27/02/2026 - 14:10
O Yaris Cross é um carro com uma história meio embaraçada aqui no Brasil. Teve atrasos de projeto, demoras na homologação, e, quando parecia estar tudo pronto para seu lançamento (inclusive com convites feitos para o evento), a fábrica de motores da marca japonesa foi destruída por uma tempestade em Porto Feliz (SP). Estreia adiada, e o SUV só foi chegar nas concessionárias agora no fim de fevereiro…
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Primeiro SUV compacto HEV
Mas, ele veio com potencial. Conservou a fama de confiável e robusto dos Toyota, e é o primeiro carro do segmento com motorização híbrida convencional (HEV). Mas isso, claro, apenas nas versões mais caras: XRE Hybrid de R$ 170 mil e XRX Hybrid de R$ 190 mil. Justamente a última, mais completa, foi nossa companheira em um breve test-drive pela capital paulista. E o pulo-do-gato do Yaris Cross pode estar justamente nela.

Explico: hoje, os SUVs compactos em versões mais caras rondam os R$ 190 mil ou R$ 200 mil, mesmo. Podem chegar nos R$ 210 mil ou R$ 215 mil com tudo que tem direito, caso de VW T-Cross ou Honda HR-V, respectivamente. Hyundai Creta e Novo Nissan Kicks acabam ficando na faixa dos R$ 200 mil, em suas opções mais caras. Todos completões, mas nenhum é híbrido como o Yaris Cross de R$ 190 mil.

Para quem não tem pressa…
Claro, tem quem prefira a performance de um motor 1.4, 1.5 ou 1.6 turbo, ao invés do singelo 1.5 aspirado + elétrico do Toyota, que não vai muito além dos 110 cv de potência. Porém, quem troca cavalos por mais km/l, já olha com bons olhos para o Yaris Cross Hybrid. Basicamente, é uma nova alternativa ao consumidor que não prioriza performance: ele pode pegar um híbrido convencional pelo mesmo preço.

Ou até menos: frente ao T-Cross 1.4 turbo, por exemplo, que beira os R$ 210 mil completão, o Toyota é quase R$ 20 mil mais barato, e entrega até mais conteúdo de série. Teto-solar panorâmico, tampa do porta-malas elétrica, freio de mão eletromecânico, um belo pacote ADAS, entre outros luxos que o consumidor dessa categoria pede. De quebra, ainda é híbrido. E tem o logo da marca japonesa, que para muitos é valioso, estampado na grade e tampa traseira.

Yaris Cross Híbrido: mais negócio
Sim, então ter um Yaris Cross Hybrid completão, o de R$ 190 mil, parece ser um melhor negócio do que levar para casa as versões convencionais do modelo, aquelas entre R$ 150 mil e R$ 180 mil, que não tem tantos equipamentos de destaque, e trocam a tecnologia híbrida, com toda sua economia e vantagens, por um motor 1.5 aspirado tradicional, sem eletrificação. Um Yaris Cross 1.5 aspirado beira os R$ 180 mil (XRX), faixa onde outros SUVs compactos já levam vantagem na performance, consumo (dependendo), tecnologias embarcadas, tamanho…

A motorização híbrida vale muito na linha desse Toyota. Se não fosse ela, ele certamente precisaria baixar a régua de preços, e teria que brigar no pelotão dos R$ 150 mil, como a Honda fez com seu WR-V aspirado. Sem ser híbrido, o Yaris Cross já se torna uma compra bem menos vantajosa para muitos, que acabam partindo para um concorrente turbo, mais potente, econômico, e, as vezes, mais recheado.

Com a tecnologia da eletrificação plena, já foi possível subir o naipe do carro, recheá-lo com vários equipamentos interessantes, tudo isso por uma cifra menor do que cobram alguns rivais. Isso sem falar das vantagens como a isenção de rodízio em SP capital, ou os benefícios de IPVA em vários Estados do país (descontos ou isenções). De quebra, ainda dá para sair bem na fita com o vizinho, dizendo ter um carro híbrido.

E o carro?
Como um todo, o carro não tem erros. É espaçoso, inclusive para quem viaja atrás e precisa de porta-malas, oferece suspensões confortáveis e bem calibradas, e, ao volante, é justinho e direto como todo projeto japonês que se preze. Só poderia ser mais silencioso: o 1.5 aspirado sob o capô, quando entra em ação para mover o Yaris Cross junto do motor elétrico, grita bastante e se torna incômodo aos ocupantes. Em compensação, pouco se ouve da barulheira mundana, graças a um bom isolamento acústico de ruídos externos. E desempenho, definitivamente, não é seu forte.

Seu acabamento agrada na frente, mas vacila atrás: se painel e laterais das portas dianteiras mostram materiais macios e esmerados, atrás é puro plástico, de qualidade mediana, e até os cromados ou luzes ambientes desaparecem. Vale lembrar que, na essência, esse Yaris Cross é um produto de origem mais humilde, criado para suprir as necessidades de países emergentes, como Tailândia, Indonésia, Vietnã, Filipinas e por aí vai. Bem diferente do irmão homônimo, rico, que atende mercados europeus e do Japão.

Há um bom pacote de equipamentos nessa versão XRX Hybrid de R$ 190 mil: sai na frente do Honda HR-V Touring de R$ 215 mil com teto-solar panorâmico, leva a melhor sobre o T-Cross Extreme de quase R$ 210 mil (completo) graças ao freio de mão eletromecânico e Auto Hold, oferece tampa do porta-malas elétrica que o Nissan Kicks Platinum de R$ 200 mil nem sonha, e por aí vai. Só não espere, de forma alguma, uma performance brilhante, que é compensada com excelentes médias de consumo: o Inmetro fala em 18 km/l de gasolina na cidade, mas é possível passar dos 20 km/l sem esforço algum.
Caso raro
São raros os casos em que a versão topo de linha de um carro se mostra um melhor negócio quando comparada com as mais baratas. Aqui no Yaris Cross, o exemplo é prático: pagar entre R$ 150 mil e R$ 180 mil pelas versões aspiradas não parece atrair, mas levar para casa um híbrido convencional por R$ 170 mil ou R$ 190 mil, dependendo do pacote, já faz brilhar os olhos de muito cliente por aí.




