Julho será um mês decisivo para carros híbridos, plug-in e elétricos importados. Isso porque é o mês de aumento nos impostos de importação desses tipos de veículo: a alíquota passará para 35% para todos eles. E os mais prejudicados serão os modelos elétricos, que hoje pagam 25% de taxas: isso indica um aumento pesado, de 40%. 

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BYD Dolphin Mini nacional - Foto: divulgação
BYD Dolphin Mini nacional – Foto: divulgação

Impostos de elétricos: crescente

Esse não é um movimento inédito: o plano do aumento gradual nos impostos de importação para carros eletrificados vindo de fora foi cravado ainda em 2023, a pedido da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O motivo? Proteger a indústria nacional, incentivá-la e, segundo alegação, evitar a invasão de híbridos e elétricos importados, em especial da China.  

Haval H6 GT – Foto: Divulgação

O aumento veio aos poucos: eram 10% em janeiro de 2024, passando para 18% em julho do mesmo ano. Os 25% foram oficializados em julho do ano passado, e devem se manter até junho de 2026. Nesse caso, para carros totalmente elétricos, já que os híbridos convencionais e híbridos plug-in seguem outros percentuais: 30% para o primeiro caso e 28% para o segundo. De qualquer forma, a partir de julho, todos pagarão os mesmos 35%, sem meio-termo.  

Como as marcas escapam

Algumas marcas, porém, fogem dessas alíquotas com produção local, seja em fábricas próprias ou de parceiros: a BYD já faz em Camaçari (BA) o sedan híbrido plug-in King DM-i, o hatch subcompacto elétrico Dolphin Mini, e o SUV híbrido plug-in Song Pro; a GWM monta seu SUV Haval H6, vendido em versões híbridas convencionais (HEV) e plug-in (PHEV), em Iracemápolis (SP); e o Chevrolet Spark EUV já sai da planta parceira em Horizonte (CE). A chinesa Geely comprou parte das operações da Renault do Brasil para produzir seus híbridos e elétricos no Paraná ainda em 2026. 

BYD Dolphin Mini nacional
BYD Dolphin Mini ‘nacional’ – Foto: divulgação

Porém, em todos esses casos, o imposto ainda existe, ainda que em nível reduzido: para quem traz os carros parcialmente desmontados (regime SKD) ou totalmente desmontados (CKD), a taxa não passa de 18%, ou praticamente metade dos 35% que valerão a partir de julho. Essa vantagem deve durar até o começo de 2027, quando os modelos montados em SKD e CKD também pagarão os mesmos 35% dos importados. 

Motivo

Vale lembrar que, oficialmente, a justificativa é fomentar a produção local, com o maior índice de nacionalização possível, dos híbridos convencionais (HEV), híbridos plug-in e elétricos puros (EV). Portanto, esses percentuais de impostos não valem para outros modelos importados, como os movidos apenas por combustível líquido (seja ele etanol e/ou gasolina, ou diesel).  

Volvo XC90 Ultra 2026 – Foto: Lucca Mendonça

E, até agora, enquanto algumas fabricantes “engoliram” os aumentos das alíquotas sem repasse ao consumidor, outras optaram por subir a tabela dos seus eletrificados importados. O resultado disso, de quem absorve e quem repassa, será visto a partir de julho, quando o aumento, de fato, ocorrer.