Meus 170 mil km de Peugeot 207: lições de uma relação de longo prazo

"Entre erros e acertos, essa longa convivência acabou virando uma experiência muito proveitosa para um apaixonado por carros"

Aproveitei uma viagem a Petrópolis (RJ) e fiz a foto do 207 na frente da fábrica da PSA. Na imagem, o hodômetro já somava 160 mil km (Arquivo Pessoal)

Quando comprei, em outubro de 2010, o meu Peugeot 207 XRS na cor Cinza Grafito, não imaginava que a minha convivência com o hatch feito em Porto Real (RJ) iria ser tão longa. Pensava em ficar com ele no máximo por três anos e depois trocá-lo por algo mais novo. Mas os anos passaram e a compra de carro novo deixou de ser prioridade. Ainda mais com a rotina de trabalho aqui na MOTOR SHOW e a possibilidade de avaliar os mais recentes lançamentos do mercado.

Hoje o hatch franco-brasileiro já soma quase oito anos de estrada e 170 mil quilômetros no hodômetro. Foram poucos os problemas (o 207 me deixou na mão em duas ocasiões, e por culpa minha) e, entre erros e acertos, essa longa convivência acabou se tornando uma experiência muito proveitosa para um apaixonado por carros. Ele me deixou lições que servem para todos que pretendem fazer o seu carro passar dos 150 mil km sem maiores percalços, seja por escolha própria ou por falta dela. Confira a seguir algumas delas:

  • Revisão em dia: Você pode até não fazer a manutenção do seu veículo na concessionária. Mas a revisão periódica do seu carro é a regra número um para diminuir as chances de ter surpresas desagradáveis. Sempre respeite o prazo recomendado pelo fabricante para troca de fluídos e componentes.
  • Peças de primeira linha: Quando for trocar os componentes do veículo, escolha sempre peças originais ou aquelas de fabricantes de primeira linha, compradas em lojas de confiança. Economizar com peças de procedência duvidosa pode custar caro depois. Vai por mim. Isso é bem real…
  • Com manutenção, rode sem medo: Desde que a manutenção seja respeitada, um veículo bem rodado certamente estará melhor do que um que roda pouco ou apenas em curtas distâncias. Já dirigi muitos carros piores e menos rodados do que o meu.
  • Fique atento aos barulhos e vazamentos: Sempre que ouvir um barulho fora do comum ou notar um vazamento de algum líquido, leve o carro para o seu mecânico. O conserto pode ser mais barato e simples do que você imagina. Mas pode virar um prejuízo grande se você empurrar o problema com a barriga.
  • Nunca ignore os avisos. NUNCA!: Depois de tanto tempo, aprendemos a interpretar os sinais de que o carro tem um problema. Mas se esses sintomas vierem acompanhados do acendimento repentino de uma luz espia vermelha no painel, não insista: melhor nem sair de casa com ele. Ignore o alerta e o carro certamente irá te deixar na mão.
  • Dirija suavemente: Dirija o seu carro suavemente, como se estivesse levando a sua vó para passear. Isso ajuda a poupar pneus, os sistemas de freio e suspensão e também ajuda a economizar combustível. Algo fundamental nos dias de hoje.
  • Abasteça com qualidade: Fuja da tentação de colocar aquele combustível barato e de procedência duvidosa. Em 170 mil quilômetros, nunca precisei fazer a limpeza no sistema de injeção.
  • Troque informações: Se inscrever em fóruns ou comunidades nas redes sociais ligadas ao seu carro é uma ótima maneira de descobrir mais sobre o seu automóvel. E até mesmo aprender a fazer alguns reparos em casa.

Minha convivência com o 207 tem tudo para durar mais uns bons anos. Afinal, sejamos realistas: duvido que eu encontre alguém disposto a pagar um valor próximo ao da Tabela FIPE por um Peugeot tão rodado e que, embora esteja muito bom do ponto de vista mecânico, está longe de ser o famoso automóvel de garagem, aquele sem riscos nem arranhões. Já conheço todo o histórico de manutenção desse carro e, por isso mesmo, costumo dizer que esse carro vale mais vivo do que morto para mim.