03/09/2026 - 7:45
Depois do comunista de iPhone, temos o comunista de Range Rover? Piadas à parte, o GAC GS9 lembra um pouco o modelo inglês, o carro da rainha, o rei dos SUVs. E não é só no design, mas também no porte e no luxo. É carro para concorrer com modelos de luxo alemães que custam bem mais que R$ 399.990 — a mesma proposta de BYD Atto 8 e GWM Wey 07, vale dizer.
Com mais de cinco metros de comprimento e quase três de entre-eixos, a proposta é ser uma “casa sobre rodas”, então o GS9 é uma bela sala de estar “4+2” — tem quatro poltronas individuais de couro “napa” com direito a ventilação, aquecimento e massagem (até 18 pontos), além de material “zero gravity” e apoio de pernas com acionamento elétrico para o passageiro dianteiro, e mais dois assentos na terceira fileira.
Altamente luxuoso e tecnológico, o GS9 tem em lista de equipamentos itens como faróis LED Matrix, rodas aro 20, acabamento suntuoso com madeira genuína, enormes telas, sistema de som com 21 alto-falantes (incluindo no encosto de cabeça do motorista, subwoofer e 1.640 watts de potência) câmera de gravação do percurso, estacionamento autônomo em todos os tipos de vaga, ajuste independente de ar-condicionado na segunda fileira, teto panorâmico enorme (dividido em duas seções), mesas para comida/computador e até dispensáveis lanternas com desenhos/animações (com o carro parado).
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O ambiente é realmente muito espaçoso e agradável, e, acima de tudo, silencioso. Esse é o resultado de um sistema de cancelamento de ruído ativo, pelo sistema de som, de vidros laminados duplos na dianteira e traseira e de uma obsessão dos engenheiros em cortar vibrações e decibéis, além de o SUV ter condução urbana principalmente elétrica.
Em meio ao caos da Avenida dos Bandeirantes, lotada de caminhões, o silêncio na cabine era absoluto — neste primeiro e rápido contato, não pudemos explorar o SUV em diferentes condições. Fica para um teste mais longo, em breve.

Com as duas poltronas na fileira do meio, o acesso à terceira é feito passando entre elas, melhor do que quando o banco é para três. O inconveniente é que não há tampão no porta-malas quando é usado com cinco lugares: além de a bagagem ficar mais exposta, objetos menores podem passar pelo mesmo vão. Para adultos, o espaço lá no fundão é razoável, ainda mais comparado ao luxo e amplitude dos demais ocupantes.
O rebatimento dos bancos extras traseiro é totalmente elétrico, dividido 50–50, mas a segunda fileira não pode ser rebatida. Assim, a capacidade do porta-malas vai de parcos 255 litros (com sete assentos em uso) a 1.005 litros (com cinco pessoas). No pacote de segurança, além de ADAS nível dois (com 11 funções), há 9 airbags, incluindo o central, entre motorista e passageiro, e uma cortina que vai até a última fileira.

“Hyper hybrid”
Na mecânica, a GAC agora tem todas as opções de motorização: o GS9 é um modelo híbrido plug-in (PHEV) que chega para completar a linha da gigante chinesa que terá produção nacional em Catalão, Goiás, e já tinha modelos a combustão (GS3), elétricos (os Aion UT, ES, V e Y, além do Hyptec HT), híbrido pleno (GS4) e híbrido plug-in (GS9).
Como analisamos no Blog Sobre Rodas (leia aqui), o marketing mais uma vez foi além: além do “super-híbrido” e do “ultra-híbrido”, a GAC diz que o GS9 é um “Hyper Hybrid”. É mais um PHEV querendo criar nome, exclusividade e hype em cima de uma peculiaridade de funcionamento do sistema.
Ainda segundo a marca, o GS9 é um “PHEV com REEV” (híbrido plugável com [elétrico com] extensor de autonomia). Não é bem assim. O GS9 combina dois motores elétricos de tração, um dianteiro e um traseiro, um motor elétrico junto à transmissão que atua como gerador e um motor 1.5 turbo a gasolina.

MECÂNICA DO GAC GS9
O GS9 é um híbrido plug-in que pode rodar mais de 100 quilômetros (a bateria tem 44,5 kWh) apenas como elétrico, enquanto REEVs de verdade têm autonomia de elétrico de verdade. Mas ele é mais interessante, justamente por poder combinar os motores elétricos e a combustão, que atuam em série ou em paralelo, de modo a entregar até 500 cv de potência e 613 Nm de torque nas quatro rodas (diferentemente do Range Rover, sem pretensão off-road, porém). Chega a 100 km/h em 5,9 segundos.
Como outros PHEVs (Geely EX5 EM-i, por exemplo), o GS9 tem diversos modos e possibilidades de atuação da mecânica, como Inteligente, Prioridade Elétrico e Prioridade Combustão, além de opções 100% elétrico e “carregar bateria”. Tudo pareceu ser muito bem mediado pela transmissão híbrida (DHT), com uma condução especialmente suave e progressiva, sem que o motorista imagine o que está acontecendo.
Não deu para aferir o consumo no curtíssimo contato, mas a marca afirma que fez um teste sem reabastecer nem recarregar, de São Paulo a Ribeirão Preto, ida e volta (cerca de mil quilômetros), e a média ficou em 18,4 km/l (autonomia de 1.000 a 1.100 quilômetros).
A primeira impressão sobre a suspensão foi que parece a dos melhores Mercedes — um sistema de radares “lê” o asfalto e prepara o amortecimento, frenagem e tração, sensores controlam a rolagem… Mas ainda não podemos testar a dinâmica.

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