Comparativo: Toyota Hilux vs. Nissan Frontier

Enfim, a picape da Nissan ganhou uma nova geração. E chegou trazendo inovações no visual e na engenharia. Será que ela é páreo para a poderosa rival da Toyota?

“Porrada na orelha”, como um heavy metal, Nissan Frontier e Toyota Hilux não só aguentam o trabalho pesado, como até transmitem conforto e conveniência. A 12ª geração da Frontier vem do México e a partir de 2018 sairá de Santa Isabel, na Argentina, ao lado da Renault Alaskan e da Mercedes-Benz Classe X. Se você realmente precisa de uma picapona, para serviço ou idas ao shopping e supermercado, vai ter que desembolsar R$ 190.920 pela Hilux SRX ou R$ 166.700 pela Frontier LE (versão única). A Hilux é cara.

Aliás, seu valor consegue ser superior ao das versões de topo de linha a diesel das rivais Chevrolet S10, Volkswagen Amarok, Ford Ranger e Mitsubishi L200 Triton Sport. Mesmo assim, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nos quatro primeiro meses deste ano, ela soma 9.921 unidades licenciadas, enquanto a Frontier tem apenas 1.259. A Frontier em nada lembra sua antecessora, pois foi completamente reformulada tanto no visual quanto na engenharia. Ela ganhou um chassi “Duplo C” (um sobreposto ao outro) de aço reforçado e quatro vezes mais resistente comparado ao da geração anterior.

Entre os benefícios estão melhores rigidez torcional e robustez. A estrutura foi submetida a uma dieta, perdendo 44 kg no chassi, 94 kg na carroceria e 38 kg em outras peças. O corpanzil mais enxuto conferiu 1.985 kg para a Nissan, contra 2.090 da Toyota. Mais leve que a rival, a Frontier ficou bem acertada de andar. Ao volante, a condução da picape da Nissan fica prazerosa pelo novo motor 2.3 biturbo de 190 cv (mesma potência do antigo 2.5 turbodiesel) garantindo arrancadas vigorosas, baixos ruídos/vibração e deixando a Hilux comendo poeira, com seu 2.8 turbinado de 177 cv.

O torque em ambas é de 45,9 kgfm, porém, na Frontier entregues mais cedo (a 1.500 rpm). A Frontier recebeu câmbio automático de sete marchas substituindo o anterior de cinco – em outros países, essa nova caixa é utilizada, nos modelos Patrol, Armada, 370Z e Infiniti Q50, só para citar. A transmissão da Frontier se sobressai à da Hilux (de seis velocidades) ao oferecer um funcionamento mais ágil, tanto nas mudanças quanto nas reduções de marchas. Já as trocas sequenciais podem ser feitas só pela alavanca nos dois utilitários. A Hilux possui um atrativo, com os modos Eco e Power responsáveis por mudar as respostas, privilegiando a economia ou o desempenho.

As duas usam direção assistida hidraulicamente, entretanto, as respostas são demoradas na Hilux e mais diretas na Frontier. O tão criticado raio de giro da picape da Nissan foi corrigido, indo a 12,4 m (11,8 m na Hilux). Para facilitar a vida do motorista nas manobras ou nas balizas, a Frontier tem de série o sensor de ré, que é inexistente na Hilux SRX – um erro em um utilitário de mais de 5 metros. Fora a conveniência de estacionar sem esbarrar no carro detrás, a Frontier ainda oferece melhor controle da carroceria nas curvas e uma eficiente suspensão traseira.

Esse conjunto usa eixo rígido conectado por links e foi uma solução de engenharia em prol do conforto, da precisão e da estabilidade em curvas. De acordo com o Nissan, as unidades importadas para o Brasil têm alterações nas molas/amortecedores em relação ao modelo à venda no México. Na Hilux, o pula-pula fica mais evidente ao passar por buracos e outras imperfeições – as rodas de aro 18” da Toyota vestem pneus com perfil mais baixo (265/60 na Hilux e 255/70 na Frontier).

Dirigibilidade é importante, mas quando falamos de picapes o tamanho da caçamba pode influenciar e decidir a compra. Nesse quesito, a Hilux ganha no compartimento maior. Já a capacidade de carga é melhor na Frontier (1.050 kg) que na Hilux (1.000 kg). A caçamba da Frontier traz ganchos deslizantes, que ajudam na hora de levar uma bicicleta, e tomada de 12V. As duas picapes possuem seletor de tração giratório no painel (4×2, 4×4 e 4×4 reduzida). Caso você enfrente algum trajeto fora-de-estrada, não se preocupe. As adversidades são vencidas sem estresse pela Frontier, com ângulo de entrada de 31,6°, de saída de 27,2° e 292 mm de altura livre do solo. Na Hilux, são 31°, 26° e 286, na ordem.

Foi-se o tempo em que as picapes eram espartanas. Elas assumiram um lado mais familiar e amigável. O acabamento da Toyota é melhor. Assim como oferece bancos mais confortáveis, envolventes e uma posição de dirigir mais alta. Nas duas, há ajustes elétricos do assento do motorista – a Frontier se sobressai pelo aquecimento dos bancos dianteiros. Os vidros elétricos da Hilux possuem a função de um toque para subida e descida – a Frontier, só oferece isso no vidro do condutor. As versões avaliadas SRX da Toyota e LE da Nissan traziam a chave presencial e partida por botão, outro requinte vindo do segmento de luxo.

Em tempos de conectividade, as centrais multimídias estão presentes nas duas picapes, mas a da Hilux irrita pela interface pouco intuitiva e pela demora da resposta aos comandos. Na picape da Toyota, também incomodam os botões sem função no painel, o arcaico reloginho digital e o desenho antiquado do seletor do piloto automático (esses dois emprestados do Corolla). O ar-condicionado da Nissan é de duas zonas, enquanto o da Hilux é de uma – as saídas traseiras estão nos dois utilitários. A coluna de direção pode ser ajustável em altura e profundidade na Hilux e só em altura, na Frontier.

Na Nissan, por conta do design do volante, muitas vezes acontece de se acionar a buzina sem querer. Quem viaja atrás na Hilux não encontra bom espaço para as pernas, devido ao entre-eixos menor. Sentado na Frontier, o encosto do banco tem novo ângulo de inclinação beneficiando o bem-estar. Uma falha está na ausência do isofix para fixação de cadeirinhas infantis (a Hilux oferece). A Frontier só tem os airbags dianteiros e a Hilux traz a mais os laterais, de cortina e de joelho para o condutor.

A Frontier mudou radicalmente do para-choque dianteiro ao traseiro. E está bem melhor em relação à geração passada. Seus trunfos estão no conjunto mecânico afinado e no preço competitivo. Ela pode até dever alguns equipamentos presentes na Toyota Hilux e em outras picapes médias. No entanto, frente a frente com a Hilux, a Frontier pode “bater no peito e falar” que tem o custo das peças e das revisões mais em conta, além de boa dirigibilidade na cidade. A vencedora desse comparativo não poderia ser outra: deu Nissan Frontier!

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