10/03/2026 - 9:30
Antes de falar sobre as mais recentes notícias sobre a nova tecnologia de bateria LMR da GM, é preciso voltar um pouco no tempo: em janeiro de 2021, escrevi que a GM, a mesma que ajudou a matar o carro elétrico 25 anos atrás com o EV1, parecia estar destinada a morrer por ele agora, abraçada à plataforma Ultium, vista como único caminho a seguir.
Carros elétricos: sancionada lei que garante direito a instalação de carregador em prédios de SP
Afinal, a marca anunciou na época que teria apenas carros 100% elétricos, nos EUA e no Brasil, a partir de 2035. Na hora duvidei e provoquei. Disse que a GM viraria marca de nicho ou quebraria se insistisse em ideia tão estapafúrdia e desafiei a marca a voltar ao assunto em 14 anos — ou seja, em 2035.
Nem foi preciso esperar tanto. O recuo estratégico para os híbridos, que eu previa para mais adiante, aconteceu já em dezembro de 2023.

Foi apenas três anos depois do meu alerta e muito antes de Trump sonhar em voltar ao poder. Mary Barra admitiu o óbvio: o “all-electric” não sustentaria o negócio sozinha porque o marketing ignora, mas a realidade não perdoa o custo real da tecnologia.
Os números de 2025 são a prova do erro, expondo um prejuízo de US$ 7,6 bilhões apenas na operação de elétricos. É um rombo que não se resolve com ajustes de linha; exige uma mudança desesperada de DNA.
A BATERIA LMR
Agora, a GM inicia sua segunda tentativa. É uma manobra de quem está nas cordas e, em vez de adotar o pragmatismo das baterias LFP, que dominaram o mercado por serem baratas e robustas, Detroit dobrou a aposta em uma tecnologia de alto risco: a baterias LMR (“lítio com alto teor de manganês”). É a nova “bala de prata” da marca para 2028.
A promessa é sedutora no papel, entregando a densidade energética das premium, como as 4680 da Tesla, com o custo das populares. Na prática, é só uma tentativa de dar um salto técnico para não admitir que os chineses venceram a guerra da eficiência com o básico bem feito.
O problema é que o ceticismo na indústria é pesado e fundamentado na física, que teima em não resolver o chamado voltage fade. Para o dono do carro, o risco é real: comprar um Blazer EV e, após dois anos de uso, sentir o carro perder o vigor nas retomadas porque a química do manganês não sustenta a tensão original.
Enquanto a Ford correu para garantir o feijão com arroz das LFP, a GM escolheu o caminho solitário da alquimia química. O próprio vice-presidente de baterias da fabricante, Kurt Kelty, foi de uma honestidade brutal ao dizer a jornalistas, no mês passado, que se a LMR falhar, ele terá falhado.

A GM ignorou o aviso de que deveria investir em híbridos até o limite, e agora descarta a maturidade das baterias que já funcionam para tentar viabilizar a bateria LMR, uma tecnologia exclusiva que pode ser sua salvação ou uma tragédia definitiva.
Ao fugir da comparação direta com os chineses, a marca corre o risco de entregar um produto que “entrega a idade” cedo demais. No fim, a dúvida é se a GM está dobrando a aposta para vencer o jogo ou apenas para adiar o inevitável encontro com a própria obsolescência.
Teremos que aguardar mais alguns anos para ter uma resposta, mas com as novas políticas de Trump e o fim da primeira onda de consumo pelos early adopters, onde a bateria não era uma questão, pode ser que esse tempo demore muito a passar…
