Mazda aposta no motor rotativo e nega investimentos no Brasil

Entre 1978 e 2002, com especial destaque para o início dos anos 90, o Mazda RX-7 causou furor com um desenho agressivo e seu incomum motor rotativo, também conhecido como motor Wankel. Mas o carro não teve o sucesso comercial que a marca japonesa esperava e foi descontinuado, bem como o propulsor (bem mais tarde), que tem um funcionamento diferente de todos os outros. Mas agora o motor rotativo está de volta — é a aposta da Mazda para seu futuro carro esportivo, o RX-Vision, apresentado pela primeira vez no Salão de Tóquio.

Seguramente um dos carros mais bonitos do 44o Tokyo Motor Show, o RX-Vision introduz a próxima geração de seu motor rotativo, batizado de SkyActiv-R, e antecipa a visão da Mazda para carro de motor dianteiro, tração traseira e estilo esportivo. O visual é chamado de Kodo design e tem linhas longas e marcantes, bastante agressivas. O motor rotativo foi utilizado pela última vez no Mazda RX-8, aposentado em 2012. O fabricante japonês — o quarto maior do Japão, em termos de produção, atrás apenas da Toyota, Suzuki e Honda — acredito que o seu propulsor Wankel pode proporcionar mais sensações ao dirigir do que os motores de combustão tradicionais.

O RX-Vision tem capacidade para duas pessoas e mede 4,389 m. O entre-eixos é de 2,700 m. Os pneus dianteiros são 245/40 R20 e os traseiros têm medidas 285/35 R20. Outro modelo que chamou atenção no estande da Mazda foi o Koeru Concept Car, um crossover totalmente novo que também uta a tecnologia SkyActiv e mede 4,600 m. Mais discreto, por já ter um ano de carreira, o crossover compacto CX-3 poderia ter especial interesse por parte dos brasileiros. Afinal, ele se encaixaria perfeitamente no terreno disputado desse tipo. E a Mazda iniciou recentemente a produção de carros no México, por isso procuramos o executivo responsável pela operação mexicana, Miguel Barbeyto, para falar com a Motor Show.


Barbeyto disse que a Mazda começou a produzir no México em janeiro de 2014, na fábrica de Salamanca, Guanajuato. A produção do primeiro ano foi de 140.000 veículos e para o segundo ano a estimativa é de 230.000 unidades. Desse volume, 180.000, cerca de 119.000 são do Mazda3 (versões sedã e hatch), 61.000 são do Mazda2 (hatch) e 50.000 são do Toyota Yaris (por meio de uma joint-venture entre as duas marcas japonesas).

Segundo Barbeyto, não há planos de produção do crossover CX3 no México e muito menos de uma operação da Mazda no Brasil. “O Brasil é um mercado muito grande e demandaria muitos produtos, que não teríamos capacidade de atender”, explicou. A produção mexicana abastece o mercado de toda a América do Norte (México, Estados Unidos e Canadá) e alguns países da Europa, América Central e América do Sul. Além da fábrica em Salamanca, o Mazda só tem mais duas operações fora do Japão: ambas com montagem no sistema CKD, na Rússia e na Tailândia.

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