10/04/2026 - 9:30
O governo brasileiro quer colocar mais etanol na gasolina, mais uma vez: ele representava 22% do volume na lei de 1993, subiu a 27% em 2015 e a 30% no ano passado. Agora, o governo quer aumentar sua mistura de etanol na gasolina a 32% ainda no primeiro semestre deste ano.
O decisão ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta desafios na área de combustíveis, especialmente em diesel e gás de cozinha, por conta da alta dos preços decorrente da guerra no Irã. “Quero aqui, em primeira mão, dizer que nós queremos fazer o E32 em breve, ainda no primeiro semestre deste ano”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na última quarta-feira durante participação em evento Latam Energy Week, no Rio de Janeiro.
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Um novo aumento da mistura — que já havia subido três pontos percentuais em agosto do ano passado de 27% para 30% — aconteceria em um ano em que o Brasil deverá produzir um recorde de etanol, com expectativa de crescimento da safra de cana-de-açúcar, além da expansão na produção do combustível de milho.

Mais etanol na gasolina: o que significa para seu carro?
Se você possui um veículo flex, não há motivo para preocupação. Esses motores foram projetados especificamente para identificar e processar qualquer proporção de mistura entre gasolina e etanol (de 0% a 100%) graças ao sensor de oxigênio e ao mapa de injeção eletrônica, que ajustam o funcionamento do motor em tempo real.
No entanto, para veículos movidos apenas a gasolina, se o aumento da mistura para 32% se concretizar, isso gera desafios técnicos consideráveis.
O principal problema é a mistura pobre: como o etanol requer menos ar que a gasolina para queimar, o sistema de injeção de um carro não flex (especialmente os mais antigos ou importados) pode não conseguir compensar essa diferença.
Isso resulta em perda de torque, “buracos” na aceleração e uma dificuldade acentuada na partida a frio, já que o motor não entende que precisa de mais combustível para compensar a presença do álcool.
Além da performance, existe o fator integridade dos materiais. O etanol é altamente higroscópico (absorve umidade) e mais corrosivo que a gasolina pura.
Em sistemas que não foram projetados com componentes resistentes ao álcool, essa concentração elevada pode causar:
Ressecamento: danos em mangueiras, juntas e vedações de borracha.
Oxidação: corrosão em peças metálicas do sistema de alimentação e na bomba de combustível.
Consumo: um aumento perceptível no gasto de combustível, já que o etanol possui menor poder calorífico que a gasolina.

Açúcar em baixa, etanol em alta
O maior direcionamento de cana para a produção de etanol, em detrimento do açúcar, deve acontecer em um cenário esperado por especialistas de preços mais interessantes do biocombustível (o açúcar bruto foi negociado em mínimas de cinco anos recentemente na bolsa de Nova York, referência global).
O preço do etanol anidro e hidratado nas usinas de São Paulo, principal produtor e consumidor, fechou o mês de março em queda, em meio a expectativas de um crescimento da produção do centro-sul.
Por outro lado, se houver um aumento da demanda por etanol com uma mistura de 32% — o que é esperado principalmente para quem tem carro flex em estados de preços mais atrativos — o mercado de açúcar poderia sofrer novos ajustes, já que haveria maior competição na destinação da cana.
Embora tenha afirmado que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) esteja se reunindo com mais frequência em função da guerra no Irã, o ministro evitou relacionar os fatos.
“Fizemos (uma reunião do CNPE) na semana passada, nós vamos concluir os estudos ainda nos próximos 60 dias, e queremos dar mais essa notícia boa para o Brasil, diante de tantas políticas públicas importantes para a segurança energética, para a modicidade tarifária e para o crescimento nacional”, disse Silveira.
O ministro pontuou que o Brasil tem avançado na agenda de biocombustíveis e que busca que o país seja autossuficiente em combustíveis. “Está em fase de estudos para concluir, nós aprovamos uma lei que se chama Combustível do Futuro. Uma lei que deu um exemplo para o mundo…, que subiu a participação do etanol, que estava limitado na lei a 27%, para até 35%. Claro, dependendo de estudos técnicos para garantir a segurança desses aumentos.”
