Honda apresenta o cupê Sports EV Concept e confirma produção do Urban EV em 2019

O carro 100% elétrico e com inteligência artificial estreia na Europa em 2019 e chega ao Japão em 2020, mas o presidente mundial da Honda, Hachigo San, disse que a realidade do Brasil é diferente


A Honda anunciou no Salão de Tóquio que o conceito Urban EV será produzido a partir de 2020. O carro, um hatchback compacto 100% elétrico, faz parte da estratégia da marca de massificar sua linha de produtos para esse novo mundo. O Honda Urban EV contará com as mais avançadas baterias, com capacidade para rodar centenas de quilômetros, e inteligência artificial. O carro é 10 cm mais curto que o Honda Jazz (equivalente ao Fit brasileiro).

O Urban vai muito além de ser um veículo elétrico. Ele traz uma inovação de conceito que está em linha com a filosofia da Honda de manter acesa a paixão pelos carros. Portanto, o Urban é um carro baixo, de duas portas, ideal para rodar na cidade, e que interage com os demais veículos das ruas ou com os pedestres. Assim, a interatividade do Honda Urban, presente no painel dos carros do futuro próximo, chegou também à parte de fora do veículo. No lugar da grade, existe um painel digital que passa mensagens de textos e sinais gráficos. Claro que a versão de produção trará modificações visando a segurança.

Mas a Honda quer mais. Por isso, aproveitou a 45ª edição do Tokyo Motor Show para apresentar também uma versão cupê dessa nova linha de carros elétricos. Com o mesmo conceito do Urban, o Honda EV Sports Concept é um cupê esportivo de dois lugares para entregar ainda mais prazer ao volante. A linha é completada com o NeuV, um veículo “aventureiro”.

Mais tarde, conversando exclusivamente com jornalistas brasileiros presentes ao Salão de Tóquio, Hachigo San disse que a eletrificação dos carros está se tornando uma realidade no Japão, em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, mas que o Brasil tem outra realidade. Ao lado de Issao Mizoguchi – o primeiro brasileiro a virar diretor mundial da Honda e chefão das operações no Brasil –, Hachigo San disse que “em países como o Brasil os motores convencionais ainda são mais adequados”. Dessa forma, nenhum dos dois confirmou que o novo CR-V híbrido será comercializado em nosso mercado.

PAIXÃO PELO CARRO E COMPETIÇÕES

O CEO mundial da Honda insistiu na filosofia de que a eletrificação dos carros não pode tirar o prazer da condução. “O automóvel tem que ser divertido, mesmo com eletrificação, e isso não mudou. Questionado por um jornalista sobre as diferentes tendências que de tempos em tempos domina a narrativa da indústria automobilística, Hachigo San afirmou que não se trata de modismo e sim de uma busca para atender os desejos do consumidor.

“Sou engenheiro, trabalhei 26 anos na área de pesquisa da Honda, e naturalmente nossos carros são feitos para serem comprados por clientes comuns, diferentemente de um foguete, por exemplo”, disse Hachigo. “Um foguete tem um propósito lógico, por exemplo, chegar até à Lua. Não precisa cumprir outros compromissos além disso. O nosso produto é muito diferente. Um carro é projetado e fabricado para que o cliente sinta o produto. Então, para nós, a tecnologia é apenas uma ferramenta para atender à necessidade daquele momento. Nós usamos a melhor tecnologia disponível para tornar nosso cliente feliz. Então acreditamos que é preciso fazer isso com paixão. Se nós temos como meta zero acidentes com nosso produto, temos que usar uma tecnologia que cubra a falha do ser humano. Estaremos sempre buscando novas tecnologias para fazer nosso cliente feliz.”

Quanto ao movimento de várias marcas para a Fórmula E, especialmente a arquirrival Nissan, a Honda não pretende seguir os mesmos passos. Pelo contrário. “A Fórmula 1 tem um sistema híbrido, enquanto a Fórmula E é apenas elétrica”, Já temos um desafio na Fórmula 1 e somos suficientemente inteligentes para não entrar em dois desafios ao mesmo tempo”, disse Hachigo. “Portanto, não vamos participar da Fórmula E enquanto não obtivermos resultados positivos na Fórmula 1. Esperamos vencer na Fórmula 1 dentro de um período de dois anos.”