12/08/2026 - 20:30
O Jeep Avenger chegou ao Brasil meio atrasado, mas com muita força. Lançado mundialmente há quase quatro anos — em outubro de 2022, no Salão de Paris —, o menor SUV da fabricante, que chamamos na época de “baby Jeep”, é a nova porta de acesso à marca: em meio à invasão chinesa, a Jeep quer conquistar novos clientes nos segmentos de entrada.
Como MOTOR SHOW informou na época com exclusividade (leia aqui), antes mesmo da apresentação oficial do modelo na França, o Avenger chegava para conviver com o Renegade, que vai ganhar uma nova geração (leia aqui).
Os preços partem de R$ 114.990, promocionalmente (mil unidades), e sobem a R$ 124.990 (2 mil unidades) com o pacote High Altitude, que inclui câmera de ré, barras de teto e teto preto, e deve acabar amanhã mesmo. São três versões, todas com o motor 1.0 turbo (T200) com 116 cv, 200 Nm (20,4 kgfm) e o mesmo sistema micro-híbrido do Renegade (MHEV 12V). Além da opção básica, Altitude, o novo Jeep Avenger tem a Longitude, de R$ 135.990, e a Limited, de R$ 145.990. A garantia é sempre de 5 anos.
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Medidas contidas
O design externo já era conhecido do modelo europeu, mas evoluiu com mudanças como a adição (no Limited) de LEDs na grade com sete fendas — uma das características clássicas da Jeep presentes no Avenger, assim como a posição de guiar elevada (ponto H), as lanternas em “X”, o ombro traseiro marcado, os balanços curtos que garantem bons ângulos de ataque (22 graus) e de saída (33,9 graus), a boa altura do solo (22,1 cm), o teto “flutuante” e as caixas de roda trapezoidais.

Com 4,084 metros de comprimento, o Avenger é menor que o Renegade, que tem 4,268 metros, mas o entre-eixos é quase o mesmo: 2,557 metros no Avenger contra 2,570 metros no Renegade. Ainda assim, a primeira impressão foi de que o espaço no banco traseiro é bastante limitado, mais que no irmão maior.

Com essas medidas, no tamanho total ele é menor que os rivais elencados pela marca — Honda WR-V, Nissan Kait, VW Tera e Chevrolet Sonic —, mas o entre-eixos é bastante similar ao dos dois últimos, e os pacotes e o visual podem acabar pesando na escolha para seu lado. Pelo menos é no que aposta a marca (e não duvidamos).

Aposta no conteúdo
Detalhes das versões e equipamentos você lê clicando aqui, mas vale destacar que os pacotes são bem competitivos. Todas elas têm itens como console central elevado, ar-condicionado digital (mas automático só a partir da Longitude), freio de estacionamento elétrico, seletor de terrenos (mais para modos de direção), sensor de chuva, auxílio em descidas, assistente de faixa, detector de fadiga, e leitor de placas de trânsito.

Ainda entre os destaques, a opção intermediária ganha recursos como travamento automático por afastamento, ACC, carregador sem fio, chave presencial, aletas para trocas de marcha e alto-falantes traseiros (inexplicavelmente ausentes na opção de entrada).

Já a top Limited serve como a vitrine de tecnologia, trazendo itens inéditos como ChatGPT embarcado (grátis por um ano, depois R$ 80 por mês), luz ambiente em LEDs, cluster maior, centralizador de faixa e incríveis faróis LED Matrix, que apagam só alguns setores e mantêm a luz alta, criando uma sombra para não ofuscar motoristas à frente ou no sentido contrário — item que só vemos em carros de mais de R$ 300 mil.

Cada uma delas tem seus opcionais. A Altitude pode vir com o pacote High Altitude, somando câmera de ré e teto preto com barras transversais. A Longitude pode receber o Convenience Pack, de R$ 3.500, que adiciona tomadas USB-A e USB-C traseiras, retrovisor sem moldura, espelhos rebatíveis, detector de ponto cego e sensores de estacionamento 360o, e o pacote “Teto + Jeep Adventure Intelligence”, com teto solar, conectividade e cluster de 10,25”, por R$ 8.500 extras. Por fim, o único opcional da Limited é o teto solar, que sai por R$ 7.500.
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Muitos destes equipamentos são exclusivos no segmento de SUVs de entrada (B), o que deve atrair o público urbano e moderno para quem o fato de o SUV ser mais compacto pode ser visto até como uma vantagem, por questões de praticidade para vagas/garagens.

A Jeep vê como potenciais compradores jovens (primeiro carro), casais jovens ou cujos filhos já saíram de casa e famílias com filhos pequenos — mas, para estes últimos, o espaço traseiro limitado e o porta-malas quase igual ao do Renegade, com 321 litros (VDA), podem dificultar a acomodação de cadeirinhas, carrinhos de bebê, etc.

Cabine incrementada
Se o Avenger de 2022 foi criticado pelos europeus por seu interior excessivamente simples, essa versão 2026/2027 foi aprimorada, como explicaram os executivos, segundo as recomendações e críticas dos brasileiros, e também chega à Europa.

Assim, apesar do plástico rígido no topo do painel, nas partes mais baixas e de contato com o corpo, o Jeep Avenger tem materiais macios ao toque e um acabamento que, à primeira vista, pareceu muito bom. As versões mais básicas têm banco em vinil misturado com tecido, enquanto a topo de linha ganha tudo em vinil e painel pintado, além dos já citados iluminação por LEDs com 8 cores e teto solar.

Mecânica conhecida
O motor 1.0 turbo perdeu potência por questões tributárias, passando dos até 130 cv para 116 cv, mas preservou o toque do motor três cilindros turbinado e a ótima transmissão CVT com sete marchas simuladas.

Com 1.280 quilos na versão mais completa, o Jeep Avenger T200 MHEV acelera de 0-100 km/h em bons 10,7 segundos com gasolina ou 10,3 segundos com etanol, conforme dados oficiais divulgados, e chega à máxima de 184 km/h.

O consumo do Jeep Avenger, também oficial (Inmetro) é de 12,7 km/l com gasolina e 8,8 km/l com etanol na cidade e de 13,5 km/l com gasolina e 9,4 km/l com etanol na estrada. Não é consumo de híbrido de verdade, mas o sistema MHEV economiza um pouco e ainda dá descontos no IPVA (dependendo do estado) e isenção de restrições de circulação, como o rodízio de veículos de São Paulo.

Em termos de dirigibilidade, Zola disse que “o handling é um diferencial muito relevante frente à concorrência”, e destacou que o Avenger foi o primeiro SUV da categoria a atingir 75 km/h no “teste do alce” — desvio rápido de trajetória que simula um alce cruzando a estrada diante do carro (apesar da suspensão traseira com eixo de torção).

Hoje ainda não tivemos a oportunidade de dirigir o Jeep Avenger, mas faremos isso amanhã de manhã e, após o almoço, publicaremos aqui nossas primeiras impressões ao volante da novidade que promete abalar o mercado.

“Duas caras” (ou até três)
Voltando ao Renegade, a opção de entrada do veterano, também chamada de Altitude, custa R$ 129.990, sendo a única que se sobrepõe ao Avenger — as demais, com a mecânica 1.3 turbo MHEV 48V, ficam entre R$ 158.690 e R$ 189.490. Leia aqui a avaliação do Renegade 2027.
De qualquer jeito, Renegade e Avenger não brigam entre si, pois têm conteúdos específicos e miram públicos distintos — e neste mês soubemos que esta estratégia dupla pode ganhar um terceiro componente, um novo SUV de 4,40 metros (leia aqui).

Hoje, o veterano Renegade é maior e mais potente, com um visual mais clássico, enquanto o novato Avenger é um “mini-Compass” e traz novidades tecnológicas graças à plataforma CMP, de origem Peugeot-Citroën — porém totalmente retrabalhada, principalmente nas suspensões, para ser um Jeep “legítimo”.
Como a plataforma CMP “básica” já estava instalada na fábrica de Porto Real, RJ, é lá que o Avenger está sendo produzido, como também previmos na reportagem de 2022.

Jeep Avenger Limited 2027 (foto: divulgação)Diferentemente dos irmãos Renegade, que estreou no Brasil poucos meses após a apresentação global, e Compass, que chegou antes aqui do que no resto do mundo, a Jeep não foi tão rápida para lançar o Avenger nacional. Levou quase quatro anos.
Questionado por MOTOR SHOW no lançamento hoje (12/8) sobre o motivo disso, Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, explicou que a chegada global do Avenger se deu na época da criação da Stellantis, uma fusão da FCA (Fiat Chrysler) com a PSA (Peugeot Citroën). Então, embora o modelo estivesse planejado para cá, tudo teve que ser repensado, e a aprovação dos investimentos demorou.
Quanto ao futuro do Avenger, Zola ainda disse que teremos muitas novas versões, o que abre espaço para pensarmos tanto em opções com eletrificação mais avançada – que pode incluir híbridos mais completos, com um motor elétrico traseiro e tração 4×4, por exemplo (“Tendo demanda, faremos”).
Por fim, questionado sobre a possibilidade de termos uma versão 100% elétrica do Jeep Avenger, como já existe na Europa, o executivo disse: “Sem dúvida há espaço para o elétrico, e assim que ele for competitivo, teremos. Está em nossas discussões. Muito em breve teremos, quem sabe antes do esperado.” Tomara.

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