Impressões: Novo Kia Cerato evolui ao volante

Se a primeira impressão é a que fica, o sedã sul-coreano importado do México agradou

Kia Cerato
Kia Cerato (Divulgação)

O novo Kia Cerato já está entre nós (confira aqui as versões e preços) e tivemos a oportunidade de experimentá-lo no circuito de 2.900 m de extensão da Fazenda Capuava, no interior de São Paulo. Se a primeira impressão é a que fica, o sedã sul-coreano importado do México agradou.

Com visual inspirado no Stinger GT, ele chama a atenção para o design bem resolvido e o coeficiente aerodinâmico melhorado de 0,29 para 0,27 – o do Volkswagen Jetta é de 0,29, só para comparar. Outras particularidades estão nos piscas e na luz de ré na parte inferior do para-choque traseiro, de difícil visualização pelos outros condutores. As rodas de aro 16” usam pneus de medidas 205/60 R16. Entretanto, um conjunto de 17” incrementaria o visual. 

No passado, o motor aspirado 1.6 de 128 cv era um alvo de críticas, porém, agora o Cerato (também conhecido por Kia Forte em outros mercados) traz sob o capô um 2.0 flex de 157 cv de potência com gasolina e 167 cv, quando abastecido com etanol. Esta não é a primeira vez que o Cerato utiliza um propulsor 2.0. Antigamente, o do coupé Koup entregava 156 cv e 19,8 kgfm, só para lembrar.  

Sem dúvidas, essa quarta geração do Cerato ficou melhor de andar graças ao desempenho mais esperto transmitindo boas acelerações – a relação peso-potência da configuração SX (R$ 104.990) é de 7,68 kg/cv contra 9,15 kg/cv do Jetta Comfortline 250 TSI (R$ 109.990), 7,7 kg/cv do Corolla XEI (R$ 110.990), 8,22 kg/cv do Honda Civic Sport (R$ 104.100) e 8,80 kg/cv do Cruze Premier (R$ 122.790). 

Embora ofereça uma dirigibilidade prazerosa, ao contrário dos propulsores do Jetta, do Cruze e do Civic, o dois litros do Cerato não é turbinado tampouco traz o sistema start-stop, que ajuda a reduzir o consumo e as emissões de poluentes durante breves paradas, como nos semáforos. O Corolla ainda possui uma opção híbrida. No Brasil, essa unidade NU2 é aplicada exclusivamente ao Cerato e não é o mesmo motor do SUV Sportage, o qual atende pelo código NU. As principais diferenças estão na redução do atrito das bielas, dos pistões e do virabrequim. O sistema de partida a frio dispensou o tanquinho auxiliar de gasolina. 

A nova arquitetura 20 kg mais leve cooperou na dirigibilidade, assim como as suspensões calibradas para o nosso mercado garantem bom equilíbrio e estabilidade nas curvas.  Ou seja, oferece um bom chão ao apontar com precisão a dianteira e sem demonstrar a tendência da traseira escorregar. Outro destaque está no esterço rápido da direção assistida eletricamente com borboletas para trocas sequenciais. Os pneus de perfil 60 dobram um pouco ao abusar, mas eles ajudam a filtrar e absorver as irregularidades do piso. Isso ficou comprovado ao atacar as zebras do circuito. Somente o câmbio automático de seis marchas poderia ser mais ágil nas mudanças/reduções. 

Estão disponíveis quatro modos de condução: Smart, Comfort, Eco e Sport, que alteram alguns parâmetros, como as respostas ao pedal do acelerador, da transmissão, da direção e do ar-condicionado. Segundo a Kia, o programa Eco proporciona 8% de economia, enquanto no Sport as marchas são esticadas para o Cerato ficar mais divertido ao volante. Em segurança, o sedã recebeu seis airbags (frontais, laterais e de cortinas), controles eletrônicos de tração e estabilidade, freios a disco nas quatro rodas e auxílio de partidas em rampas e sensor de pressão dos pneus. 

Não resta dúvidas que o Cerato evolui. Vai vender? Isso são cenas dos próximos capítulos. Mas segundo a Kia, a expectativa é de comercializar 350 unidades/mês ou 1.200 carros entre outubro e dezembro deste ano. É uma alternativa para fugir do lugar comum de Civic, Corolla, Cruze e Jetta. Ao todo, o Cerato já vendeu mais de 60.000 unidades em nosso mercado. 

OUTRAS NOVIDADES

O Cerato não é a única novidade da Kia em terras tupiniquins. Tivemos um bate-papo com José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil, e estão em homologação o elétrico Soul EV e o SUV híbrido Niro. Este último, equipado com propulsor 1.6 a gasolina associado a outro elétrico para oferecer potência e torque combinados de 141 cv e 26,9 kgfm, respectivamente. 

A dupla deverá desembarcar no Brasil a partir do início do próximo ano. O Niro está no final do processo de homologação, enquanto o Soul também será oferecido por aqui com opção de motor 1.6 a combustão interna. Também está programada a comercialização de outro SUV em nosso mercado,  porém, ainda em definição.