A Leapmotor, marca chinesa fruto da joint venture com a Stellantis, anunciou que apresentará pela primeira vez no Brasil o Leapmotor B10 Ultra-Híbrido durante o Festival Interlagos 2026, em São Paulo, entre os dias 27 e 30.

O modelo se juntará ao irmão maior C10 na estratégia da empresa de apostar no chamado sistema REEV (Range Extended Electric Vehicle), nomenclatura de marketing batizada pela marca como “ultra-híbrida”.

O utilitário traz itens já conhecidos da variante 100% elétrica, como a central multimídia de 14,6 polegadas, pacote ADAS de nível 2 de assistência à condução e sete airbags. Contudo, sob o capô, seu funcionamento mecânico esconde um conceito que o mercado automotivo já conhece há mais de uma década.

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dianteira Leapmotor B10 BEV

Leapmotor B10 BEV (foto: divulgação)

O que é a tecnologia REEV na prática?

Na comunicação oficial da marca, o sistema REEV é apresentado como uma solução que oferece “100% do tempo a tração elétrica com a liberdade de reabastecer ou recarregar”, eliminando a ansiedade de autonomia. Na prática, trata-se de um híbrido plug-in (PHEV) operando puramente em série.

O motor a combustão do veículo não possui qualquer ligação mecânica com o eixo de tração ou rodas: sua única função a bordo é girar para atuar como um gerador de eletricidade, alimentando a bateria LFP (lítio-ferro-fosfato) quando a carga externa acaba, para que esta, por sua vez, envie energia ao motor elétrico traseiro. Leia mais aqui.

Reciclagem de conceitos e limitações de eficiência

Apesar da alcunha “ultra” soar superior aos “super-híbridos” concorrentes, a arquitetura em série é uma reedição de projetos pioneiros. O Chevrolet Volt (2010) e o BMW i3 REx (2013) já utilizavam o extensor de autonomia a gasolina há mais de dez anos.

A opção da Leapmotor e de outras fabricantes chinesas pela propulsão em série baseia-se na redução de custos de produção: é mecanicamente mais simples e barato instalar um motor elétrico em um dos eixos e colocar um pequeno motor a gasolina atuando como gerador no cofre do motor do que desenvolver caixas planetárias, embreagens ou eixos de transmissão complexos necessários em híbridos série-paralelos.

BMW i3
BMW i3

Entretanto, esse arranjo exige atenção do motorista quanto ao consumo e desempenho em viagens longas:

  • Perda na conversão: Converter energia mecânica (gasolina) em elétrica e depois em mecânica novamente gera perdas térmicas e de eficiência energética em altas velocidades contínuas (acima de 110 km/h).

  • O gargalo do gerador: Em trechos rodoviários de serra ou sob exigência máxima do pedal da direita, se a demanda de potência do motor elétrico for superior à capacidade do gerador de repor energia para a bateria descarregada, o veículo sofre restrição temporária de desempenho.

Diferente de rivais que adotam o sistema híbrido paralelo ou misto (como Honda e:HEV, BYD e GWM) — onde o motor a combustão pode tracionar as rodas diretamente em velocidades de cruzeiro para economizar combustível —, o Leapmotor B10 dependerá exclusivamente do conjunto elétrico para movimentar suas rodas em qualquer cenário.

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