Há um tempo, os chineses tinham a fama de copiar produtos já existentes. Quem aí não se lembra do Lifan 320, por exemplo, que tinha a pretensão de se parecer com o Mini Cooper? Se naquele tempo os carros nada mais eram que cópias mal feitas de veículos que circulavam por aí, hoje são inspirações melhoradas. É inegável que o Jetour T2 se baseou no conterrâneo GWM Tank 300 (há quem o compare até com a gama Defender), porém, com soluções únicas. Não tem tração 4×4, mas compensa na ousadia visual, nas soluções tecnológicas e, principalmente, no preço baixo.

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Jetour T2 – Foto: Motor Show

Na versão topo de linha Premium, o jipão, de R$ 299.900 (o modelo de entrada Advance custa R$ 289.900), oferece recursos de direção semiautônoma nível 2, grade iluminada, sistema de som assinado pela Sony e com 12 alto-falantes, cobertura retrátil no porta-malas, teto solar panorâmico e por aí vai. Ainda assim, custa R$ 39.100 a menos do que o SUV da GWM (de R$ 339.000).

Jetour T2 - Foto: Motor Show
Jetour T2 – Foto: Motor Show

Por outro lado, deixa de oferecer a tração 4×4 e as funções off-road, os pneus todo-terreno, e tecnologias como assistente de estacionamento, detecção de pedestres e sistema de atualização remota, além de ter tela da central multimídia menor. Para mostrar que o carro vale a pena, uma conta feita pela Jetour aponta que a diferença de conteúdo entre ambos supera os R$ 22.000 – e dá vantagem ao novato.

Jetour T2 – Foto: Motor Show

Grandalhão e cheio de estilo

O T2 segue quase a mesma receita do T1, contudo, é maior (4,79 metros de comprimento contra 4,71 m) e tem um motor elétrico a mais em sua configuração híbrida plug-in. Afinal, une motor 1.5 turbo a gasolina (135 cv e 20,4 kgfm) e dois propulsores elétricos (de 102 cv e 17,33 kgfm, e 122 cv e 22,43 kgfm).

Jetour T2 – Foto: Motor Show

Nosso primeiro contato com a versão de topo – visualmente, ambas são totalmente iguais – foi breve, mas suficiente para mostrar que o SUV deixou bem claro à que veio. Já de cara, um modelo robusto, com linhas musculosas, rodas de 20″, rack de teto e estepe pendurado na traseira. As linhas quadradonas deixam um ar meio retrô, mas, ao mesmo tempo, têm modernidade de sobra, com faróis iluminados por LEDs, grade dianteira que acende e carroceria com opção de tom fosco.

Jetour T2 – Foto: Motor Show

Ao subir na cabine (são quase 21 centímetros de altura em relação ao solo), nota-se o ambiente parrudo, com console elevado, alças por todos os lados e materiais de qualidade no habitáculo, como couro ecológico, materiais emborrachados e partes sensíveis ao toque. Tem, também, volante com boa empunhadura e excelente pegada.

Jetour T2 – Foto: Motor Show

Já na pista do Autódromo Velocitta, em Mogi Guaçu, interior de São Paulo (local do evento de lançamento do carro), optamos pelo modo esportivo (são quatro, no total) para sentir a firmeza do T2. Resultado: respostas mais imediatas aos comandos do motorista. Em modo normal, no entanto, o carro fica mais, digamos, solto. Na hora da frenagem, boas respostas do pedal. Nada daquele comportamento brusco que se vê em outros modelos de origem chinesa. Cabe pontuar que ele tem freios a disco nas quatro rodas.

Jetour T2 – Foto: Motor Show

O conjunto de suspensões (independentes) é do tipo McPherson na frente e multilink atrás. Não deu para sentir tão bem, já que o test-drive de lançamento foi realizado em pista, com excelente asfalto. Porém, no trajeto off-road, foi possível notar que os componentes não batem seco. Assim como manda a cartilha de carros chineses, são voltadas mais para o conforto. E o T2 não tem tanta oscilação da carroceria em curvas. Afinal, mesmo se tratando de um carro alto, de 1,88 metro, é pesado: 2.110 kg.

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Motorização é boa, mas não empolga

Mesmo com limite de duas voltas no circuito e uma no trajeto off-road, nota-se que a mecânica do SUV dá conta do recado. A soma total de potência fica em 320 cv, informa a Jetour. Porém, mesmo com seus 62,2 kgfm de torque combinado, o SUV deve um pouco em fôlego em trechos que somam saída de curva e ladeira, por exemplo. Fica nítido que a retomada de velocidade não é gradual e constante. O câmbio Super Hybrid de três marchas (3-DHT) até tenta, mas sem muito sucesso.

Jetour T2 – Foto: divulgação

Todavia, cabe aqui um adendo: esse não é o habitat natural desse tipo de carro e não dá para esperar desempenho de superesportivo. Ou seja, em condições normais, como na cidade e em estradas, por exemplo, a situação pode ser diferente. Quando o modelo 4×4 estiver à venda (previsão para este ano), a coisa tende a melhorar.

E no off-road?

Durante o test-drive, também teve trecho off-road. Embora, como supracitado, o grandalhão não tenha tração 4×4, oferece soluções para encarar terrenos acidentados. O controle eletrônico de descidas (HDC), por exemplo, é uma “mão na roda”. Basta acioná-lo, tirar o pé dos pedais, e o carro se encarrega, sozinho, de atuar nos freios de cada roda, independentemente, a fim de não deixar o carro sair dos trilhos. Nessa hora, para não perder a noção do que acontece do lado de fora do veículo, basta acionar a câmera de 540 graus.

Jetour T2 – Foto: divulgação

Além disso, as medidas do T2 ajudam, muito, o motorista que encara esse tipo de terreno. O ângulo de ataque é de 28 graus e o de saída fica em 30. E se tiver trecho alagado, o SUV também encara, afinal, resiste à áreas alagadas de até 700 milímetros, com monitoramento de profundidade. Por fim, se o lema é encarar a estrada e encher o porta-malas, zero problemas. Afinal, são 580 litros e, com o banco de trás rebatido, o espaço sobe para quase 2.000 litros.

Jetour T2 – Foto: Motor Show

Consumo

Por falar em pegar a estrada, vale lembrar que, de acordo com o Inmetro, o Jetour T2 faz, no modo elétrico, o equivalente a 27,6 km/l na cidade e 23,4 km/l em trecho rodoviário. O consumo combinado é de 25,7 km/l. Assim como no irmão T1, tem baterias de 26,7 kWh. No entanto, percorre até 75 km.

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Considerando o modo híbrido, todavia, que alcança até 1.100 km, o consumo combinado é de 11 km/l (10,5 km/l na estrada e 11,4 km/l na cidade). Vale lembrar que os números consideram apenas o uso de gasolina, porque motorização flex, só no futuro.