Muito já se falou sobre os riscos de atravessar uma área inundada ou uma rua com enchente com veículos convencionais equipados com motor de combustão interna. Sabe-se que água em nível mais alto do que a altura dos pneus, atingindo as rodas, pode causar transtornos que vão desde a admissão de água pelo motor, o que certamente fará com que ele pare de funcionar.

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Enchente em São Paulo – Foto: reprodução

Em situações mais graves, pode ser que a água atinja a parte inferior do assoalho, fazendo com que o carro flutue e o motorista perca o controle da direção. Por questões claras de segurança, deve-se evitar atravessar trechos alagados ou ruas com enchentes que tenham profundidade superior a 20 cm.

Enchente com híbridos e elétricos

Tesla Model 3 na enchente – Foto: reprodução/Motor1

Mas, se você estiver com um carro elétrico ou híbrido, o que fazer? Afinal, em um carro elétrico não existe admissão de ar para um motor de combustão que possa “afogar” a máquina e parar o veículo. Diante desse cenário, é possível enfrentar regiões alagadas? Se a água estiver até a altura dos pneus, é possível passar pela região alagada ou pela rua com enchente em velocidade moderada. Isso, claro, apenas se for possível visualizar com segurança a direção da rua.

Ainda assim, existe o risco de haver um bueiro sem tampa ou um buraco inesperado criado pela força da enxurrada. Mesmo tecnicamente sendo possível transpor regiões com água abaixo de 20 cm, o risco é elevado e o ideal, pensando na segurança de motorista e passageiros, é não arriscar.

Toyota Prius na enchente – Foto: divulgação

Vedações

Nos carros elétricos, há uma preparação específica dos fabricantes, que vedam a bateria e as centrais eletrônicas responsáveis por comandar todo o veículo. Por isso, tecnicamente falando, é possível superar locais alagados desde que não ultrapassem os tais 20 cm. Mas é importante destacar que, se o carro ficou estacionado em uma rua que se alagou devido às fortes chuvas, o motorista de um carro elétrico não terá grandes problemas desde que a água não tenha penetrado no interior do veículo.

Nissan Leaf elétrico na enchente – Foto: divulgação

No entanto, se as centrais eletrônicas de comando chegaram a ser molhadas e o veículo permaneceu por mais de uma hora dentro da enchente, as conexões podem ter recebido umidade excessiva. Nesse caso, haverá problemas de oxidação dos contatos, o que certamente resultará em falhas no funcionamento do veículo, desde leituras incorretas no painel até a ausência de comandos básicos, como andar para frente ou dar marcha à ré.

Como a bateria do carro elétrico é instalada no assoalho e este é protegido contra a entrada de água, tem-se também uma superfície inferior relativamente plana. Essa característica pode fazer com que o veículo flutue ao enfrentar um volume maior de água. Nessa situação, o motorista perde o controle da direção e passa a ser apenas um passageiro, pois o carro irá para onde a correnteza da água determinar. Trata-se de um problema gravíssimo. Mais uma vez, a melhor recomendação é não arriscar.

Tesla Model Y na enchente – Foto: Agência REX/reprodução

Choque? Não!

Em um carro elétrico, uma das maiores preocupações do motorista ao atravessar uma região alagada costuma ser o risco de choque elétrico, já que a água reduz o isolamento elétrico. Quanto a isso, não há grandes preocupações. Os cabos de alta tensão dos carros elétricos são facilmente identificados pela cor laranja e possuem excelente isolamento, evitando que, mesmo com o veículo dentro da água, a carroceria ofereça risco de choque elétrico ao motorista ou aos passageiros. Esse risco praticamente não existe.

Tesla Cybertruck na enchente – Foto: reprodução/Techrax no YouTube

De modo geral, a bateria é muito bem isolada e protegida da água por pelo menos uma hora. Já as centrais eletrônicas de comando estão posicionadas aproximadamente na altura dos para-lamas. Assim, se o veículo permanecer por mais de uma hora em uma rua inundada, com volume de água superior a meio metro, pode ser necessária uma revisão completa dessas centrais e de suas conexões, evitando a oxidação dos contatos e problemas sérios no funcionamento do veículo no futuro.

Híbrido aspira água na enchente

Se o veículo for híbrido, ou seja, capaz de se locomover tanto com motor de combustão interna quanto, em condições favoráveis, com motor elétrico, os cuidados devem ser redobrados. Nesse caso, existe o risco de o motor de combustão aspirar a água da enchente e ser irremediavelmente danificado, além do cuidado necessário com a bateria, que também não pode ser molhada, sob pena de prejuízo ao seu funcionamento.

BYD Song Plus 2026 – Foto: Lucca Mendonça

O risco de flutuação numa enchente de águas mais profundas é o mesmo observado tanto nos carros com motor a combustão quanto nos veículos totalmente elétricos. Por isso, a recomendação de não adentrar regiões alagadas ou ruas inundadas é ainda mais séria nos híbridos, pois há o risco combinado de afogamento do motor convencional e danos à bateria do sistema elétrico.

O melhor? Não arriscar

De maneira geral, fica claro que adentrar regiões alagadas ou ruas inundadas representa sempre um risco muito alto para a segurança de motorista e passageiros. Por mais calma e tranquila que uma rua inundada possa parecer, nunca é possível saber com certeza o que há debaixo da água. O motorista pode descobrir tarde demais que caiu em uma armadilha ao tentar atravessar um trecho aparentemente curto e seguro.

Enchente em São Paulo – Foto: reprodução

Com frequência, pessoas são pegas de surpresa por inundações e, muitas vezes, o resultado é fatal. Por isso, o melhor é não arriscar em enchentes, mesmo que você conheça bem aquele trecho. Água é para barcos, não para carros. Na melhor das hipóteses, o prejuízo será financeiro. Na pior, as consequências podem ser trágicas para motorista e passageiros. Preserve seu carro e, principalmente, sua vida. Não se arrisque numa enchente.