26/03/2026 - 12:08
O ano de 2025 foi um teste de fogo para a economia global – e também para as marcas chinesas envolvidas na guerra de preços, como a BYD e a Geely. Entre conflitos regionais que abalaram a cadeia logística e o avanço do protecionismo, a indústria automotiva navegou em águas turbulentas.
O cenário incluiu desde tarifas recíprocas impostas pelos EUA – derrubadas pela Suprema Corte apenas agora no início deste ano – até o aumento de impostos sobre elétricos chineses na Europa, Rússia, Canadá e México. Ainda assim, a China mostrou por que é a locomotiva do setor. Pelo 17º ano consecutivo, o país se consolidou como o maior mercado automotivo do mundo, atingindo recordes históricos de produção e vendas domésticas.
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Os números da China em 2025
Mesmo sob pressão, o mercado interno chinês de veículos leves cresceu 5,6%, superando 26,9 milhões de unidades. Entre os carros de passeio, foram comercializadas 24,3 milhões de unidades (alta de 5,6%), enquanto comerciais leves emplacaram 2,6 milhões de veículos (mais 6,1%). Os eletrificados, obviamente, foram o grande motor do crescimento, com 13 milhões de unidades vendidas – um crescimento de 20%.
Nas exportações, graças a mercados como o brasileiro, o salto foi ainda mais impressionante: 6,6 milhões de veículos foram enviados ao exterior, representando uma alta de 21% em comparação a 2024, desafiando as barreiras tarifárias internacionais.
Fim da guerra de preços

Nem tudo foi expansão ilimitada. A agressiva guerra de preços iniciada em 2023 sofreu intervenção direta do governo chinês para evitar o colapso do setor. O impacto foi sentido na BYD: após um 2024 excepcional, a gigante viu seu volume recuar 3,5% em 2025 nas vendas domésticas (3,48 milhões de unidades), bem abaixo das expectativas iniciais.
Se a queda da BYD foi até pequena em 2025, os números do início de 2026 são piores (caiu 41% na China em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2024).
Afinal, para combater a “competição predatória”, reguladores impuseram normas rígidas contra o que chamam de “desordem online” e práticas abusivas relacionadas a preços. Além disso, novas exigências de segurança entraram em vigor, como a obrigatoriedade de baterias que não sofrem explosão ou incêndio e a padronização de maçanetas embutidas.

A Geely (e suas submarcas), por outro lado, cresceu rápido em 2025: registrou vendas de 2,60 milhões de unidades na China em 2025, um aumento anual de 46,9%, e que a colocou em segundo lugar no mercado local (11% de participação). O carro mais vendido na China em 2025 foi o Geely EX2, e este ano ela está à frente da BYD.
Enquanto isso, a Chery manteve sua liderança isolada como a maior exportadora da China. Em 2025, a Chery enviou mais de 1,3 milhão de veículos para fora da China (alta de 17,4%), sendo que quase metade de sua produção total agora é vendida no exterior.
Já as joint ventures com japonesas (Toyota, Honda e Nissan) viram a participação de mercado combinada despencar para menos de 9% na China – um contraste brutal com os mais de 20% que detinham há poucos anos. O gráfico abaixo mostra crescimento e market-shares das marcas na China.

O que esperar em 2026
Especialistas dizem que a indústria chinesa entrou em fase de “microcrescimento” e maturação tecnológica. Com a chegada da tecnologia FSD (Full Self-Driving) da Tesla ao mercado chinês em 2026, o foco da disputa deixará de ser o preço. “A lógica de competição vai migrar do ‘jogo de preços’ para a ‘competição de valor’ e inovação tecnológica”, aponta o relatório da GlobalData.
O horizonte para 2026 é otimista, afinal o Canadá retirou parte de suas restrições e abriu uma cota inicial para importação de 49 mil veículos chineses (BEVs, HEVs e PHEVs) com tarifas reduzidas, de apenas 6,1%.
Na União Europeia, o Grupo Volkswagen fechou um acordo para evitar tarifas adicionais, sinalizando que outras montadoras podem seguir o mesmo caminho de negociação. Por fim, o Brasil, apesar da alta no Imposto de Importação, continua importando muitos carros da China – já representam cerca de 10% das vendas aqui, mas esse número deve subir, principalmente com cada vez mais marcas importando kits CKD/SKD para montar no Brasil.
Com subsídios governamentais mantidos e acordos comerciais em expansão, o ano de 2026 promete ser o marco da consolidação definitiva dos automóveis chineses no cenário global.
Fonte: JustAuto
