29/04/2026 - 8:00
A cara de Range Rover não impediu que o Jaecoo 7 fosse o carro mais vendido no Reino Unido em março. Sim, um modelo chinês liderou o ranking de vendas por lá, superando marcas tradicionais e a poderosa (por lá) Ford com seu Puma.
Chegar à liderança de um mercado europeu é um grande feito, sem dúvida — ainda mais considerando que o Jaecoo 7 não está livre de algumas falhas irritantes. Talvez seja resultado do preço dos combustíveis nas alturas, pois a maior qualidade do Jaecoo 7 é justamente o consumo de combustível extremamente baixo, surpreendente até para um carro desse porte — e com a aerodinâmica não muito favorável.
Os preços, aqui no Brasil, começam na faixa de R$ 235 mil e chegam a R$ 257 mil na versão Prestige avaliada, a topo de linha. Não é exatamente barato, mas é um SUV com 279 cavalos de potência e um sistema híbrido muito bom.
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Design e funcionalidade
Curioso o Jaecoo 7 conquistar os britânicos, que não ligaram para o fato de o design ser “inspirado” no dos clássicos Range Rover. Afinal, ele pode não ser original, mas é bastante elegante e familiar, diferentemente dos demais chineses com design mais arredondado ou “Jaspion” demais. Um SUV mais tradicional, digamos assim.

Por dentro, porém, o design é tipicamente chinês… Ou seja, igual a 90% dos conterrâneos. Há uma tela pequena e sem cobertura como quadro de instrumentos, uma tela gigante central — com a diferença de ser vertical, e não horizontal —, linhas bem retas, console central alto com dois andares e iluminação por LEDs.

Pelo menos o Jaecoo 7 não exagera tanto no minimalismo como fazem Leapmotor e outras marcas. Há vários botões: controles de luzes, porta-malas e tanque à esquerda do volante, de modos de condução, pisca-alerta, trava das portas e ar-condicionado no console central.

Ainda assim, há problemas de interface: os retrovisores são controlados só pela tela e o botão do ar no console é só para ativar o modo “Auto” ou desligá-lo. Se você quiser mudar um grau na temperatura, fechar a entrada de ar externo ou outras funções, precisa usar a tela central… Não antes de sair do Android Auto, se estiver usando, o que não é nada prático.

Uma opção é usar a navegação nativa dele, mas eu não a achei tão boa quanto a do Google em termos de opções de rotas. Falando nisso, outro ponto negativo é que a navegação nativa aparece no head-up display, mas a do Android Auto não.

Entre os equipamentos, há uma ampla lista, além dos citados, que inclui som premium Sony e pacote Adas completo, embora meio intensivo demais e com um sistema de monitoramento da atenção do motorista que é um tanto chato — você olha para o lado ou para a tela central duas vezes e ele já dá uma bronca (ainda bem que dá para desligar).

Espaço e conforto
Voltando a pontos positivos, o acabamento é muito bom, com todas as superfícies que se toca com material macio, na frente e atrás, e plástico duro reservado apenas para as partes baixas, que mal vemos.

Apesar disso, a montagem deixa a desejar. O carro já estava com muitos ruídos internos, considerando que é um modelo novo e supostamente Premium.

Em relação ao porte, os 4,500 metros de comprimento e 2,672 de entre-eixos deixam o Jaecoo 7 bem na média dos SUVs médios, com espaço adequado para quatro adultos — e até um quinto adulto vai bem, graças ao assoalho plano.

O porta-malas não é enorme, mas, com 424 litros, está na média dos híbridos, que perdem espaço para a bateria — e, como na maioria deles, não há como acomodar estepe, substituído por um inócuo kit de reparo. A tampa é motorizada.

A sensação de espaço na cabine é ampliada pelo teto panorâmico com abertura e cortina elétricos — mas que já apresentava um barulho irritante em ruas esburacadas na unidade avaliada (mal do qual poucos modelos escapam em nossas péssimas ruas e estradas: peguei um Porsche, ícone da engenharia alemã, com o mesmo problema antes do Jaecoo 7).

Foco no consumo
Na mecânica, o Jaecoo 7 tem um sistema híbrido plug-in (PHEV) similar ao de Geely e GWM. Todos são inspirados no e:HEV da Honda, mas com a vantagem adicional de poder rodar cerca de 100 quilômetros na cidade ou uns 80 na estrada em modo 100% elétrico.

Mas o Jaecoo 7 mostra mesmo suas verdadeiras qualidades, com baixíssimo consumo, quando trabalha como híbrido — seja quando usa gasolina e eletricidade juntos, de bateria cheia, ou mesmo quando ela chega aos 22 a 25% e ele entra no modo HEV.
Na cidade, ele prioriza a eletricidade e o uso em série, com o motor a combustão quase sempre apenas alimentando a bateria.

Na estrada, funciona mais em paralelo, com os motores elétricos, primeiro, e depois o a combustão, atuando juntos para mover o eixo dianteiro, e, em velocidade de cruzeiro, quando é mais vantajoso, apenas o motor a combustão atuando por meio de acoplamento direto.

Esta é hoje a opção mais vantajosa, e, no caso deste plug-in, quando atuando no modo HEV, leva a resultados dos melhores HEV não plugável — o que é raro, pois normalmente os PHEV gastam mais que os HEV quando não estão em situação ideal, que é carga acima de 30% na bateria.
O motor a combustão tem 135 cv e 200 Nm e é auxiliado pelos elétricos que somam 204 cv e 310 Nm, chegando a uma potência combinada de 279 cv e torque na faixa de 365 Nm (com pico de 339 cv em situações extremamente específicas de alta velocidade). Os dados oficiais indicam 0-100 km/h em 8,5 segundos.

Ao volante
De qualquer modo, para a proposta de SUV híbrido e considerando a dinâmica que oferece, não é um carro que precise andar mais do que anda. Faz ultrapassagens com segurança, ganha velocidade bem, mas não é prazeroso ao volante.
Isso porque, como a maioria dos carros chineses, a suspensão, independente nas quatro rodas, tem ajuste mais para conforto do que para dinâmica. Não chega a ser molenga como um BYD, mas ainda é macia o bastante para não incentivar muita esportividade no motorista.

Apesar do ruído de trabalho acima da média e alguns trancos de fim de curso (faltam buchas hidráulicas, as dimensões do SUV permitem dirigir sem muita preocupação com buracos, valetas e lombadas, também graças à boa distância do solo.
Já a direção tem a leveza necessária para que o Jaecoo 7 seja usado sem cansar o motorista — embora tenha o centro meio “bobo”, exigindo correções constantes em velocidades mais altas, não seja muito direta nem precisa e o motorista não receba muito feedback das rodas.
A alavanca de câmbio fica na coluna de direção, outra tendência dos chineses, e o curioso é que não há botão de partida. Basta se aproximar do carro para ele abrir. As maçanetas são retráteis, mas saltam, facilitando a vida do motorista, o banco recua para recebê-lo e a ignição já está dada (sempre no modo elétrico).

Ao sair do carro e ir embora, ele se tranca, fecha teto, janelas e pronto. Muito prático, assim como o retrovisor externo com tilt down automático, que ajuda mais nas manobras do que as câmeras 360 graus — que auxiliam mais para se mover para frente e para trás do que para ter uma visão real do carro e obstáculos, como sempre.
Uma curiosidade é o espelho retrovisor interno convexo, que amplia o campo de visão para até conferir os passageiros dentro do carro, mas ainda oferece uma visão adequada da traseira.

É preciso pouco tempo para se acostumar, e os espelhos externos são grandes e excelentes, garantindo a visibilidade traseira — uma curiosidade é que o limpador do vidro traseiro fica escondido para garantir um design mais “clean”.

Outra das poucas ausências sentidas na lista de equipamentos é o sistema auto-hold para os freios (ou pelo menos não o encontrei nos menus, mas há auxílio de partida em rampa).
Tanto na cidade quanto na estrada, agradam as reações de carro elétrico, imediatas e sem o lag irritante do acelerador e câmbio que cada vez mais incomoda nos carros a combustão.

Consumo campeão
Quanto ele consome? Como dito, ele pode funcionar apenas com eletricidade, e faz marcas melhores que outros plug-ins, na faixa de 5,5 a 6 km/kWh. O bom é que permite recarga rápida de 30 kW, carregando a bateria em mais ou menos meia hora.
Já com bateria cheia e sendo usado como híbrido, fez 52 km/l mais 13 km/kWh. Sim, os números de consumo dos plug-in usando energia “externa” são assim, não muito claros.
Para ter uma ideia melhor, é legal usá-los como HEV, esperando a bateria chegar ao “fim” (no caso, cerca de 25% da carga restante, uma reserva de potência pra evitar que ele fique fraco).
É nesse ponto que os PHEVs entram em um modo de não consumir energia “da tomada”, aquela além do que eles produzem no anda e para e com o motor gerador, para ver sua “verdadeira” eficiência — verdadeira no sentido de ter um parâmetro melhor.

E foi nessa situação que o Jaecoo 7 mais me impressionou. Apesar de ser plugável, fez números similares aos do Honda Civic ou do Kia Niro, os mais econômicos HEVs que testei.
Na cidade, no modo autocarregável, fez médias impressionantes, entre 22 e 27 km/l, dependendo da declividade do bairro e do trânsito.
Na estrada, fez 20 km/l andando a 110-120 km/h, enquanto concorrentes como GWM Haval H6 PHEV e BYD Song Plus não superaram 13 km/l em situação similar. Já o Jaecoo 7, mesmo andando a 130 km/h constantes, ainda fez 14 km/l.

Afinal, o Jaecoo 7 vale a pena?
O Jaecoo 7 é um carro muito bom no geral, com altos e baixos, mas que certamente merece ser considerado por qualquer consumidor interessado em modelos nessa faixa de preços.
Para quem busca, acima de tudo, um SUV confortável e com consumo excepcionalmente baixo, é uma das melhores opções do mercado hoje. Mas não deixe de ver também o Geely EX5 EM-i, que é maior e mais barato — menos potente, porém.

FICHA TÉCNICA
Jaecoo 7 PHEV 2026
Preço básico: R$ 234.990 (Luxury)
Carro avaliado: R$ 256.990 (Prestige)
Motores: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha 1.5, 16V, injeção direta, turbo (TGDI) + elétrico síncrono de ímã permanente Cilindrada: 1.499 cm³ Combustível: gasolina e eletricidade Potência: 135 cv (combustão) + 204 cv (elétrico) = combinada: 279 cv Torque: 200 Nm (combustão) + 310 Nm (elétrico) / Torque Combinado: 365 Nm Câmbio: automático, DHT Direção: elétrica Suspensão: McPherson (d) e multilink (t) Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t) Tração: dianteira 4×2 Dimensões: 4,500 m (c), 1,865 m (l), 1,670 m (a) Entre-eixos: 2,672 m Pneus: 235/50 R19 Porta-malas: 424 litros Tanque: 60 litros Bateria: 18,3 kWh (LFP) Peso: 1.795 kg 0-100 km/h: 7,8 s Velocidade máxima: 180 km/h Consumo cidade: 15,1 km/l (Inmetro) – 24,2 km/l (teste) Consumo estrada: 13,5 km/l (Inmetro) – 19 km/l (teste) Autonomia modo elétrico: 79 km (Inmetro)
NOTA GERAL: 8,5










































