Uma Flórida muito além da Disney World

Flavio R. Silveira

Mais do que qualquer outro país, os Estados Unidos têm de ser conhecidos de carro. Viajar assim tem muitas vantagens, e a maior delas é a liberdade. Em vez de se prender a roteiros das agências de turismo ou a rotas de trens e ônibus, você traça seu próprio caminho. Foi o que fizemos: ao volante de um Audi A3 Sedan, decidimos fugir do óbvio circuito outlets de Miami-Orlando-Disney e dar uma volta de 1.500 quilômetros pelo centro-sul da Flórida, o estado onde o sol sempre brilha (ou sunshine state). Claro que não estamos sugerindo que você deixe de ir à Disney, pois é mesmo imperdível.

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(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA) A região de Miami, ponto de partida e chegada (veja mapa do roteiro), tem muitos atrativos: ao centro, o distrito Art Déco de Miami Beach, com belas praias e agitado de dia e de noite

Mas, se tiver tempo, há muito mais para se ver na região. Aproveite a gasolina barata (lá) e caia na estrada. Foi preciso pouco tempo para ver que o A3 Sedan é um modelo pequeno para os padrões americanos. Em meio a enormes minivans e avantajados SUVs, parecia até um microcarro, mas acomodou com muito conforto dois adultos, uma criança e muitas malas. Nosso ponto de partida foi Miami, um bom lugar para gastar uns dias. A vizinha Miami Beach tem praias tranquilas no centro/norte e a agitada South Beach ao sul, com sua arquitetura Art Déco, a água do mar é sempre quente e azul-esverdeada e nas praias há ótima estrutura para as crianças, com parquinhos, duchas e lanchonetes.


Acima, uma casa de Wynwood e uma loja de charutos cubanos em Little Havana. À dir., a Venetian Pool, ideal para crianças. Abaixo, a bela natureza de Key Biscayne (e um alerta sobre os crocodilos)

Outros atrativos imperdíveis são o bairro cubano Little Havana, o subúrbio “de cinema” Coral Gables (não deixe de ir a Venetian Pool, ideal para crianças) e a fascinante Key Biscayne (boa para ver pássaros). Sugerimos também uma volta pelo Wynwood Arts District, bairro de galerias de arte e prédios coloridos, espécie de museu a céu aberto. Seguindo para o norte, Fort Lauderdale é uma cidade cheia de canais nos quais se pode fazer passeios de barco para ver mansões e iates dos ricos e famosos. Um pouco ao norte, um passeio subestimado é o Butterfly World, com milhares de borboletas e pássaros, além de um museu de insetos de arrepiar, que as crianças adoram.


No alto, um dos canais de Fort Myers Beach. À esquerda, um Water Taxi em Fort Lauderdale. O Butterfly World (acima) é boa atração para crianças pequenas

De Fort Lauderdale para a região de Orlando, onde fica a Disney, há duas opções: ir pelo litoral, usando a bela rodovia A1A e aproveitando para visitar West Palm Beach e Cabo Canaveral (base de lançamento dos foguetes da Nasa); ou pela Florida’s Turnpike – caminho rápido, que permitiu acelerar forte o A3 (com um 2.0 turbo de 225 cv, anda bem mais que nossos 1.4 de 122 cv e 1.8 de 180 cv). Depois do circuito mainstream Disney World, Universal Studios & cia., é hora de voltar ao nosso roteiro alternativo. Vale a pena uma visita a Celebration – cidade criada por Walt Disney que, de tão perfeita, parece de mentira –, e depois seguir para Apopka, 45 minutos ao norte da Disney.


O Legoland é um paque temático diferente, que vale um ou dois dias de visita. Abaixo, a piscina natural de Kelly Springs e nosso Audi A3 Sedan carregando sobre o teto panorâmico uma boia alugada na estrada (a outra coube dentro dele)

Lá fica o Kelly Park, onde a diversão é descer um riacho de bóia (câmaras de pneus de trator alugadas por US$ 5 na beira da estrada) até uma piscina natural de água verde. A descida, lenta, é boa para as crianças – e dá para voltar por uma trilha em meio à mata nativa (com sorte, se vê ursos, veados e outros animais). De Apopka, pela mesma estrada, voltamos até Legoland, parque temático/aquático bastante divertido para crianças até 6 anos, e que vale pelo menos um dia de passeio. De lá, seguimos para Tampa, onde não se pode deixar de ir ao The Florida Aquarium.


Acima, uma casa típica da Costa do Golfo e um dos tradicionais restaurantes all-you-can-eat (coma à vontade – nesse caso, pizzas a US$ 9 por pessoa). Abaixo, o Florida Aquarium, em Tampa: há opção de mergulho, passeios de barco e outras atrações sazonais, como a que tinha simpáticos lêmures

Depois, vem a parte mais selvagem da viagem: a Costa do Golfo, onde se destacam as mansões de arquitetura espanhola de St. Petersburg, a pacata e arrebatadora beleza de Pass-A-Grille Beach (que ainda tem ótimos restaurantes e bares), a simpática Fort Myers Beach e as exclusivíssimas ilhas de Captiva e Sanibel – onde a grande diversão é catar conchas, acredite. O passeio pela costa oeste termina no Lover’s Key State Park, cujo mar parece uma piscina, onde se pode avistar peixes-boi, nadar com golfinhos e observar pássaros.


Ao alto, um dos parquinhos para crianças nas praças públicas. Ao centro, conchas e o pôr-do-sol de Captiva Island. Ao centro na direita, uma estátua de crocodilo nos Everglades, onde o legar é passear de aerobarco e ver crocodilos de verdade (abaixo)

O trecho final, de volta para Miami, pode ser feito pela I-75, mas preferimos seguir pela rodovia 41, uma grande reta que corta a região pantanosa dos Everglades. Vale dar uma parada em Everglades City para um passeio de aerobarco e no Shark Valley Visitor’s Center para sugestões de passeios. No trecho final, pegue à direita na Monroe Station e siga pela Loop Road, uma bela e deserta estradinha de terra que corta pântanos e mais pântanos (dá para ver crocodilos soltos na beira da estrada) e depois leva de volta à rodovia 41, já perto de Miami. E aí, pena, é hora de voltar para casa.

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Dicas de viagem

CARRO – O aluguel de um carro básico na Florida é barato, com preço inicial na casa de US$ 200/semana. Não deixe de pegar o SunPass, sistema de tags para pagamento de pedágio. Ele é obrigatório nas melhores estradas. E não se esqueça: salvo indicação, virar à direita é sempre permitido, mesmo com o sinal vermelho.

HOTEL – Reserve hotéis em sites como o www.booking.com. As redes mais tradicionais de motéis de beira de estrada, como Holyday Inn, La Quinta Inn, Comfort Inn, etc. costumam ter bom custo-benefício. Fora da alta temporada, dá para reservar na véspera (ou até mesmo no próprio dia).

MELHOR ÉPOCA – Você pode até preferir ir em julho por causa das férias das crianças, mas avisamos que não é a melhor época para encarar a Disney World. É quente demais (mesmo para nós, brasileiros) e as filas ficam enormes. Se puder ir em agosto, setembro ou outubro, pode até pegar tempestades aqui e ali, mas conseguirá aproveitar mais as atrações dos parques temáticos – e praias e outros lugares também estarão mais vazios.

VOOS – Apesar da alta do dólar, as passagens para a Flórida estão com preços bastante atraentes: com a inauguração do novo Terminal Internacional de Viracopos (Campinas), diversas cias. aéreas passaram a oferecer novos voos diretos de lá para Orlando, Miami e Fort Lauderdale – e a competição com as que partem de outros aeroportos brasileiros fez os preços caírem cerca de 30% em um ano.

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