Impecável

EMISSÃO DE CO2 161 G/KM MÉDIA

VW PASSAT 2.0 TSI ESTIMADO R$ 115.000

Desenvolver este novo Passat, que começa a ser vendido no Brasil, deve ter sido uma tarefa ingrata. O modelo disponível até hoje precisa de uma renovada visual, é verdade, mas, no resto, seu conjunto era impecável – e deve ser difícil mudar um carro que não precisa de mudança. A solução encontrada pela marca foi somar tecnologia, dar uma modernizada no motor e deixar o sedã mais refinado.

Alguns consideram exagero chamar essa atualização de uma nova geração, mas, apesar de sua plataforma ter sido mantida, o design foi bem alterado (inclusive nas laterais, que, em um facelift tradicional, não costumam mudar). E, como visualmente ele ficou bastante diferente do modelo anterior, dá sim para falar em uma nova geração.

Quem acompanha a MOTOR SHOW já havia conferido a avaliação desse Passat na edição de dezembro passado. Na ocasião, acelerei em Barcelona (Espanha) um modelo 1.8. Para os brasileiros, ele ganha um motor 2.0 mais potente, é verdade, mas perde itens mostrados em nosso primeiro contato, como os faróis altos adaptativos (que “enxergam” carros no sentido contrário), o sistema de abertura do porta-malas com uma “passada de pé” debaixo do terceiro volume, a regeneração de energia de frenagem e o dispositivo eletrônico que “puxa” o carro de volta à pista, caso o motorista mude de faixa sem dar a devida seta.

Ao acionar a ré, o logotipo traseiro se abre, revelando a câmera que auxilia nas manobras

Com um dos melhores conjuntos mecânicos da atualidade, ele alia um ótimo consumo a um excelente desempenho

VW Passat 2.0 TSI

Motor quatro cilindros em linha, 2,0 litros, 16V, comando variável, injeção direta, turbo Transmissão manual automatizada, seis marchas, dupla embreagem (DSG), borboletas no volante, tração dianteira Dimensões comp.: 4,77 m larg.: 1,82 m alt.: 1,48 m Entre-eixos 2,712 m Porta-malas 485 litros Pneus 235/45 R17 Peso 1.474 kg • Gasolina Potência 211 cv de 5.300 a 6.200 rpm Torque 28,5 kgfm de 1.700 a 5.200 rpm Velocidade máxima 210 km/h (limitada) 0 100 km/h 7,6 segundos Consumo cidade: 10,5 km/l / estrada: 16,4 km/l Consumo real cidade: 8,1 km/l / estrada: 11,6 km/

Isso não quer dizer que o Passat destinado aos brasileiros não dê um show de tecnologia. O piloto automático adaptativo (ou ACC), por exemplo, é útil em estradas cheias: usando um radar, ele reduz a velocidade automaticamente, caso um veículo lento entre na frente, e depois retoma a velocidade programada quando a via é liberada. Já o sistema Front Assist aproveita o mesmo radar para frear sozinho o carro se detectar uma colisão iminente em velocidades de até 30 km/h; se vir risco de colisão acima dos 30 km/h, emite alerta visual e sonoro e aumenta a carga dos freios para quando o motorista acionar o pedal.

E ainda há mais. Com tração dianteira, apesar das ótimas suspensões, o Passat tem tendência ao subesterço. Para evitálo, o sistema XDS funciona como um bloqueio transversal do diferencial, atuando sobre a roda do lado de dentro da curva. Nas serra de Campos do Jordão (SP) comprovei a eficácia do sistema. Levando o sedã ao limite, fiz a eletrônica trabalhar algumas vezes. Para finalizar o pacote tecnológico, o Passat traz a segunda geração do sistema Park Assist. Agora, além de estacionar o carro em vagas tradicionais quase sem interferência do motorista, ele também tira o carro da vaga e estaciona em vagas perpendiculares (como as dos shopping centers).

MAIOR SIM, MAS NÃO MELHOR

Apesar de o novo Passat norte-americano ter sido apresentado ao mundo depois do europeu, seu projeto e seu design foram concluídos antes. Por isso, suas linhas serviram de inspiração para o carro que será vendido aqui. O modelo fabricado nos EUA foi focado no consumidor americano, que considerava o Passat anterior muito “europeu”, ou seja, exageradamente refinado e caro, além de pequeno demais para os padrões locais. O sedã americano é maior (tem 2,803 m de entreeixos e 4,87 m de comprimento) e utiliza o motor cinco cilindros 2.5 de 170 cv da nossa Jetta Variant e do antigo Jetta Sedan. Além de um V6 de 280 cv e de uma unidade diesel.

Posicionado acima do Jetta, o novo Passat compartilha com ele o motor Audi/VW 2.0 TSI, com modificações sutis que aumentaram sua potência. Enquanto o Jetta Highline tem 200 cv, o Passat tem 211 cv (mas com velocidade limitada a 210 km/h, enquanto o Jetta, sem limitador, atinge 238 km/h). O torque continua em 28,5 kgfm de 1.700 a 5.200 rpm – e aí está um dos segredos de sua dirigibilidade impecável. Combinado com o ótimo câmbio automatizado de dupla embreagem (DSG), forma um dos conjuntos mecânicos mais atraentes da atualidade, capaz de combinar excelente desempenho com baixo consumo de combustível.

De fato, quase um carro sem defeitos. Motor e câmbio são excelentes, a direção é precisa, o acabamento é refinado (bem mais que no novo Jetta). Um pacote extremamente atraente, sem dúvida, mas tão certinho que, para quem busca emoção, fica devendo. A sobriedade de suas linhas se repete na sensação que passa ao motorista. Falta um pouco de ousadia e uma dose de emoção.

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