Miss simpatia

1- MINI Cooper Aut. R$ 98.500

2- Pt Cruiser Limited R$ 69.900

3- New Beetle aut R$ 59.190

4- Smart fortwo R$ 58.300

Tente encontrar uma característica em comum entre os modelos aí da foto. Não, não vale apontar as quatro rodas, o motor ou o volante!

A resposta certa é que todos eles são carros divertidos e que esbanjam simpatia. Isso não acontece por serem pequenos, terem um design diferenciado, serem caros ou por qualquer outro motivo isolado. Prova disso é que mesmo aqueles que têm propostas opostas como o PT Cruiser (que é grande e tem linhas no estilo retrô) e o smart (que é pequeno e possui um visual para lá de moderno) chamam a atenção de uma maneira positiva na rua. O que faz o sucesso destes carros é a personalidade própria e marcante de cada um deles.

É difícil sair com smart fortwo, Mini Cooper, VW New Beetle ou Chrysler PT Cruiser e não ser bem recebido nas ruas. Mais difícil ainda é voltar para casa sem ter sido surpreendido por alguém tentando puxar assunto ou fazendo um comentário sobre o carrwo. Por conta disso, cada um deles tem pelo menos uma história inusitada que demonstra o quanto mexem com as pessoas.

Apesar das medidas extremamente pequenas, a bordo do smart você jura que está em um carro maior, mesmo que você tenha mais de 1,80 m de altura

Apesar da boa aceitação do público, não são muitos que compram esses carros, digamos, diferenciados. “O comprador deste modelo não tem um estereótipo definido. São pessoas que gostam do novo e não têm medo de serem diferentes”, diz Roberto Gasparetti, gerente de marketing e produto da Mercedes Automóveis, sobre o público-alvo do smart. E são também pessoas com uma conta-corrente bem recheada, já que dispõem de valores altos para adquirir um carro que, muitas vezes, funciona mais como um brinquedo de luxo do que como um eficiente meio de transporte. É uma compra mais emocional do que racional, sem dúvida.

Nas próximas páginas, você vai conhecer melhor a personalidade de cada um desses quatro modelos e saberá como cada um deles foi “tratado” nas ruas durante o teste que MOTOR SHOW realizou. Assim, descobrirá qual deles combina mais com seu estilo.

Um carro muito smart!

É isso mesmo, este carrinho de apenas 2,70 m de comprimento e 1,56 m de largura faz jus ao nome que leva: smart fortwo, que, em tradução literal, significa inteligente para dois. A realidade do modelo é exatamente essa. Ele só leva dois passageiro, mas esses, por incrível que pareça, viajam com bom espaço para as pernas, mesmo aqueles com altura acima de 1,80 m. Devido a posição alta de dirigir e do espaço interno, a bordo, é possível até esquecer de seu tamanho reduzido. A impressão que se tem é de que o carro é maior.

O desempenho também é de gente grande, ou melhor, de carro grande. Seu motor 1.0 de 84 cv aliado aos seus 770 kg, deixam o veículo muito esperto em saídas e retomadas, e até na estrada. Ao contrário dos modelos 1.0 populares, a 120 km/h o contagiros do smart marca apenas 3.500 rpm. Talvez por conta disso seu consumo na estrada atinja os 24,4 km/l. Por ter medidas de altura e largura muito próximas, no contorno de curvas ou na estrada, acima do 110 km/h, o carrinho merece um cuidado maior. Tirando isso, a única evidência que faz o motorista lembrar que está em um carro de menos de três metros são os olhares curiosos.

Durante os dias de teste que MOTOR SHOW realizou com o modelo, aconteceram muitas situações curiosas. Uma delas foi com um motoboy que, ao bater no retrovisor do carro, parou, pediu desculpas e ajeitou a peça, com muito bom humor. Isso em São Paulo, onde eles não costumam ser tão simpáticos assim. Houve um motorista que parou o ônibus para que os passageiros se espremecem nas janelas do lado direito, e pudessem observar melhor o carrinho. Nas calçadas, as pessoas cutucam umas as outras e apontam o carro, as criancas dão tchauzinho e o os mais velhos fazem sinal de positivo.

Com todas essas evidências, deu para notar que o smart é um carro para pessoas que buscam transmitir uma imagem de modernidade e simpatia, sem muita ostentação, apesar do sucesso indiscutível.

Charmoso sem perder a esportividade

A BMW, que é proprietária da Mini, começou a importar oficialmente o carrinho que desde 1959 carrega muita identidade e personalidade própria.

Até então, o consumidor que quisesse adquirir um Mini 0 km só poderia recorrer a importadores independentes. E os preços das versões eram muito mais caros do que os que estão sendo praticados pela BMW hoje. De acordo com Marco Aurélio Diluciano, da importadora Motoracing, que nos cedeu o Mini para a avaliação, a versão mais em conta era comercializada por cerca de R$ 120 mil.

Hoje em uma das três concessionárias da Mini que já estão funcionando no Brasil é possível adquirir o mesmo modelo por R$ 92.500.

Para quem quer desempenho, o Mini é o mais indicado. Além do estilo charmoso, ele mantém o DNA de carro de corrida, que é sua origem: suspensão firme e motor valente

Com exceção do smart, todos os carros desta matéria se diferenciam por terem um visual retrô. Com o Mini Cooper não é diferente. Seus faróis e relógios internos arredondados dão maior destaque e charme ao modelo. Sem falar que o veículo segue as mesmas linhas de quando foi lançado e fez fama nas pistas. Mas daquela época só ficou a identidade visual. Afinal, o modelo possui muita tecnologia e um desempenho bem agressivo. Avaliamos a configuração de entrada, que tem motor aspirado de 120 cv e proporciona uma dirigibilidade bastante divertida. Por ser pequeno, possuir suspensão firme e bom desempenho, o carro é bastante ágil. Dentre todos os veículos desta matéria é o mais indicado para quem procura boa performance sem deixar de lado o charme e o carisma.

Por falar em carisma, de acordo com Diluciano, o carrinho faz muito sucesso com o público feminino também. “Toda vez que algum cliente dizia que ia levar a esposa para dar uma opinião, nos já começávamos a comemorar a venda”, relembra o importador. Diluciano conta ainda a história inusitada de um cliente que comprou um Mini e, de tanto ciúme que tinha do modelo, acabou brigando com a esposa. “Ela não queria mais saber de andar com o carro dela, que era um Mercedes, e ele tinha muito ciúme do Cooper. Resolveram vender o carro para não dar mais problema.”

Um cer to ar de nostalgia

“Nossa esse aí é lindo, hein!? É importado?”, perguntou uma senhora que acompanhava seu marido no banco do carona de um Fusca verde, ao parar ao lado do New Beetle em um farol. Obviamente, a mulher de cabelos brancos identificou no carro as linhas básicas de seu fusquinha, um modelo que fez parte da história de praticamente todas as famílias brasileiras.

E é justamente por essa identificação imediata, quase inconsciente, que o New Beetle tem tanto carisma e as pessoas têm tamanha empatia por ele. Mesmo os mais novos reconhecem seu “pedigree” de vencedor. Os parachoques sobressaltados, os faróis redondos e o teto também arredondado não escondem as origens do modelo. Mas, diferente de seu antecessor, o New Beetle não briga no segmento de populares.

Com uma história inigualável no mercado nacional, o novo Fusca é o modelo de maior apelo emocional, mas nem por isso deixa de ser um carro eficiente

Agora é um sonho de consumo para muitos jovens que se atraem pelo seu design descolado e pela performance interessante que o modelo oferece.

Importado do México, o carro é vendido com motorização 2.0 de 116 cv, de câmbio manual e automático. O preço da versão mecânica é de R$ 55.410, enquanto a automática sai por R$ 59.190. Para adquirir um New Beetle, é preciso encomendá-lo, e o tempo de espera gira em torno de 60 dias. São raras as revendas que possuem o carro em seu estoque, quando isso acontece, elas acabam cobrando ágio.

Dirigir o New Beetle é bem prazeroso. Por utilizar o mesmo conjunto motriz e a mesma plataforma do Golf, o carro tem ótimo desempenho e estabilidade. A versão avaliada tinha câmbio automático de seis velocidades e opção de trocas manuais, que garantem mais divertimento no trânsito. O único problema do modelo está no habitáculo que é pouco espaçoso e exige contorcionismos para entrar e sair. Mas, para quem quer um carro com apelo nostálgico e que ande bem, o modelo da Volkswagen é imbatível entre os quatro avaliados.

Mais imponente e menos divertido

O PT Cruiser já nasceu diferente, pois foi desenvolvido em um concurso para jovens designers. De acordo com Emilio Paganoni, responsável pela área de marketing e produto da Chrysler, a ideia inicial era que o carro fosse uma série limitada, mas, por conta do sucesso, no ano 2000 a montadora resolveu manter o veículo no mercado. A partir do segundo semestre deste ano, o PT Cruiser sairá de linha. A justificativa da Chrysler é que o ciclo de vida do modelo está acabando e, por contar com um visual diferenciado, uma possível reestilização não seria viável. A crise mundial e a queda em suas vendas são outros motivos pelos quais a marca deixará de vender o modelo. Em fevereiro do ano passado, foram vendidas 128 unidades do veículo, já no mesmo mês deste ano foram apenas 46, uma queda de 64% nas vendas. “O PT Cruiser sairá de linha para dar lugar a outros projetos”, explica Paganoni. A marca não confirmou que o modelo deixará as linhas de produção da fábrica mexicana para dar lugar ao Fiat 500, outro modelo diferenciado que, em breve, chega ao nosso mercado. Seria vendido aqui e, principalmente nos EUA, onde o Mini Cooper já é sucesso (leia mais a respeito nesta edição, na reportagem sobre o acordo entre Fiat e Chrysler). Por enquanto, o PT está disponível nas versões Classic (R$ 59.900) e Limited (R$ 69.900), que conta com teto solar, rodas aro 17″, bancos de couro, faróis de neblina, entre outros itens.

Além de bem acabado, o PT Cruiser é uma opção para quem precisa de espaço. Mas não espere bom desempenho. Apesar do motor 2.4, ele é lento nas acelerações e retomadas

O PT Cruiser oferece bastante espaço, tanto para os ocupantes dos bancos dianteiros como para quem viaja atrás. Mas, por conta de seu tamanho e peso, não mostra muita agilidade, pelo contrário: o curso da direção é curto, e, apesar do motor 2.4, seu desempenho não surpreende. Mas é uma opção para quem quer se diferenciar no trânsito e precisa de bastante espaço.

Veja também

+ A biblioteca básica do motociclista cool

+ Tomografia revela que múmias egípcias não são humanas

+ Homem compra Lamborghini após fraude em auxílio emergencial

+ Restaurar um carro: quanto custa e quanto ele pode valorizar



COMPARTILHAR
Notícia anteriorMercado
Próxima notíciaO novo Chevrolet