Genética da velocidade


Wilson Fittipaldi

“Sempre mexi com isso. Descobri que não consigo mais ficar longe do automobilismo”

Christian Fittipaldi

“Na época da Ford, meu pai puxava minha orelha. Agora sou eu que desço do carro chamando a atenção dele ”

Dizem que pai de piloto torce tanto quanto mãe de miss. Com Christian Fittipaldi não foi diferente. Sobrinho do bi-campeão mundial de F-1 Emerson Fittipaldi e lho do experiente Wilson Fittipaldi, Christian sempre teve seus mentores por perto. Hoje ele corre na Stock Car e no Trofeo Linea, onde pilota para a equipe de seu pai. Não é a primeira vez que o piloto trabalha em família. Na Fórmula Ford e na F-3, o chefe dos times também era Wilson. Christian disputou ainda quatro etapas da A1 GP, pilotando o carro da equipe brasileira che ada por seu tio. Sem falar nas outras vezes em que dividiu o cockpit com Wilson, como nas Mil Milhas de 1994, ocasião em que foi vencedor. “Quando o Christian começou a correr, aí sim, só se falava em automobilismo na família”, relembra Wilson. Se por um lado isso era bom, principalmente do ponto de vista comercial, por outro acabou gerando cobrança. “Quando eu chegava em segundo ou terceiro todos consideravam que eu tinha perdido”, revela.

Christian teve uma carreira vitoriosa no kart. Seu maior rival era Rubens Barrichello. Nos monopostos a situação não mudou. Antes de chegar à F-1 o brasileiro foi vice-campeão de Fórmula Ford, campeão Sul-americano de Fórmula 3 e campeão mundial de Fórmula 3000. Em 1992, estreou na F-1 pela Minardi. No ano seguinte, conseguiu um histórico quarto lugar com a limitada equipe. Em 1994, Christian pilotou pela também pequena Arrows. Sem um bom carro, o piloto trocou a F-1 pela CART. “Lamento por não ter tido o carro certo na hora certa, o que é essencial na F-1. Minha história poderia ter sido bem diferente”, diz. Nos EUA, Christian teve muito destaque. Em 1995, foi considerado “o estreante do ano”, depois de chegar em segundo lugar na tradicional 500 Milhas de Indianápolis. No ano seguinte, assinou com a Newman Hass, onde cou até 2002. Depois da passagem pela CART, Christian participou de diversas categorias entre elas a NASCAR, provas de longa duração da Grand AM, Stock, A1 GP e TC2000 na Argentina.

Este ano o piloto decidiu correr no Brasil por conta do nascimento da lha Manuela. Depois de uma carreira movimentada Christian está matando a saudade de trabalhar com o pai. “Na época da F-Ford, era meu pai quem puxava minha orelha. Agora eu é que saio do carro chamando a atenção dele”, brinca o piloto, que ainda tem planos de correr no Exterior. “Ainda tenho muitas portas abertas.” A poucos meses de completar 40 anos, Christian planeja correr por mais dez anos. “A vida não é só carro de corrida. Ainda não sei qual, mas gostaria de atuar em outras áreas”, conta. Já Wilson não conseguiu car longe das pistas. Ocupado com outros negócios, o veterano passou anos afastado do esporte. “Descobri que não consigo car longe do automobilismo”, con dencia. Além de continuar com a equipe no Trofeo Linea ele planeja montar um time na Stock Car.

Se a paixão por velocidade está no sangue dos Fittipaldi, será que a pequena Manuela será incentivada a pilotar? “Não”, diz Wilson. “De jeito nenhum”, con rma Christian. Ambos juram que não é preconceito, mas que consideram automobilismo um esporte muito perigoso.

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