GP do Brasil: uma história de heróis e carrascos

Um passeio pelas nove vitórias brasileiras, com Fittipaldi, Pace, Piquet, Senna e Massa em três circuitos que aplaudiram os vilões Reutemann, Prost e Schumacher

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Desde 1972, quando Emerson Fittipaldi (Lotus), Carlos Reutemann (Brabham) e Ronnie Peterson (March) largaram na primeira fila tripla de uma corrida extra-campeonato, o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 sempre produz grandes histórias. Seja pelas características da pista, seja pela atuação de um piloto brasileiro ou por logo no início ou bem no final da temporada, a corrida brasileira é garantia de emoção. Nas 44 edições oficiais do GP do Brasil,  a partir de 1973, sete provas foram disputadas no circuito original de Interlagos (São Paulo), 10 foram realizadas em Jacarepaguá (Rio de Janeiro) e 27 ocorreram no traçado curto de Interlagos.

Nesse período, o público brasileiro vibrou nove vezes com vitórias de pilotos nativos, mas também teve de conviver com várias frustrações e pelo menos três carrascos. Na memória da torcida, os campeões mundiais Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna foram os grandes dominadores do GP do Brasil. Mas não é bem assim. Cada um deles ganhou duas vezes, mas o piloto brasileiro que mais liderou esse grande prêmio é Felipe Massa. Ele também tem duas vitórias, como os campeões, mas correu 789 km na liderança, contra 765 km de Nelson, 737 de Ayrton e 454 de Emerson. Depois deles vem Rubens Barrichello, que andou 258 km em primeiro lugar, mas nunca ganhou em casa, e José Carlos Pace, que liderou 111 km e venceu o GP do Brasil de 1975.

Interlagos é marcante para Felipe. Ele ganhou os GPs de 2006 e 2008, pela Ferrari, mas nessa ocasião perdeu o título mundial porque Lewis Hamilton ultrapassou Timo Glock a duas curvas da bandeirada. No passado, despediu-se da Fórmula 1 em Interlagos, correndo pela Williams, mas este ano teve a chance de voltar (e talvez pela última vez) porque a aposentadoria do campeão Nico Rosberg reabriu uma vaga na equipe. Somente três pilotos tiveram mais quilometragem na liderança do que Felipe no GP do Brasil – Alain Prost (1.140 km), Michael Schumacher (1.018 km) e Carlos Reutemann (828 km).

Por coincidência, esses três foram exatamente os grandes carrascos dos pilotos brasileiros no GPs realizados em Interlagos e Jacarepaguá. O primeiro vilão foi o argentino Reutemann. Já na corrida de 1972, ele venceu a prova depois de uma quebra do Lotus de Emerson. O argentino voltou a vencer em Interlagos em 1977, quando todas as fichas estavam apostadas em seu companheiro de equipe na Brabham, o brasileiro Pace. Quando o GP do Brasil foi transferido para o Rio de Janeiro, em 1978, Emerson conseguiu seu melhor resultado pela equipe Copersucar, mas ficou em segundo lugar porque o vencedor foi… Reutemann, pela Ferrari! O grande prêmio voltou para São Paulo durante dois anos, sem um brasileiro com chances de vencer, mas quando retornou ao Rio, em 1981, o favorito era Nelson Piquet, que fez a pole position, mas quem ganhou foi de novo o argentino, agora pela Williams.

Mesmo consagrado como campeão do mundo, Nelson só ganhou em 1983 (Brabham) e em 1986  (Williams), pois em 1982, 1984, 1985, 1987 e 1988 a vitória foi do francês Prost. E ele voltaria a vencer em 1990, quando Interlagos inaugurou seu atual traçado, no auge da disputa com Senna. Mas Ayrton ganhou as corridas de 1991 e 1993 de forma épica, levando o público ao delírio. Finalmente, o terceiro carrasco brasileiro foi o alemão Schumacher. Primeiro, foi carrasco do próprio Senna, ganhando o GP de 1994, pela Benetton, quando o brasileiro estreava na sonhada Williams e marcara a pole. Um ano depois, já como campeão, Michael ganhou de novo. E voltaria a vencer em 2000 e 2002, pela Ferrari, quando Rubinho fez grandes exibições.

O Grande Prêmio do Brasil é assim – sempre emocionante. Não importa onde seja realizado (há boatos de que a FIA pretende transferi-lo para as ruas do Rio de Janeiro), os traçados desafiantes, a empolgação da torcida, o talento dos brasileiros e a motivação dos pilotos estrangeiros sempre resultam em boas corridas.

AS VITÓRIAS BRASILEIRAS  
1973 Interlagos original E. Fittipaldi Lotus-Ford
1974 Interlagos original E. Fittipaldi McLaren-Ford
1975 Interlagos original J.C. Pace Brabham-Ford
1983 Jacarepaguá N. Piquet Brabham-BMW
1986 Jacarepaguá N. Piquet Williams-Honda
1991 Interlagos curto A. Senna McLaren-Honda
1993 Interlagos curto A. Senna McLaren-Honda
2006 Interlagos curto F. Massa Ferrari
2008 Interlagos curto F. Massa Ferrari


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