Global ou local?

Roberto Assunção

o outro popular japonês.

Global ou local? A questão aflige fabricantes de carros há décadas. No Brasil, a maioria das marcas tem apostado em modelos compactos locais, e com sucesso. VW Gol, Fiat Palio e Chevrolet Onix, os três carros mais vendidos hoje, seguem receitas sob medida para brasileiros (como Hyundai HB20, Fiat Uno, VW Fox e cia.). Para desafi á-los, o New March, como vimos, usa uma receita global “ajustada” ao mercado nacional (como Ford New Fiesta, Citroën C3, Renault Sandero e Peugeot  208, entre outros). Completando o comparativo, não podia fi car de fora o Toyota Etios – o outro “popular japonês”, desenvolvido em conjunto para a Índia e para o Brasil.

As versões avaliadas partem da faixa de R$ 40.000. São hatches para quem busca um primeiro carro mais potente e mais completo, ou, ainda, um segundo carro para uso urbano – que una a praticidade das dimensões compactas com um desempenho e uma oferta de itens de conforto e conveniência que não decepcionem. 

No fim, são carros muito parecidos. O New March tem receita mais urbana e preços abaixo da média – mas, em dimensões, espaço, desempenho e dirigibilidade, não se diferencia muito dos demais. Por isso mesmo, o campeão apontado por nós aqui pode não ser o melhor carro para você: a decisão fi nal se dá mais nos detalhes, preferências e prioridades pessoais. De qualquer forma, vamos a eles!

Embora seja maior no tamanho e no entre-eixos, o Onix oferece espaço interno só ligeiramente melhor. O painel é moderno, mas o desenho e o velocímetro digital causam controvérsia. Bancos e posição de dirigir agradam – ele é o único com assento traseiro bipartido. O rodar é silencioso e as suspensões, confortáveis. O sistema MyLink, opcional na versão LT e de série na LTZ, tem recursos interessantes de conectividade – mas podia ter botões para acesso às funções, além da tela sensível ao toque (e o navegador só funciona usando um app ligado ao seu smartphone). 

De negativo, tem o preço inicial mais alto: parte de R$ 42.890 na versão LT, pouco equipada; rodas de liga, computador de bordo e retrovisores elétricos, por exemplo, só na LTZ, por R$ 48.190. O acabamento tem pouco tecido nas portas e plásticos simples, além de a posição do puxador interno ser estranha (muito atrás, para liberar espaço para os joelhos). Ao volante, o motor 1.4 (o menor do grupo) é valente, mas lhe falta força quando o carro está carregado. Seu maior pênalti, porém, está na direção hidráulica: pesada em manobras, exige constantes correções de trajetória na estrada (a suspensão não ajuda). Para completar, a visibilidade traseira é ruim e os custos, tanto das peças quanto das revisões, são mais altos. 

5º lugar: Chevrolet Onix

Embora seja maior no tamanho e no entre-eixos, o Onix oferece espaço interno só ligeiramente melhor. O painel é moderno, mas o desenho e o velocímetro digital causam controvérsia. Bancos e posição de dirigir agradam – ele é o único com assento traseiro bipartido. O rodar é silencioso e as suspensões, confortáveis. O sistema MyLink, opcional na versão LT e de série na LTZ, tem recurso interessantesde conectividade – mas podia ter botões para acesso às funções, além da tela sensível ao toque (e o navegador só funciona usando um app ligado ao seu smartphone). De negativo, tem o preço inicial mais alto: parte de R$ 42.890 na versão LT, pouco equipada; rodas de liga, computador de bordo e retrovisores elétricos, por exemplo, só na LTZ, por R$ 48.190. O acabamento tem pouco tecido nas portas e plásticos simples, além de a posição do puxador interno ser estranha (muito atrás, para liberar espaço para os joelhos). Ao volante, o motor 1.4 (o menor do grupo) é valente, mas lhe falta força quando o carro está carregado. Seu maior pênalti, porém, está na direção hidráulica: pesada em manobras, exige constantes correções de trajetória na estrada (a suspensão não ajuda). Para completar, a visibilidade traseira é ruim e os custos, tanto das peças quanto das revisões, são mais altos.

4º lugar: Fiat Palio

Partindo de R$ 41.170, o Palio 1.6 tem um pacote interessante e uma lista de opcionais inigualável, com itens como teto solar e airbags laterais (mas cuidado com as escolhas: o modelo completo passa de R$ 54.000). Em potência e torque absolutos, seu motor é o melhor – mas, como demora a “encher” e a carroceria do Palio é mais pesada, o desempenho fica dentro da média. É um modelo que prioriza o conforto ao rodar, com suspensões macias, que ignoram como nenhuma outra os defeitos do asfalto. O acabamento, apesar de falhas nos encaixes, usa texturas para agradar aos olhos e ao toque. 

Se as suspensões garantem conforto, prejudicam a estabilidade em alta velocidade e nas curvas. O Palio não transmite segurança nessas situações. E nesse ponto a direção hidráulica não ajuda – é lenta nas respostas, sensível demais na estrada e pesada nas manobras. Além disso, o câmbio tem engates imprecisos. Ainda do lado negativo, o espaço traseiro não é muito bom e o pós-venda decepciona: é o único com apenas um ano de garantia e, apesar de os custos das peças ficarem na média, as revisões ficam acima dela. Para completar, o som é difícil de usar: navegar entre pastas de um pen drive é tarefa limitada ao motorista – que para isso tem de usar as teclas no volante. 

3º lugar: Toyota Etios

Se o design externo do Etios Hatch é até simpático, essa opinião não é unânime como as críticas ao painel de instrumentos central, de péssima leitura. Os preços, porém, são atraentes, e dirigi-lo é agradável, pois a mecânica é sólida: seu motor 1.5, apesar de ser o menos potente, é elástico e econômico, o câmbio tem engates precisos e a direção elétrica é muito bem calibrada. Ainda de positivo, tem a confiabilidade da marca, quatro estrelas nos crash-tests, suspensões silenciosas e robustas e manutenção barata. Do lado negativo, além da falta de potência e do painel esquisito, há ausências graves nos equipamentos: mesmo a versão mais cara fica devendo itens como retrovisores elétricos e computador de bordo, além de faltarem ajustes de altura do banco do motorista e do cinto de segurança. Mesmo assim, o Etios tem boa posição de dirigir. É o único modelo 2014; o 2015 deve chegar logo – com melhorias. 

2º lugar: Volkswagen Gol

O Gol não é líder de vendas há 27 anos por acaso.

Serviu de referência para o desenvolvimento de todos os rivais e conquista pela robustez e pelo prazer de guiar. Claro que não está livre de falhas, como o desenho interno. Isso, porém, é uma questão de gosto pessoal. Além disso, suas revisões não são das mais baratas, e ainda têm de ser feitas a cada 10.000 quilômetros ou seis meses – péssimo para quem costuma circular menos de 20.000 km/ano. Pesa contra ele também o fato de mudar já em 2015, quando chega sua sexta geração.

Os destaques positivos começam pela ótima posição de dirigir, mesmo sem ajustes de altura e de profundidade do volante, opcional nas versões mais simples (o de profundidade é exclusividade do Gol). E continuam a se mostrar com o carro rodando, quando o câmbio de engates precisos e as suspensões firmes agradam a quem quer um carro gostoso de guiar. Seu motor não é dos mais modernos. Apesar do bom torque, tem pouca potência (nada que o deixe muito atrás dos rivais, mas falta elasticidade nas retomadas). Já no consumo, embora gaste mais que  os rivais com etanol e, por isso, tenha nota B do Inmetro, com gasolina é o mais econômico do grupo, seja na cidade, seja na estrada – onde, por sinal, nenhum outro modelo na categoria é tão estável e tem uma direção igualmente precisa. Apesar de não levar o primeiro lugar, o Gol é a melhor escolha para quem gosta de prazer ao volante e também para quem anda mais na estrada que na cidade. 

1º lugar: Nissan New March

O New March ganha essa disputa, para começar, por ter preços abaixo da média: sua versão 1.6 SL custa R$ 42.990 – entre R$ 4.000 e R$ 5.000 a menos que os rivais com pacotes similares –, sendo que nenhum oferece itens como navegador por GPS, ar-condicionado digital e câmera de ré. Mas sua vitória não se baseia “apenas” em preços e pacotes. Trata-se de uma questão de conjunto.

O New March não está livre de defeitos, claro: o espaço interno é um pouco menor, principalmente na frente, onde motorista e passageiro raspam as pernas nas portas; a posição de dirigir é alta, não há ajuste de altura do cinto de segurança e os bancos, com espuma dura, “jogam” o corpo para a frente (deve melhorar com o tempo); e, na estrada, as suspensões deixam a traseira balançar mais que o desejado e o nível de ruído ainda é alto.

Mas, voltando aos pontos positivos, é um carro que se destaca bastante no uso urbano. É fácil de manobrar, graças à direção levíssima, ao pequeno raio de giro e à câmera de ré. É ágil, devido à melhor relação peso-potência e ao motor moderno, com comando variável – que responde bem desde baixíssimas rotações (dá para passar em lombadas em terceira). Tem um sistema multimídia completo e ótimo de usar, com conectividade com Facebook e Google e controles por teclas ou toques na tela. Para completar, tem um painel sóbrio, clássico, com plásticos que transmitem qualidade. E, se não bastasse tudo isso, tem custos de peças e manutenção mais baixos. Se você quer um compacto moderno para a cidade, o New March, sem dúvida, oferece a melhor relação custo-benefício. 

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