24/03/2026 - 8:30
A guerra das baterias acaba de ganhar um novo capítulo. Durante a inauguração do seu novo Centro de Engenharia Europeu na Alemanha, a marca – que agora opera oficialmente no Brasil sob o guarda-chuva da gigante SAIC – anunciou o início da produção em massa da SolidCore, sua primeira bateria semissólida , atualizada com gerenciamento térmico para o mercado ocidental, e ainda detalhou a nova geração do sistema Hybrid+.
Ambos podem estar dentro de um ano nas concessionárias brasileiras, e não em um carro de luxo, mas no MG4 Urban. Ou seja, enquanto gigantes como Toyota e Nissan vêm prometendo a “revolução da bateria de estado sólido” há anos, a MG (Morris Garages) confirmou que será a primeira fabricante do mundo a colocar baterias de estado semissólido em um carro de produção em massa.
+As vendas de elétricos e híbridos plug-in crescem, e as filas para a recarga só aumentam
+Análise: após prejuízo com elétricos, GM aposta tudo na bateria LMR (e pode se dar mal de novo)
A tecnologia ‘semissólida’
Diferente das baterias convencionais, que usam eletrólitos líquidos inflamáveis, a SolidCore utiliza uma estrutura semissólida (95% sólida). Isso significa maior densidade energética (mais quilômetros de autonomia com menos peso), recargas 20% mais rápidas e, o mais importante, uma segurança térmica sem precedentes. Em testes, a bateria foi perfurada sem apresentar chamas ou fumaça — um argumento de vendas matador para quem ainda tem receio dos elétricos.

Hybrid+: o sistema híbrido anti-Toyota
Se a bateria semissólida é um belo passo para o futuro com baterias 100% sólidas, o sistema Hybrid+ já é o presente – e o brasileiro aguarda pela novidade por aqui. Afinal, a MG confirmou que seus novos híbridos – como os aguardados ZS e HS que chegam ao Brasil – utilizam uma inédita transmissão de 3 marchas físicas.
Trata-se de um ataque direto ao sistema e-CVT da Toyota (Corolla e Corolla Cross) e ao sistema da BYD DM-i. O objetivo é eliminar o “efeito elástico” (o ruído do motor esgoelando sem uma resposta de aceleração imediata)
Com três relações de marcha reais, o carro tem uma primeira curta, para arrancadas brutas, uma segunda marcha para retomadas urbanas e, ainda, uma mais longa para velocidades de cruzeiro em rodovias – o que ajuda a manter sempre o giro baixo e o silêncio a bordo.

Grata surpresa
A melhor notícia é que a novidade não ficará restrita a supercarros: a marca irá equipar o MG4 Urban com essa bateria ainda em 2026 na Europa, deixando um recado bem claro: a tecnologia semissólida já é viável e barata.
Além do MG4, um jornalista do Electrifying disse ter visto imagens exclusivas nos bastidores do Centro de Engenharia da MG em Frankfurt. Os registros indicam que a família SolidCore vai crescer rápido, com dois novos modelos: um sedã esportivo, rival direto do BYD Seal, que priorizará leveza e desempenho, e um SUV inédito.
Comparativo: MG4 Atual vs. MG4 Urban SolidCore
Como essa mudança impacta o carro que já conhecemos? A versão da bateria semissólida da marca SolidCore anunciada em Frankfurt foi “tropicalizada” em relação à versão chinesa. Ela recebeu um novo sistema de gerenciamento térmico (BMS) para garantir estabilidade em climas tropicais como o do Brasil, além de reforços estruturais na carcaça para atender aos rígidos padrões de segurança europeus e brasileiros.
Abaixo estão as diferenças estimadas entre o modelo atual e a nova geração, que chega na Europa no final de 2026 – e não deve chegar aqui muito depois, uma vez que, em meio à invasão chinesa, temos recebido alguns elétricos e híbridos antes dos europeus.
| MG4 Atual (lítio líquido) | Novo MG4 Urban (SolidCore) | |
| Tipo de bateria | LFP | Semissólida (SolidCore) |
| Segurança térmica | Padrão da indústria | Resistente a perfurações |
| Performance no frio | Perda de até 30% de autonomia | Mínima perda |
| Tempo de recarga | 10-80% em ~35 min | 10-80% em ~25 min (estimado) |
| Peso do conjunto | Mais pesado | Mais leve (melhor desempenho) |
| Preço Estimado | R$ 150.000 | O plano é manter o preços |
O que muda para o Brasil
Esta notícia é excelente para o mercado nacional: a MG já confirmou que sua operação brasileira em 2026 vai se concentrar nos híbridos flex. O sistema Hybrid+ de 3 marchas, com sua bateria maior que a do Corolla Cross Hybrid, deve ser adaptado para o etanol, prometendo consumo que pode superar os 25 km/l na cidade, mas com uma dirigibilidade muito mais “esperta”.
Estimamos que a tecnologia SolidCore deve estrear por aqui no primeiro semestre de 2027, equipando também as versões do hatch MG4 e do novo SUV elétrico S5, posicionando a marca como a opção tecnológica premium frente às compatriotas BYD e GWM.
A MG está claramente jogando para ganhar. Com a garantia de dez anos que a marca vem praticando lá fora e essa nova ofensiva tecnológica, a briga no segmento de SUVs no Brasil vai ganhar um novo (e muito perigoso) protagonista.
Ficha Técnica Resumida: sistema MG Hybrid+ (estimada)
- Motor: 1.5 Aspirado + Motor Elétrico (híbrido flex no Brasil) cerca de 102 kW e 128 Nm
- Motor de tração: 136 cv (100 kW) e 250 Nm
- Potência combinada: 194 cv e cerca de 270 Nm
- Transmissão: automática de três velocidades (Hybrid Control Unit)
- Bateria: 1,83 kWh
- Destaque: oito modos de gerenciamento de energia com detecção de terreno
- Recarga: 10% a 80% em apenas 21 minutos (via carregadores ultrarrápidos)
