Mais marchas, menos gasolina

Roberto Assunção

Uma evolução grande, porém pouco visível. A discreta placa preta incrustada na grade do Range Rover Evoque 2014 – um sensor do piloto automático – é um dos únicos sinais de novidades. Rodas redesenhadas e retrovisores menores com repetidores de LEDs completam as alterações externas do utilitárioesportivo de luxo preferido da Vila Nova Conceição, bairro dos mais nobres de São Paulo (contei uma dezena deles lá em uma tarde de domingo). Dentro do carro, mudanças igualmente discretas: os bancos-concha da versão Dynamic são novos e, no volante, há botões do piloto automático.

Agora, além de adaptativo (freia e acelera sozinho), esse sistema tem o queue-assist (para o carro totalmente e depois retoma a velocidade). Pena que, mesmo ajustando a distância do carro adiante para o mínimo, o sistema é cauteloso demais, dando espaço para afobados “furarem fi la”, e lento na saída, gerando buzinadas impacientes.  O Park Assist também evoluiu: além de entrar sozinho em vagas, o Evoque agora sai delas – e ainda estaciona nas perpendiculares, como as dos estacionamentos de shopping center. Mas a principal evolução se percebe ao volante. O câmbio de seis marchas deu lugar a uma caixa de nove velocidades, com uma complexa combinação de conversor de torque, sistema multidisco e elementos de câmbio manual. Na prática, age quase como um automático normal. Nas mudanças de quarta para quinta e de sétima para oitava, porém, gera estranhamento, pois exige corte total da potência. Nas reduzidas, principalmente quando se está em oitava ou nona, isso incomoda: para voltar à quarta, é preciso reacoplar duas engrenagens, e isso leva tempo. Somado ao turbo lag do motor, o carro demora para responder. Você afunda o pé, espera, espera… e aí ele dispara. Em uma ultrapassagem, é incômodo. Para piorar, o câmbio não aceita interferências pelas borboletas no volante, que possibilitaria antecipar essa redução, quando está em D: antes é preciso mudar para o S.

Mas por que tantas marchas? Por vários motivos. O principal é reduzir o consumo – tarefa muito bem-sucedida.  Antes o Evoque fazia 6,6 km/l na cidade e 8,6 km/l na estrada; agora faz 7,9 e 11,1 km/l. Subiu de nota D para A no Inmetro. Na prática, roda 29% a mais na estrada – ou uns 175 quilômetros extra com um tanque cheio. Isso porque o motor se mantém sempre na rotação ideal: a 120 km/h, em nona marcha, o conta-giros marca 1.800 rpm. Para completar, o câmbio ajuda no off-road. A primeira bem reduzida (4,71:1), como na VW Amarok, elimina a necessidade de uma caixa redutora de verdade.

Por isso, o Evoque costuma sair de segunda, para ser mais suave (quando sai de primeira, é bruto demais). Para completar, o Evoque ganhou o torque vectoring, que atua no diferencial distribuindo o torque entre as rodas e garantindo mais estabilidade. Os preços sugeridos vão de R$ 192.000 a R$ 281.700 (Dynamic Tech Coupé). A versão avaliada, Dynamic Tech quatro portas, sai por R$ 277.900. O SUV é forte candidato a ser produzido em Itatiaia (RJ), em 2016, para brigar com BMW X1, Audi Q3 e Mercedes GLA – que, até lá, também serão nacionalizados.

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