A Honda terá seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como uma empresa de capital aberto, atingida por até US$15,7 bilhões em custos de reestruturação em seu negócio de veículos elétricos, disse a companhia nesta quinta-feira. Sob o comando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Washington encerrou o apoio aos veículos elétricos, forçando montadoras como Ford e Stellantis a repensarem estratégias e registrarem baixas contábeis bilionárias.

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Honda Prelude 2027 no Salão do Automóvel – Foto: Lucca Mendonça

Qual o rombo previsto?

A segunda maior montadora do Japão disse nesta quinta-feira que espera um impacto de até 2,5 trilhões de ienes (US$ 15,7 bilhões) com o cancelamento de três modelos de veículos elétricos planejados para produção nos EUA. Embora os analistas esperassem mais perdas relacionadas a veículos elétricos na Honda, o tamanho da baixa contábil anunciado nesta quinta-feira foi uma surpresa, disse Julie Boote, analista de automóveis da Pelham Smithers Associates.

Honda SUV e: Prototype – Foto: divulgação

“A principal surpresa foi o fato do programa de produção dos EUA ter sido cancelado, em vez de apenas reduzido. A Honda tinha um plano de expansão de veículos elétricos muito ambicioso, que foi gravemente afetado pelas mudanças no ambiente do mercado”, disse Boote.

China envolvida novamente

Logo da Honda em veículo fabricado pela montadora na sede da empresa em Tóquio 02/02/2017 REUTERS/Toru Hanai

O presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, disse em a jornalistas que a demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando “muito difícil” manter a lucratividade. A Honda também está reduzindo o valor de seus negócios na China, onde tem lutado para competir com modelos oferecidos por rivais como a BYD.

A empresa ainda disse que espera ter prejuízo de até 570 bilhões de ienes (US$ 3,6 bilhões) no ano fiscal que termina no final de março, em comparação com a previsão anterior de lucro de 550 bilhões de ienes. O resultado negativo será o primeiro prejuízo anual da companhia desde que foi listada no mercado de ações em 1957, disse um porta-voz da montadora.

Linha de produção da Honda Motocicletas, em Manaus
Linha de produção da Honda Motocicletas, em Manaus – Foto: Honda/divulgação

Honda e outras perdas bilionárias

Várias montadoras globais registraram baixas contábeis dolorosas ao reduzirem suas ambições sobre veículos elétricos nos últimos meses. A perda na japonesa eleva o total do setor para cerca de US$67 bilhões. A General Motors alertou para encargos de US$7,6 bilhões, enquanto a Stellantis sinalizou US$25 bilhões e a Ford US$19 bilhões.

Logo da General Motors na sede da companhia em Detroit, EUA 16/03/2021
Logo da General Motors na sede da companhia em Detroit, EUA 16/03/2021 – Foto: REUTERS/Rebecca Cook

Além de seus principais mercados, Japão e EUA, a fabricante japonesa disse que fortalecerá sua linha de modelos e a competitividade de custos na Índia, onde vê espaço para expansão. Sob pressão dos rivais chineses na Ásia e em outros lugares, as montadoras japonesas têm se concentrado cada vez mais na Índia, um mercado onde – como nos EUA – as montadoras chinesas estão efetivamente excluídas.

Executivos abrindo mão de salários

Mibe e o vice-presidente executivo da Honda, Noriya Kaihara, renunciarão voluntariamente ao equivalente a 30% de sua remuneração por três meses, enquanto alguns outros executivos abrirão mão de 20%, informou a Honda. A empresa planeja anunciar uma estratégia de negócios renovada de médio a longo prazos no próximo ano fiscal.

O CEO da Honda, Toshihiro Mibe, discursa em uma coletiva de imprensa em Tóquio, Japão, em 20 de maio de 2025
O CEO da Honda, Toshihiro Mibe, discursa em uma coletiva de imprensa em Tóquio, Japão, em 20 de maio de 2025 – Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon