A Geely Auto Group vem crescendo significativamente na China. Já superou a BYD e fez do Geely EX2 o modelo mais vendido por lá em 2025. Mas seus planos para os mercados ocidentais – incluindo o Brasil, onde o elétrico EX2 virou prêmio do Big Brother e o híbrido Geely EX5 EM-i está prestes a chegar – são bem mais ambiciosos.

A parceria com a Renault no Brasil já está consolidada com a joint-venture Renault Geely do Brasil, que vai começar a produzir veículos ainda este ano. O investimento de R$ 3,8 bilhões na fábrica de São José dos Pinhais (PR) coloca a fabricante em um patamar de custo que marcas as importadoras não conseguem atingir.

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Os candidatos mais prováveis à produção nacional são justamente o hatch elétrico compacto EX2 (leia aqui a avaliação) e o EX5, um SUV médio cuja versão elétrica já está à venda e a híbrida plugável será lançada na semana que vem para brigar com BYD Song Plus e Haval H6 (leia mais sobre o EX5 híbrido aqui).

Geely EX5 EM-I PHEV – Foto: divulgação

Além disso, em um movimento para consolidar sua presença na Europa, o grupo anunciou agora no fim de março que o centro de tecnologia europeu deve dobrar o número de projetos de veículos gerenciados até o próximo ano. O objetivo é ganhar agilidade para enfrentar a concorrência pesada e as margens apertadas dos elétricos.

Da China para o mundo, mais rápido

No Velho Continente, a estrutura foi simplificada: sob o novo guarda-chuva Geely Tech Europe, o centro de Gotemburgo, na Suécia, onde fica a Volvo, que hoje faz parte das muitas aquisições do Grupo Geely, e a unidade de Frankfurt, na Alemanha, darão suporte unificado para Zeekr, Geely e Lynk & Co.

Vale notar que, dessas marcas citadas, só a Lynk & Co não está no Brasil (mas sua chegada é prevista ainda para este ano). O objetivo do poderoso grupo chinês é reduzir o intervalo entre o lançamento de um modelo na China e sua chegada aos mercados globais para menos de seis meses. E isso, claro, vai beneficiar também o Brasil.

Essa meta de reduzir o “gap” de lançamento fora da China é bastante agressiva. Afinal, no passado, um carro chinês levava 2 anos para ser tropicalizado. Se conseguirem fazer isso em seis meses, as marcas tradicionais (VW, GM, Fiat) vão precisar acelerar muito seus ciclos de facelift para não parecerem obsoletas.

Geely EX5 EM-I - Foto: divulgação
Geely EX5 EM-I desembarca no Brasil  – Foto: divulgação

De olho no top 5

Os planos da holding são ambiciosos. A marca quer fechar a década como uma das cinco maiores montadoras do mundo, com uma meta de vendas de 6,5 milhões de carros por ano. Para isso, Brasil e Europa são peças-chave, devendo absorver boa parte do volume de exportação.

Um dos diferenciais da fabricante é a tentativa de fazer uma “europeização” da tecnologia chinesa. Diferentemente de outras marcas que tentam impor um padrão chinês ao mundo, a marca usa a base da Volvo e seus centros na Suécia e Alemanha para criar carros com dinâmica e acabamento que o ocidental já respeita.

Tanto a Volvo Cars quanto a Polestar (divisão de esportivos da Volvo) anunciaram processos de integração mais profunda com o ecossistema da Geely para cortar custos e ganhar escala.

Geely EX2 Max 2026 rival de BYD Dolphin Mini
Geely EX2 Max 2026 (foto: Flávio Silveira)

Mais parcerias

Não se espante se vir o DNA chinês em marcas tradicionais do Ocidente. Rumores e movimentações de bastidores indicam que a Geely mantém conversas com gigantes como Mercedes-Benz (da qual já é acionista relevante) e Ford para possíveis colaborações em tecnologia e produção de veículos.

Para quem achava que as marcas chinesas eram apenas passageiras, a Geely mostra que a estrutura de engenharia europeia é, agora, o coração de sua expansão global.