Instrumentos de poder

Roberto Assunção

A quantidade de SW4 circulando pela capital paulista impressiona. O enorme SUV derivado da Hilux é garantia de sobrevivência na selva de pedra. Buracos, valetas, alagamentos… A sensação é a de que, não importa o desafio, você passa por cima. Simples. Isso explica, em parte, o sucesso do jipão. Mas ele também serve para expedições off-road, trabalho de fazenda… qualquer desa o. E isso explica outra parte de seu sucesso.

Agora, com a chegada da nova S-10, a Chevrolet lançou também sua versão SUV, não chamada mais de Blazer, mas de “o” Trailblazer. E como a S-10 cresceu e passou a brigar com a Hilux, sua versão SUV agora encara a SW4. “Pulou” a Captiva na gama Chevrolet, passando, na versão diesel, a custar quase o dobro. Em configuração única, automática de sete lugares, sai por salgados R$ 175.450. Ainda assim, menos que a SW4 equivalente, topo de linha, a única com sete lugares, de R$ 181 mil (com cinco assentos e automática, sai por R$ 176.450; manual, por R$ 166.050). Há ainda versões a gasolina/ ex, mas incomparáveis. A SW4 custa muito menos – R$ 110.660 manual e R$ 115.300 automática –, mas, com motor 2.7 quatro cilindros  ex de 163 cv, tem desempenho sofrível e lista de equipamentos fraca. Para completar, tem tração só traseira. Já o Trailblazer tem uma opção de R$ 145.450, com um 3.6 V6 a gasolina de 239 cv. Acelera mais que a diesel, é quase tão equipado quanto ela e tem câmbio automático de seis velocidades, com tração 4×4 e reduzida.

De longe, o Trailblazer se sobressai: é cinco centímetros mais largo e respeitáveis 17 centímetros mais longo. As rodas são maiores, e o visual, mais moderno. Afinal, a SW4 foi reestilizada em 2011, mas seu projeto básico tem quase oito anos. Está no  m de seu ciclo de vida. Provavelmente ainda este ano vejamos sua nova geração – e da picape Hilux.

Já no acabamento interno, a S10 tem mais elementos que trazem à mente um Cobalt ou um Spin do que um Cruze, enquanto a SW4 tem requinte e materiais do Corolla topo de linha (nos instrumentos, por exemplo, a diferença a favor da SW4 é gritante).Mas o Chevrolet dá o troco na praticidade, ainda mais com sete passageiros, e no espaço interno. Quase dez centímetros maior no entre-eixos, tem espaço de sobra para quem viaja na segunda fileira – mais que na já ampla SW4 – e na terceira. Além disso, manejar os assentos no Trailblazer é mais fácil. No SW4, a terceira fileira tem dois bancos que podem ser levantados para a lateral do porta-malas, em uma operação que exige mais força e trabalho – e ficam ali pendurados, ocupando espaço. Enquanto isso, no Trailblazer os bancos são rebatidos e “desaparecem” no assoalho. Tudo mais fácil e moderno.

Em relação aos equipamentos, as listas são similares. Nenhum deles tem opcionais, mas parte do que falta de série no Trailblazer é oferecida nas concessionárias. E dá para pagá-los com a vantagem de preço – menos pelos airbags laterais, os faróis com acendimento automático e as lâmpadas de xenônio (mais detalhes na tabela ao lado).

Nas ruas e estradas – ou fora delas –, cada uma tem suas vantagens. São construtivamente semelhantes, com suspensões independentes na dianteira e na traseira ( ve-link no Trailblazer, four-link na SW4), mas o Chevrolet é mais confortável, embora mole demais; a SW4 passa mais segurança nas curvas, mas pula bem. Para compensar, a direção da SW4 é mais leve e precisa; no Trailblazer é pesado e exige correções. Já os motores turbodiesel têm potências próximas, mas o Chevrolet tem vantagem no torque. Como é mais pesado, porém, não se sente tanta diferença, mesmo com a marcha a mais na transmissão – que ainda tem a vantagem de permitir trocas sequenciais. O problema do Trailblazer é que o motor é mais lento nas respostas.

No sistema de tração, vantagem para o Trailblazer: além de deixar desacoplar o eixo dianteiro (a SW4 tem tração integral), as mudanças de modo e a seleção de reduzida são feitas por botão, enquanto a Toyota usa alavanca. A capacidade off-road é comparável.

Conclusão? A Toyota SW4 tem até seus atrativos, mas, com a aproximação de sua merecida aposentadoria, fica difícil recomendar sua compra. O Trailblazer é mais indicado se você vai usar mais os bancos da terceira  leira, gosta de um acerto mais voltado para o conforto e está preocupado em ter um modelo mais atual e que permanecerá no mercado por mais tempo. Terá, para completar, um carro mais potente e bem mais forte para aguentar o tranco, seja nas ruas ou no off-road, além de uma rede de concessionárias muito maior. Por outro lado, terá que se conformar com o acabamento interno, que não é nem um pouco primoroso.

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