O mercado automotivo brasileiro entra em 2026 sem o principal “amortecedor” tributário para carros importados dos últimos anos. Com o fim da isenção temporária para unidades trazidas em regime CKD e SKD, a montagem parcial no Brasil deixa de ser um atalho fiscal e passa a pesar mais no custo dos veículos. Hoje, marcas como BYD, GWM e Chevrolet trabalham nesses métodos de montagem de carros importados no Brasil.

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Fábrica da GWM em Iracemápolis – Foto: Divulgação

Carros importados em CKD/SKD perderam benefícios

Até janeiro de 2026, fabricantes que traziam veículos desmontados para finalizar a montagem no Brasil gozavam de uma janela especial de isenção de imposto de importação para volumes determinados. Esse mecanismo foi usado principalmente por marcas de eletrificados para ganhar tempo: permitia vender carros com preço mais competitivo enquanto estruturavam produção local. Essa fase acabou no último dia 31.

Fábrica da GWM em Iracemápolis – Foto: Divulgação

Com o encerramento do benefício, voltam a valer as alíquotas “padrão” para kits importados: CKD (completamente desmontado) voltam a pagar cerca de 16% de imposto de importação, enquanto os SKD (semidesmontado) são taxados em cerca de 18%. Esses percentuais já existiam como base regulatória antes da isenção. A diferença agora é que eles voltaram a ser cobrados de fato, elevando o custo de carros importados que vinham surfando o período de alívio tributário.

Taxação tende a crescer para carros importados

E o cenário não para por aí. A política industrial em curso aponta para uma convergência gradual dessas alíquotas até 35% em 2027, o mesmo patamar aplicado aos carros totalmente importados. Ou seja, a vantagem fiscal da montagem por kits tem data para desaparecer.

Fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia (Foto: divulgação)

O efeito no mercado é imediato. Veículos montados via CKD/SKD deixam de ter a proteção de preço que tinham até o ano passado. Marcas que apostaram forte nesse modelo agora enfrentam três caminhos: subir preço, comprimir margem ou acelerar nacionalização de peças.

Essa mudança também redefine a estratégia das fabricantes. Se antes bastava montar parcialmente para ganhar competitividade fiscal, agora só produção com conteúdo local real passa a fazer sentido no longo prazo. Quem não avançar nesse sentido ficará refém dos 35%.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) – Foto: Divulgação

Marcas buscam aumentar nacionalização

A BYD é o exemplo mais visível desse movimento. A marca cresceu rapidamente com importados e depois avançou para montagem em SKD no Brasil. Com a volta dos impostos, o próximo passo deixa de ser opcional: ampliar peças nacionais para blindar preços e manter volume. Essa já foi uma estratégia oficializada pelos executivos da marca.

Linha de montagem Chevrolet Spark EUV em Horizonte, no Ceará – Foto: divulgação

No fim das contas, 2026 marca o encerramento da fase de transição confortável para CKD e SKD. A volta dos impostos fecha a porta do atalho tributário, acelera decisões industriais e empurra o mercado para um novo equilíbrio: quem tiver mais peças importadas, paga mais imposto, seja o carro montado aqui ou não. Que comece a corrida para nacionalização dos carros importados…