Mudança de perspectiva

Algumas páginas adiante, você vai conhecer o novo Mercedes-Benz GLA, SUV compacto que chega agora importado da Alemanha, mas será fabricado em Iracemápolis, São Paulo, em 2016. Depois, vamos compará-lo aos rivais Audi Q3 e VW Tiguan – o primeiro também já confirmado para produção nacional; o segundo, uma possibilidade remota (já que a marca deve apostar em um SUV mais barato para brigar com o EcoSport, baseado no carro-conceito T-Roc, como mostramos em agosto). Portanto, antes de tudo, você precisa conhecer esse novo BMW X1. 

Enquanto o GLA nacional será idêntico ao que está sendo lançado e o Q3 brasileiro vai ganhar uma plataforma nova (MQB), sem perder sua essência nem mudar muito o design, o BMW X1 de segunda geração, com produção confirmada para Araquari, Santa Catarina, será o de segunda geração, radicalmente diferente do atual. O crossover que desvendamos aqui, com ilustrações baseadas em flagras de protótipos, será exibido na Europa em meados do ano que vem, como modelo 2016 – para depois ser produzido tanto lá quanto aqui. 

Há a possibilidade de a produção do X1 nacional se iniciar com o modelo atual, já que ele usa a plataforma do Série 3, que começou a ser fabricado em Araquari em 30 de setembro. Isso faria a marca cumprir promessas feitas para aprovação no programa Inovar-Auto. Embora não seja muito prático, industrialmente, começar a produzir a geração atual para depois adaptar a linha do novo modelo, isso é possível. Mas, se acontecer, ainda vale a pena esperar um ano.

A mais importante mudança do novo X1 estará no sistema de tração: nas versões mais vendidas, 4×2, ela será confiada às rodas dianteiras, não mais às traseiras (como nos novos Mercedes “de entrada”). Isso porque o X1 será o primeiro SUV da BMW com a plataforma modular UKL, já base do Série 2 Active Tourer e do novo Mini (e que dará origem às novas gerações do Série 1 e do Mini Countryman, outros nacionais). A plataforma UKL representa uma verdadeira revolução para os clientes tradicionalistas da BMW – que poderão se consolar com as versões de tração integral xDrive (com embreagem multidisco distribuindo o torque entre os eixos conforme a necessidade). A maioria dos consumidores, porém, não liga para qual é o eixo motriz – e certamente dá mais importância para a principal vantagem dessa configuração: a cabine mais espaçosa, graças à montagem transversal do motor, que encurta o “nariz” e permite crescer o interior. 

No que diz respeito ao visual do carro, isso significa perder o efeito “capô longo e cabine recuada”, uma qualidade estética clássica dos BMW, e talvez a única digna de elogios no X1 atual – visto por fundamentalistas do design como “patinho feio” da BMW. De qualquer modo, o novo X1, mesmo com capô mais curto, mostrará um desenho sólido, inspirado nos novos X3 e X4. Os faróis serão estendidos até a grade, formando um nariz suficientemente agressivo.

A e ciência energética do crossover/SUV também será aprimorada: a BMW não pretende refazer o motor de 6 cilindros em linha para permitir a instalação transversal. Assim, roubarão a cena os novos 3 e 4 cilindros – substituindo, respectivamente, os atuais 4 e 6 cilindros. O BMW X1 brasileiro terá o 3 cilindros 1.5 de 136 cv nas versões de entrada e o 4 cilindros 2.0 de 231 cv nas configurações topo de linha – todos turbo e  ex. Mais adiante, haverá também uma versão híbrida, com potência total de 270 cv, e – para os fãs de esportivos – ainda há rumores de um X1 M para desa ar Audi RS Q3 e Mercedes GLA 45 AMG. 

A fabricação nacional, a princípio, não deve mudar os preços, até porque eles são, em tese, definidos pelo mercado. Como concorrente do GLA e do Q3, o X1 deve ficar na faixa de R$ 130.000 a R$ 190.000 – com tendência de queda se o dólar baixar ou a concorrência apertar. Falando nela, é hora de virar a página e conhecer os rivais do X1. Vamos começar pela estrela do momento, o Mercedes-Benz GLA. Depois, um comparativo com Audi Q3 e VW Tiguan. Aí você decide se fica com um deles ou se espera pelo novo X1.