SUV.

CR-V: BELEZA E SUAVIDADE

A primeira coisa que impressiona no CR-V é seu design. Apesar de analisar a beleza de um carro ser uma questão bastante subjetiva, a quantidade enorme de elogios recebidos pelo carro durante nossa avaliação comprova que a Honda acertou no desenho, com linhas modernas e um incrível aproveitamento do espaço interno. Embora um pouco menor que o Sorento, inclusive nos entreeixos, ele consegue ser maior no interior (principalmente para quem vai no banco traseiro, que tem generoso espaço para as pernas e bancos reclináveis) e ainda ter maior capacidade de carga no porta-malas (são 1.011 litros com bancos em posição normal, contra 900 litros do rival), além de uma interessantíssima solução para carga: o bagageiro é dividido por uma prateleira (que pode ser removida): bastante útil para levar objetos leves, enquanto as bagagens pesadas vão debaixo dela.

A suavidade do Honda também surpreende: nas estradas de terra, ele parece “flutuar”, de tão bem que absorve as irregularidades. Dirigibilidade e conforto lembram um carro de passeio, e mal se ouve o ruído do motor. O desempenho não empolga, mas o câmbio automático proporciona uma condução suave. E, se falta a opção de trocas seqüenciais, ao apertar um botão na lateral da alavanca de câmbio, ele reduz para a terceira marcha – útil em ultrapassagens e subidas.

Em termos de segurança, ele leva vantagem sobre o concorrente, oferecendo itens só presentes na versão mais cara do Sorento movido a diesel (R$ 134.900): além do airbag duplo (que o Kia avaliado também tem), vem com airbags laterais e de cortina e controle de estabilidade. Nos itens de conforto, também leva alguma vantagem – confira na tabela dos itens de série, na página ao lado, o que está presente em cada um.

Agora, é na hora do off-road que o Honda se mostra menos capaz que o rival coreano. Sua tração 4×4 tem funcionamento em tempo integral (o que aumenta um pouco o consumo, na comparação com um modelo 4×2), mas não a opção de reduzida, para situações mais severas. Dá, é claro, para superar pequenos atoleiros e trilhas de média dificuldade, mas nos casos (raros) de se enfrentar situações mais radicais, trilhas pesadas e subidas bastante íngremes, a falta da reduzida pode acabar te deixando na mão.

No porta-malas do CR-V, uma solução interessante: dois andares permitem melhor distribuição das bagagens

SORENTO: FORÇA E VALENTIA

E é por isso que, no fora-de-estrada, a vantagem do Honda se inverte. O Kia tem sistema de tração que permite selecionar 4×2, 4×4 ou 4×4 reduzida: maior economia de combustível no primeiro caso, boa aderência no segundo e capacidade de superar obstáculos bastante “radicais” na terceira opção.

Além disso, seu motor diesel é mais potente e tem o dobro de torque (força) em relação ao CR-V: são excelentes 40 kgfm. Apesar de quase 500 kg mais pesado, seu desempenho é praticamente idêntico ao do Honda (veja fichas técnicas) e ele consegue ter um consumo levemente inferior (além de funcionar com diesel, que é mais barato que a gasolina). E justamente no motor está a maior novidade do Sorento: agora com turbina de geometria variável, tem uma aceleração mais constante, sem o “buraco” que se sente normalmente em veículos turbodiesel sem o recurso.

Esqueça a dirigibilidade de “automóvel” do CR-V – ao volante, o Sorento é um legítimo SUV. O acabamento equivale ao do Honda – embora o interior, assim como o exterior, não seja tão bonito – e vem bem equipado. Ele pula um pouco mais nos buracos, mas sem ser desconfortável. O câmbio tem cinco marchas, como no rival, mas com trocas seqüenciais. E, por outro lado, o motor a diesel é bem mais barulhento.

CONCLUSÃO

Para uso na cidade e estrada com mais conforto e ocasional aventura 4×4, escolha o CR-V. Se o caso é enfrentar desafios radicais e gastar menos na hora de abastecer, o Sorento a diesel é a melhor opção. Mais um detalhe que pode ajudar: a Honda oferece três anos de garantia, e a Kia, cinco. Não deixe de considerar Toyota RAV4 e Sorento e Tucson a gasolina com motor V6, além de Freelander II, Hilux SW4…

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