03/02/2026 - 18:00
O Jetour T1 tem planos audaciosos, afinal, quer disputar mercado com ninguém menos que o Jeep Compass, que já foi líder da categoria de SUVs médios. Para se ter ideia, o SUV da Stellantis vendeu 61 mil unidades ao longo do ano passado. Por outro lado, a chinesa também mira o “primo” Omoda 7 (os dois pertencem ao Grupo Chery), que vendeu bem menos – até porque foi lançado em outubro. Seja como for, a Jetour vai precisar de muita sorte, marketing agressivo e um excelente produto para superar os rivais.
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E é buscando liderar o mercado que a fabricante quer criar raízes no Brasil. Já prometeu instalação de fábrica – ainda não se sabe data e local – e um portfólio com seis carros até o fim deste ano. Para vender esses carros que, a princípio, chegam pelo porto de Vitória (ES), a marca chinesa – que tem um centro de distribuição em Cajamar (SP) – terá 100 concessionários abertos no País até dezembro.

O Jetour T1, apresentado na semana passada, chega às concessionárias em meados de março nas versões Advance e Premium, que têm preços de lançamento (pré-vendas) de, respetivamente, R$ 249.900 e R$ 264.900. Feito na plataforma modular T1X (como os irmãos S06 e T2, o Caoa Chery Tiggo 7 e o Jaecoo 7), o T1 mede 4,71 metros de comprimento, 1,97 m de largura, 1,84 m de altura e 2,80 m de entre-eixos, ou seja, bem maior na comparação com o Jeep Compass, de 2,64 m. No porta-malas, cabem 574 litros. E o espaço pode ser expandido para até 1.455 litros, com o banco traseiro rebatido.
Visual bem resolvido
O visual chama a atenção. É repleto de linhas retas, mais quadradão – daí vem o termo “box”. A semelhança com Jeep Renegade, Ford Bronco e companhia é um bom sinal. Afinal, são carros que agradam bastante o consumidor pela estética. O conjunto óptico conta com faróis e lanternas full LED, e a cereja do bolo é a faixa luminosa frontal contínua. É isso aí, a grade acende e as luzes fazem uma espécie de “dancinha” quando o carro é ligado. Os para-choques são robustos e as lanternas traseiras quadradas levam um contorno que avança pela tampa do porta-malas, como no Volvo EX30.

O que o Jetour T1 oferece?
O T1 é bem completo, principalmente na opção topo de linha. Tem, portanto, central multimídia de 15,6 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, ajustes elétricos para os bancos, abertura do porta-malas elétrica e quadro de instrumentos digital de 10,3″. Além disso, tem carregador de celular por indução, entradas USB e tomada 12V, sistema de áudio Sony, tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos, retrovisores externos com projeção do logo no chão, teto solar panorâmico e iluminação ambiente interna com cores selecionáveis.
Por fim, controle eletrônico de descidas (HDC), piloto automático adaptativo (ACC), farol alto automático, frenagem autônoma de emergência, alerta de saída de faixa ativo, assistente de permanência na faixa, alertas de colisão frontal e traseiro, alerta de tráfego cruzado traseiro, monitores de ponto-cego e alerta de desembarque seguro, também fazem parte do pacote. Tem, ainda, partida remota e chave presencial.

Ao volante
O Jetour T1 usa motorização híbrida plug-in. O PHEV combina o motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e 20,4 kgfm e um propulsor elétrico de 204 cv e 31,6 kgfm. Totaliza 315 cv. Ou seja, bem mais potente que o Jeep Compass Blackhawk, que compensa na tração 4×4 (o T1, apesar do apelo, é 4×2) que acaba de ganhar o novo motor 2.0 quatro cilindros Hurricane Flex (antes, só gasolina), que segue com seus 272 cv e 40,8 kgfm de torque.

Tudo é mediado pelo câmbio 1-DHT que, de acordo com a marca, prioriza o aproveitamento da energia elétrica e térmica. Embora a proposta seja diferente do modelo da Stellantis, o T1 acaba perdendo em desempenho, pois acelera de 0 a 100 km/h em 8,7 segundos (o Jeep, em 6,3). Com torque máximo de 52 kgfm, faz bonito e responde bem aos comandos do pedal do acelerador. E tem modos de condução que podem deixar o carro de mais econômico a mais esportivo.
Durante o test-drive, feito no Autódromo Velocitta, em Mogi-Guaçu, interior de São Paulo, a organização criou trechos com slalom. Desse modo, por ser um carro mais alto, deu para sentir certa inclinação da carroceria. Tudo nos conformes, sem qualquer perigo, que fique claro. O isolamento, no entanto, é excelente. Ponto para a oferta de vidros laterais dianteiros laminados que, além de mais isolamento acústico, protegem os ocupantes de raios UV e são mais resistentes ao estilhaçamento. Assim, gera mais segurança aos ocupantes, principalmente em cidades violentas, como as principais capitais do país.

A condução é acertada. O conjunto de suspensões é composto pelo sistema McPherson na dianteira e multilink atrás, e garante boa dinâmica e filtra bem as irregularidades do solo. Cabe pontuar que estamos falando de um teste em pista de corrida, com asfalto perfeito. Resta entender o comportamento em condução real, com solo ruim.

Seja como for, o Jetour T1 mostra bom desempenho em off-road leve – também testado por MOTOR SHOW durante o evento de lançamento. Em números, o grandalhão de 2 toneladas – ainda assim, garante 1.200 km de autonomia total e 88 km em modo elétrico – tem 28 graus de ângulo de ataque e 28 graus de ângulo de saída. Na hora de frear, eficiência total. Mérito dos freios a disco nas quatro rodas.












